segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Conferência Diversidade e Respeito em Roma


Conferência Diversidade e Respeito em Roma
 
A luta contra o racismo, a discriminação e a intolerância no futebol é uma prioridade maior para a UEFA e para a família do futebol. Esta campanha a longo prazo será o principal ponto da Conferência Diversidade e Respeito 2014, organização conjunta da UEFA, da rede FARE e do sindicato dos jogadores FIFPro. O evento tem como anfitriã a Federação Italiana de Futebol (FIGC) e realiza-se na  quarta e quinta-feira próxima em Roma.
Mais de 200 delegados, com representação das federações-membro da UEFA, ligas, clubes, organizações políticas e governamentais, organizações não governamentais (ONG) e grupos minoritários vão juntar-se a especialistas relevantes e aos representantes da comunicação social numa conferência cujo objetivo é aumentar a consciencialização sobre a forma de lidar com todos os aspectos do racismo e da discriminação no futebol e que conta ainda com a participação dos principais intervenientes da modalidade.
O Presidente da UEFA, Michel Platini, abrirá a conferência com uma palestra, seguindo-se um painel de debate com responsáveis ligados à política e ao desporto. A conferência constitui-se como uma plataforma para que os participantes possam partilhar boas práticas no combate à discriminação em diversos níveis e em várias latitudes e também como caixa de ressonância para soluções práticas sobre o assunto no futuro. O segundo dia da conferência será composto por “workshops” que incluem debates sobre a luta contra a homofobia, o trabalho com as minorias étnicas e de que forma as federações podem desenvolver planos de ação, e um painel de discussão de jogadores com antigos e atuais futebolistas profissionais.
A UEFA e o seu Comitê Executivo são claros e comprometidos na adoção da política de tolerância zero em relação ao racismo e à discriminação na modalidade. Os regulamentos disciplinares da UEFA incluem agora cláusulas que prevêem uma punição mais firme em caso de conduta racista por parte de jogadores, treinadores, dirigentes e torcedores. Além disso, os árbitros têm o poder de parar ou mesmo suspender os jogos em caso de incidentes racistas.
No Congresso Ordinário da UEFA, em Maio de 2013, as federações-membro da UEFA emitiram uma resolução sublinhando o compromisso do futebol  europeu no combate ao racismo e para punir os culpados desse comportamento. Foi ancorado um novo artigo sobre o racismo e outras formas de discriminação aos Estatutos da UEFA, na sequência da sua aprovação pelo Comitê Executivo e adoção no Congresso da UEFA, em Astana, em Março 2014.
