sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Arbitragem profissional é uma falácia


Em entrevista concedida ao sítio Globo.com, o diretor da CA/CBF Sérgio Corrêa da Silva, afirma que apesar da Lei Nº 12.867/2013 ter regulado a atividade do árbitro de futebol no Brasil como profissional, a aplicabilidade da lei em tela é inviável em função da atual conjuntura econômica, das leis que vigoram no País e outros senões que teriam que ser ajustados à realidade que vivemos. Concordo em gênero, número e grau com Sérgio Corrêa.

Faço coro a afirmação de Corrêa independente dos obstáculos por ele nominados, porque não há notícia de que a CBF, a Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf), sindicatos, Entidades de Prática Esportiva (clubes), ou outro segmento do futebol brasileiro em alguma oportunidade tenha desenvolvido um estudo de alto nível neste sentido. O que se falou e se fala sobre a profissionalização do homem de preto no Brasil, sempre teve “efeito traque.”

Como falar em profissionalização do árbitro no Brasil, se a CBF desrespeita de maneira reiterada há mais de uma década, a confraria do apito brasileiro, quando não cumpre com a determinação da Fifa de repassar na íntegra os valores financeiros das diferentes logomarcas exibidas nas mangas das camisas em benefício da Arbitragem?

Como pensar em arbitragem profissional no Brasil, se a CBF a partir deste ano passou a “explorar” mais uma publicidade nas costas dos membros da Relação Nacional de Árbitros (Renaf), que atuam nas suas competições sem lhes repassar um único centavo?

É impossível imaginar uma arbitragem com profissionalismo e credibilidade, quando a CBF designa como assessores e delegados de arbitragem nas suas competições, integrantes das associações e sindicatos de árbitros por indicação dos presidentes das federações de futebol. 

O “status quo” anacrônico que comanda o futebol pentacampeão a partir das federações, a CBF e os sindicalistas que representam a categoria, além de não demonstrarem o menor interesse em mudar o quadro vigente ao longo dos anos, sempre lutaram desbragadamente para manter tudo como está. Ou seja, o árbitro que labora no futebol brasileiro sempre foi, é e será tratado como objeto descartável ou mercadoria de troca entre os mandachuvas do nosso futebol. 

Talvez daqui há cem anos, quando a maioria de nós já estivermos noutra vida, aqueles que aqui estiverem possam vivenciar uma transformação em todos os setores do futebol brasileiro, sobretudo, no setor da arbitragem.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

MLS prepara-se para testar o sistema vídeo-árbitro


Jeff Agoos apoia o uso da tecnologia no futebol
A MLS (eua) prepara-se para implementar, em caráter experimental, o sistema de vídeo-árbitro. De acordo com o jornal inglês "The Times", o objetivo passa por testar a tecnologia em 10 a 15 jogos não oficiais, disputados no final de outubro, em três áreas: gols, grandes penalidades e cartões vermelhos.

O vice-presidente da liga americana, Jeff Agoos (foto), afirma que "a MLS é um incentivador de toda tecnologia que ajude a melhorar o jogo, sem que esta interrompa o natural desenrolar do encontro".

"Os nossos estudos indicam que, dependendo do incidente em questão, existem de 40 segundos a um minuto para o árbitro poder consultar o vídeo. É tempo suficiente para poder tomar uma decisão", disse Agoos ao The Times.

A introdução do vídeo-árbitro no futebol tem sido um tópico recorrente durante as últimas épocas, justificando-se, de acordo com Jeff Agoos, com "a necessidade de o árbitro ter tanta ou até mais informação do que um qualquer adepto que vá ao estádio, que pode ver logo o lance no telemóvel".

"Não estamos à procura da perfeição, não existe. Há sempre um elemento humano envolvido. No entanto, o jogo está de tal forma rápido que é impossível que os árbitros o consigam acompanhar", concluiu o vice-presidente da MLS.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O substitutivo é “defeituoso”



Há mais de uma década a CBF explora propaganda nas mangas das camisas da arbitragem
A nova inserção da Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf) e do interlocutor político escolhido pela entidade, o deputado Evandro Rogério Romam (PSD/PR), no sentido de pleitear 0,5% via um substitutivo como direito de arena à confraria do apito brasileiro, contém ingredientes que poderão causar uma longa batalha judicial se levado em frente da forma como foi formatado. A opinião é de juristas ouvidos a respeito do tema por este colunista.

O direito de arena é o valor que as entidades envolvidas na realização dos jogos, como equipes, associações e federações, recebem pelas transmissões e direitos audiovisuais das competições. Segundo a Lei Pelé (Lei Nº 9.615/98), os atletas têm direito a um mínimo de 5% do total do valor negociado.
Por que sindicalistas e o deputado Romam não reivindicam os valores financeiros da logomarca das mangas das camisas à arbitragem como determina a Fifa?    
O caminho inicial adotado para viabilizar o benefício à arbitragem pela Anaf e Romam, a partir da Comissão de Esportes e, posteriormente, a Comissão de Constituição e Justiça de Cidadania, é visto como corretíssimo. Porém, a proposta deixa alguns espaços jurídicos que serão questionados como por exemplo, de onde sairá o percentual de 0,5% aos árbitros. Se não for trabalhado juridicamente, politicamente e aprovado na lei a fonte que vai bancar o valor em tela, vai dar “chabu outra vez.
    Os patrocínios rendem milhões de reais à CBF, já os apitos e bandeiras "chupam os dedos"
Pergunto: A TV irá bancar o valor de 0,5%, quando é sabido que têm contrato com os clubes e a CBF até 2020? As Entidades de Prática Esportiva (ou clubes), que já receberam adiantamento da televisão segundo se comenta até o final de 2016, e nunca cederam um milímetro aos homens de preto, irão concordar que a fatia de 0,5% saia do seu bolo financeiro? A CBF que “explora” com a omissão dos sindicalistas do apito, três logomarcas nos uniformes dos árbitros há mais de uma década, sem nunca ter repassado um centavo à categoria vai arcar com o 0,5%? Aqui está o imbróglio, o resto é lero-lero.

PS: Por quê as entidades de classe que representam a confraria dos apitos brasileiros não reivindicam pelos menos parte dos milhões de reais, que a CBF arrecada anualmente com a propaganda estampada nas mangas das camisas e nas costas dos homens de preto que laboram no Campeonato Brasileiro, nas Séries (A, B, C, D, Copa do Brasil, Sub-17, Sub-20 e a Copa do Brasil?). É por temor de represálias, por desconhecimento do tema, ou tem alguém recebendo algum valor em nome da arbitragem?

domingo, 11 de outubro de 2015

Arbitragem: Modelo atual fracassou

Na última Copa do Mundo realizada em solo brasileiro, a Fifa realizou um minucioso processo pré-seletivo com os homens do apito como nunca havia realizado em se tratando de um Mundial. A entidade que controla o futebol no planeta usou a premissa de que quanto melhor preparado o árbitro, suas tomadas de decisões terão um índice maior de acertos e, por conseguinte, um menor número de erros.

Árbitros e bandeiras pré-selecionados, foram submetidos dois anos antes do início da Copa, a exames