O artigo estipula que as federações filiadas devem implementar, tão depressa quanto possível, uma política eficaz destinada a erradicar o racismo e a discriminação do futebol e aplicar um quadro regulamentar que preveja que tal comportamento seja rigorosamente punido com suspensões graves a jogadores e dirigentes, bem como o parcial ou total encerramento do estádio se os torcedores se envolverem em comportamentos racistas.
Na reunião de Turim, em Maio deste ano, o Comitê Executivo da UEFA, preocupado com os contínuos incidentes racistas nas partidas de futebol, enfatizou a necessidade de serem impostas sanções rigorosas. "É inaceitável para qualquer um ser alvo de insultos racistas ou ser maltratado dentro de um estádio e não podemos tolerá-lo", disse Platini, apelando à aplicação das políticas de tolerância zero contra todas as formas de discriminação, bem como a adoção das linhas orientadoras da UEFA de sancionar todos os culpados.
“Na UEFA, estamos comprometidos em fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para assegurar que a diversidade seja respeitada no mundo do futebol”, afirmou Platini antes da conferência em Roma. “O desporto deve abraçar toda a gente, independentemente da cor, religião, orientação sexual ou política. Espero que esta conferência, organizada com os nossos parceiros, estimule os líderes do futebol, treinadores, jogadores e o público a trabalharem em conjunto para por fim a todas as formas de discriminação.”
Desde 2001, a UEFA tem trabalhado em conjunto com a rede FARE, que abrange os grupos e organismos a trabalhar contra a intolerância e a discriminação em todo o continente. Os dois organismos reúnem nos meses de Outubro para fornecer uma plataforma para a campanha anti-racismo nos jogos da UEFA Champions League e da UEFA Europa League como parte das Semanas de Acção da FARE pan-europeias. A campanha está igualmente a ser destacada no decorrer dos jogos de qualificação do UEFA EURO 2016. A rede FARE está também a realizar atividades de monitorização nos jogos de qualificação do UEFA EURO 2016, bem como em desafios das competições europeias.
Piara Powar, Diretor Executivo da FARE, revelou: "Estamos encantados por estar a trabalhar com a UEFA na Conferência Diversidade e Respeito de 2014. O evento vai juntar as 54 federações-membro da UEFA e da rede FARE para analisar coletivamente os desafios que enfrentamos em relação à discriminação e exclusão, bem como definir as melhores práticas. Vai influenciar muitas federações e ONG no seu trabalho futuro, assegurando que tenhamos um desporto que faça da inclusão e da igualdade uma prática fundamental."
Tony Higgins, vice-presidente da Divisão da Europa da FIFPro, afirmou: "A FIFPro está satisfeita por trazer a voz dos jogadores para este debate na Conferência Diversidade e Respeito. Os profissionais de futebol de todo o mundo estão numa posição única para ajudar a formar e a inspirar a sociedade a aceitar a diversidade e o respeito por todas as culturas."
Fonte: Uefa.com

Raio-X da arbitragem

Sábado no Maracanã
André Luiz de Freitas Castro (ESP/GO), fez uma arbitragem primorosa no jogo de maior público do Campeonato Brasileiro este ano, Flamengo 0 x 1 Grêmio. Aliás, seria de bom alvitre que a CA/CBF desse sequencia na rodada seguinte, escalando o árbitro e os assistentes quando estes realizam um trabalho de alto nível, como no caso de André Castro e os assistentes Cristhian Passos Sorence e João Patricio de Araujo.

Sábado no Pacaembu
Gostei da evolução técnica, tática, física, psicológica  exibida por Felipe Gomes da Silva (Asp/Fifa/RJ), na condução de Santos 3 x 1 Vitória. As cento e noventa e três tomadas de decisões foram em consonância com as Regras de Futebol. Lembro que Gomes da Silva é carioca, funcionário público federal em Foz do Iguaçu (PR). E como segundo lembrete, Felipe Gomes obteve o escudo de (Aspirante/Fifa) no Rio de Janeiro e é o único árbitro da Federação Paranaense de Futebol na nossa opinião, que reúne as condições necessárias para dirigir um prélio de envergadura da Série (A) do Campeonato Brasileiro.
Sábado na Arena Condá/Chapecó
Impossível emitir um juízo de valor com substância sobre o desempenho da arbitragem, num gramado que sofreu um diluvio antes e durante o transcurso de Chapecoense x Goiás. Mesmo com essa intempérie, o árbitro e professor de educação física, Paulo Schleich Vollkopf (CBF-1/MS), 29 anos, conseguiu um brilhante desempenho. Nos corredores da CBF na semana que passou, comentou-se de que Paulo Vollkopf e Anderson Daronco, dentro de no máximo dois anos serão os melhores apitos do futebol brasileiro. 
Fluminense x Cruzeiro (1)
Quando um atleta exceder na força empregada(uso de força excessiva) - correndo o risco de lesionar seu adversário na disputa da bola, esse jogador deverá ser expulso (cartão vermelho). Além disso, se a jogada acontecer fora dos limites da área penal, o árbitro assinalará tiro livre direto contra a equipe do infrator. Se for dentro da área de pênalti, marcará penalidade máxima.
Fluminense x Cruzeiro (2)
Portanto, Anderson Daronco (Asp/Fifa/RS),o árbitro de Fluminense 3 x 3 Cruzeiro, agiu corretamente na marcação do penal quando Cícero do Tricolor das Laranjeiras, atingiu a cabeça de Samudio do Cruzeiro com o pé dentro da área de pênalti. Porém, errou no quesito disciplinar quando aplicou o cartão amarelo. A Regra XII – Faltas e incorreções classifica esse tipo de infração como  utilização de força excessiva e, por conseguinte, o cartão que deverá ser exibido ao infrator é o vermelho.
Fluminense x Cruzeiro (3) 
Como trata-se de um apito promissor que tem demonstrado alto potencial de crescimento, acredito que é momento de a Comissão de Arbitragem da CBF, designar um profissional qualificado, objetivando acompanhar, orientar e aprimorar os conhecimentos do indigitado árbitro no que concerne as regras, e gradativamente eliminar as deficiências por ora apresentadas.
Na Fonte Nova (1)
A Regra V (O árbitro), está preceituado que o juiz somente poderá modificar uma decisão se perceber que a mesma é incorreta ou, a seu critério, conforme uma indicação do assistente, do quarto árbitro e desde a implementação dos (AAA)árbitros assistentes adicionais, sempre que ainda não tiver reiniciado o jogo ou encerrado a partida.
Na fonte Nova (2)
No confronto Bahia 0 x 0 Coritiba, o árbitro Francisco Carlos Nascimento (foto/Fifa/AL), agiu de acordo com a regra, ao voltar atrás na marcação do penal que não existiu em desfavor do Bahia.
A infração ocorreu fora da área, mas, o atleta Zé Love do Coritiba, no contato físico com o defensor da equipe da terra de todos os santos, projetou-se e caiu dentro da área penal. Embora estivesse na posição diagonal e com o lance dentro do seu campo visual, Nascimento erroneamente assinalou pênalti contra o Bahia. Posteriormente, ao ser alertado pelo quarto árbitro do descalabro que havia perpetrado corrigiu a lambança.
Vamos ao Oftalmologista 
Resta a CA/CBF ouvir do nominado apitador, as razões que o levaram a apitar o penal que não existiu e os motivos de tamanha demora em reconhecer a marcação errada e, por último,como é reincidente neste tipo de lance, para o bem do próprio árbitro, da Comissão de Arbitragem e do futebol brasileiro, submetê-lo a um rigoroso exame oftalmológico.
Na Arena da Baixada
Leandro Pedro Vuaden (Fifa/RS), após um longo hiato optou em comandar Atlético/PR 1 x 1 Palmeiras/SP, como nos primórdios da sua carreira. Deixou o jogo fluir e só interferiu quando foi necessário cumprir as regras e, especialmente, do seu espírito precípuo que é punir o infrator. Excelente arbitragem.

PS: Como não vi na íntegra os demais jogos do Brasileirão da Série (A), limito-me ao acima exposto, mas, pelo que observei nos programas esportivos da TV, com exceção do “fiasco” na Fonte Nova, a última rodada do primeiro turno teve belas arbitragens.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Árbitro brasileiro está "balançando" feio


  • A punição imposta pelo (STJD) Superior Tribunal de Justiça Desportiva, ao quarteto de arbitragem Wilton Pereira Sampaio (Fifa/GO) e os assistentes Kleber Lucio Gil (Fifa/SC) e Carlos Berkenbroc (Especial/1/SC) e o quarto árbitro Ricardo Goulart (CBF-1/RS), deve ser assimilada pela confraria do apito brasileiro que labuta nas competições da CBF como pedagógica.
  • Os árbitros mencionados, dirigiram o prélio Grêmio/RS 0 x 2 Santos/SP, pela Copa do Brasil, no Olímpico, em Porto Alegre, no último dia (4) do mês em curso. Neste local, lamentavelmente aconteceram agressões racistas ao goleiro Aranha, da equipe do Santos FC.
  • Tenho observado no quarteto e até mesmo no sexteto de arbitragem que atuam nos torneios da CBF, a ausência de planejamento e trabalho em equipe. Se adotada as medidas em tela acredito que muitos incidentes, como o acontecido no Olímpico podem ser evitados.
  • Outra situação que vem acontecendo desde o início do Campeonato Brasileiro deste ano, é a omissão e conivência vergonhosa dos homens do preto com a indisciplina.
  • Omissão e conivência que tem início a partir do momento em que a bola rola e como local preferencial a área técnica É lá ficam postados os técnicos das esquadras. Ali, os treinadores estão “deitando” e “rolando”. É um festival de esbravejamentos, de xingamentos, de gestos agressivos contra a arbitragem como nunca se viu.
  • Além do exposto, quando advertidos verbalmente e estão próximos do quarto árbitro, os treinadores “batem de frente”. Alguns seguram na mão e dão de dedo em riste na direção da face do  árbitro reserva. Não satisfeitos colocam em dúvida as marcações dos assistentes e, por consequência, do árbitro.
  • O quarto árbitro que deveria tomar posição de acordo com o preceituado nas Regras de Futebol e tem poderes para agir em relação aos atos de indisciplina, já que é designado para auxiliar o árbitro nas tarefas fora do campo de jogo, ao invés de tomar medidas efetivas para solucionar os atos impróprios, cala-se de maneira pusilânime.
  • Não obstante o exposto acima, ao término do primeiro tempo dos confrontos do Brasileirão na Série A, “insatisfeitos” com as tomadas de decisões da arbitragem, um grupo de quatro a cinco atletas se dirigem até a linha do meio de campo e estabelecem um “colóquio verbal” desrespeitoso com os juízes e bandeirinhas exibidos pela TV. Cena omissa e vergonhosa que na maioria das vezes se repete ao final da partida.
  • No semanário da Fifa, Joseph Blatter afirma que: “Os árbitros são os guardiões das Regras de Futebol”. Porém, a confraria da (Renaf_) - Relação Nacional de Árbitros de Futebol/CBF, que possuem poderes para aplicar cartão amarelo ou vermelho, antes do início, durante, no intervalo, após o término, na prorrogação e na cobrança dos tiros livres desde o ponto penal nas partidas, uma vez que o jogo permanece sob sua jurisdição, tem-se omitido vergonhosamente.
  • PS: Se houver alguma dúvida a respeito da narrativa dos atos de indisciplina que não foram observados pela arbitragem, basta ver o teipe na Série A de Palmeiras x Coritiba, Cruzeiro x Figueirense, Grêmio x Santos, Corinthians x Fluminense, Palmeiras x São Paulo e Atlético/PR x América/RN.
  • PS (2): O lance que originou o segundo "pênalti"  e, por extensão, o segundo gol do Flamengo contra o Coritiba no Maracanã não aconteceu. A bola vai na direção da mão do atleta coritibano Norberto, que está com o braço colado ao corpo. Tocar a bola com a mão de maneira deliberada segundo a Fifa, implica no movimento da mão do jogador na direção da bola. 

COAF realiza encontro para divulgar conteúdo do Curso Futuro III RAP-FIFA

A COAF-RJ realizou na noite da última terça-feira, dia 02, em sua sala de treinamento, o encontro entre os árbitros e árbitros assistentes que estiveram presentes no CURSO FUTURO III RAP-FIFA promovido pela CA-CBF no período de 25/08 a 02/09 na Granja Comary e os instrutores nacionais e regionais da COAF-RJ.
Na oportunidade, além de conhecer, analisar e debater o conteúdo pragmático divulgado ao longo do curso foi repassado o material didático distribuído aos mesmos para produção de cópias para o acervo didático da Comissão:
"Como de hábito, faremos agora o papel de multiplicadores, ou seja, já na segunda-feira dia 19 de setembro, estaremos repassando o conteúdo para todos os árbitros e árbitros assistentes da Relação Nacional de Árbitros (RENAF), bem como, daremos inicio ao ciclo de palestras para todos os módulos de arbitragem da COAF-RJ para a devida atualização dos mesmos", declarou Jorge Rabello, Presidente da COAF.


Agência FERJ
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Úrsula Nery/Agência FERJ

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Traumatismo craniano: Fifa e ligas suíças cooperam

Philippe Montandon (esq.) do F.C. Schaffhausen, e Xavier Margairaz, do F.C. Zurique, se chocam no ar durante uma partida em 12 de maio de 2007, em Zurique. (Keystone)

Philippe Montandon (esq.) do F.C. Schaffhausen, e Xavier Margairaz, do F.C. Zurique, se chocam no ar durante uma partida em 12 de maio de 2007, em Zurique.
(Keystone)

Após a série de graves lesões na cabeça ocorrida durante os jogos da última Copa do Mundo no Brasil, a Fifa, a entidade diretora do futebol mundial, refuta as acusações de não estar levando a sério a saúde dos jogadores. Recentemente ela lançou um estudo pioneiro na liga suíça. Christoph Kramer, Javier Mascherano e Pablo Zabalet: todos eles jogaram apesar de lesões cabeça, que os deixaram atordoados e confusos. Todavia, foi o traumatismo craniano sofrido por Álvaro Pereira da Seleção do Uruguai e atual atleta do São Paulo FC., que gerou críticas acentuadas em grande parte da mídia.
Pereira descreveu o acidente, quando o joelho de um jogador oponente atingiu a sua cabeça, foi como "se as luzes tivessem sido apagadas". Após discutir com o médico da equipe, ele recebeu a permissão de continuar a jogar. O incidente impeliu imediatamente a FIFPro (Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol), a clamar por novas medidas de proteção
Raymond Beaard, porta-voz da FIFPro, declara em relação ao ferimento de Kramer que o médico-chefe da organização ficou "chocado, para não dizer outra coisa" ao ver na repetição em vídeo o incidente. Sua conclusão foi a de que "claramente" o jogador não estava mais em condições de continuar participando da partida.
"Nossa crítica é por termos a impressão de nenhuma medida concreta ter sido tomada no momento para proteger a saúde do jogador", afirma Beaard.
"No passado as pessoas iriam aplaudir se um jogador com uma lesão na cabeça retornasse ao gramado usando uma bandagem. Mas o futebol mudou dramaticamente nos últimos vinte a trinta anos: ele se tornou mais rápido e mais físico, o que faz com que o impacto de uma colisão seja muito mais intenso do que antigamente. Ao mesmo tempo, a medicina evoluiu. Agora sabemos mais das consequências das lesões na cabeça e sobre o traumatismo craniano, além dos riscos envolvidos."

Críticas "não apropriadas"

Todavia, a Fifa refuta as críticas de estar considerando trivial a questão da saúde dos jogadores. "É muito difícil fazer um diagnóstico a partir de imagens de televisão, o que pode ser enganoso", responde Jiri Dvorak, médico-chefe da Fifa e consultor sênior na Clínica Schulthess, baseada em Zurique.
"Pegue o exemplo do Christoph Kramer. Quando um acidente ocorre, obviamente os espectadores já haviam assistido pela televisão. Porém o árbitro e os médicos não podem vê-lo quando correm ao jogador, que normalmente os assegura que está tudo em ordem", afirma.
"A equipe de médicos da seleção alemã é muito experimentada e o quadro de Kramer não apresentava nenhum sintoma ou sinais. Assim ele foi autorizado a continuar jogando. Porém, dez minutos depois, ele percebeu que alguns sintomas estavam aparecendo, o que não é algo incomum nesse espaço de tempo. Assim pediu para procurar os médicos."
Seria a crítica injusta? "A Fifa tem vinte anos de experiência na realização de estudos, para ver o que pode ser feito para tornar o jogo mais saudável e promovê-lo como uma atividade saudável de lazer. Eu não utilizaria a palavra 'injusta', mas diria muito mais 'inapropriada'."
Dvorak assegura, ao mesmo tempo, que a Fifa leva "extremamente a sério" a questão de lesões na cabeça, apontando extensos estudos realizados entre 2001 e 2005. Nele foram analisados casos de colisões cabeça contra cabeça, cabeça contra bola e cabeça contra cotovelo.
Em 2006, esses estudos levaram à introdução de uma nova regra: jogadores que tenham batido deliberadamente com seus cotovelos na cabeça de um oponente devem ser expulsos. Segundo a Fifa, essa regra teria cortado pela metade o número de graves ferimentos na cabeça no âmbito de jogos de futebol.

Estudo suíço

De fato, o futebol envolve mais o uso da cabeça do que sugere seu nome original (do inglês foot, pé; e ball, bola): de acordo com a Fifa 13% de todas as lesões ocorridas em Copas do Mundo envolvem a cabeça e o pescoço, com cerca de uma em cada sete lesões resultando em traumatismo craniano.
Um documentário de 2012, intitulado "Head Games: a crise global do traumatismo craniano", examinou os efeitos de traumatismos repetidos, particularmente no esporte. Ele focava o futebol americano, hóquei no gelo, mas também o futebol, boxe, lacrosse e luta.
Assim como a prevenção, também é crucial determinar o tratamento mais apropriado para os atletas de futebol após uma lesão na cabeça. Com isso em mente, pesquisadores do Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Zurique e da Clínica Schulthess lançaram um projeto colaborativo com a Fifa.
O projeto suíço de traumatismo craniano envolve todos os jogadores masculinos e femininos nas principais ligas da Suíça da temporada de 2014/15. Cada liga tem dez equipes, com aproximadamente 520 jogadores sendo avaliados, no total.
"Eles terão exames básicos do seu sistema neurológico, incluindo equilíbrio, coordenação, movimentos dos olhos e desempenho neuropsicológico", explica Nina Feddermann-Demont, chefe do projeto.
"No caso de um ferimento na cabeça, faremos teste de seguimento. As diferenças os resultados básicos e os resultados após o ferimento são fundamentais para determinar o quão rápido os jogadores podem retornar aos treinos e jogar. A disponibilidade dos dados básicos é crucial para determinar o impacto da lesão na cabeça, pois a maior parte das funções neurológicas - como o tempo de reação, velocidade e equilíbrio - diferem de jogadores para jogadores", diz.
"Temos um hotline que funciona todos os dias, 24 horas por dia, para a equipe de médicos. Para nós é essencial trabalhar de forma estreita com eles. Afinal, eles são as pessoas fora do campo e conhecem os jogadores. Normalmente eles nos telefonam ou enviam um e-mail quando ocorre uma lesão na cabeça. Então nós oferecemos testes de seguimento, que incluem a repetição dos testes básico no espaço de 72 horas."

Pôr fim à caça às bruxas

Outro problema potencial é a disseminação de ações populares como as que atualmente pairam sobre o futebol americano e a National Football League (em português: Liga Nacional de Futebol Americano; abreviação oficial: NFL).
Mais de 4.500 ex-jogadores ou seus familiares moveram uma ação de 765 milhões de dólares devido aos casos de traumatismo craniano.
Porém, em janeiro, um juiz federal negou um acordo, temendo que o valor não seja suficiente para cobrir a demanda de 20 mil jogadores aposentados.
Por sua parte, Raymond Beaard afirma que a FIFPro não está pensando em medidas legais. "Estamos apenas falando sobre a saúde dos jogadores. Essa é uma questão que necessita ser resolvida sem a ameaça de processos, pois a saúde dos jogadores deve ser a prioridade número um, nada mais do que isso."
O que vai resultar do estudo suíço ou das reivindicações da FIFPro não se sabe, mas Beaard afirma esperar que os eventos ocorridos no Brasil não se repitam na Copa do Mundo de 2018 na Rússia.
"Não é que a gente esteja fazendo uma caça às bruxas: a única coisa que queremos é poder assistir um jogo de futebol sem temer que um jogador vá cair e não se levantar mais, ou sofrerá lesões de grande duração como resultado de um erro como ele, ou ela, serão tratados."
Fonte:  http://www.swissinfo.ch

 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Um tema que nunca será absoluto nos acertos

Na última etapa que versa sobre as reprovações vergonhosas dos árbitros e assistentes brasileiros, pertencentes ao quadro da Fifa e da Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf), desde 2010, nos testes físicos, quero abordar a cooptação das associações de árbitros.
Essas entidades com raríssimas exceções, ao invés de exercerem a sua missão precípua de defender a categoria dos homens de preto e elaborar projetos visando o crescimento qualitativo da arbitragem, foram anexadas pelas federações estaduais e, por consequência, pelo comando das comissões de arbitragem das federações, em troca de prebendas e sinecuras. Na verdade foram transformadas numa extensão das federações e das comissões. A partir do momento em que foram cooptadas, caíram na vala comum e estão conduzindo a passos gigantescos o árbitro do futebol pentacampeão do mundo à deriva.
Nos vários contatos que fiz do Oiapoque ao Chuí, constatei que em alguns Estados há duas e até três entidades de classe que brigam tal qual hiena por carne podre para representar o quadro de arbitragem local. Diante da luta fratricida que travam entre si, ninguém ganha, pelo contrário, todos perdem.
Com a aprovação do Decreto Lei nº 12.867, de outubro/2013, que reconheceu a atividade do árbitro de futebol no Brasil como profissional, as associações de árbitros perderam a razão de existir. A determinação do ministério do Trabalho e Emprego aos Tribunais Regionais do Trabalho, é no sentido de sequer receber as associações, já que, em Brasília elas não tem assento. A não ser que a associação esteja com a documentação em trâmite para transformá-la em sindicato.  
Mas o pior é que são as associações em conjunto com as comissões de arbitragem que formam os apitos e bandeirinhas, escalam e indicam os árbitros e assistentes para o teste teórico e físico para a (Renaf). Na maioria das indicações são juízes e bandeiras malformados, que a partir do momento que são designados nas competições da (CBF), expõe a mediocridade, os vícios dos campeonatos regionais, a inaptidão para o teste físico e, por conseguinte, a indigência qualitativa nas tomadas de decisões no campo de jogo.
Diante do exposto, se há um mínimo de vontade do futuro presidente da (CBF) Dr. Marco Polo Del Nero, em mudar alguma coisa na arbitragem brasileira, sugiro que sejam convidados para um colóquio verbal na sede da entidade que comanda o futebol brasileiro, o quinteto composto por Marco Antonio Martins, Salmo Valentin, Roberto Braatz, Ciro Camargo e Arthur Alves Júnior, ex-árbitros e membros da direção da (Anaf) Associação Nacional de Árbitros de Futebol.

PS (1): Na Inglaterra a arbitragem alcançou o grau de credibilidade de excelência e é considerada modelo em toda a Europa, porque foi entregue a Professional Game Match Officials, que é comandada pelo ex-árbitro Mike Riley e outros apitos de expressão internacional como Howard Webb. É esta empresa que forma, acompanha, orienta, requalifica, escala e estabelece o Ranking dos árbitros que atuam nas quatro divisões da Premier League.
PS (2): Apesar do conteúdo que é aludido neste comentário, a verdade aceitável é que a arbitragem nunca será absoluta pelo que se significa o futebol na sua amplitude. Entendemos que somente dando-se ao tema do apito um teor didático universitário é que se poderá atenuar o problema, sem que isso jamais venha de produzir “deuses do apito”. Concluindo: o homem erra porque é humano. E é impossível colocar um robô em campo para dirigir uma partida de futebol tão repleta de inovações em seu decurso.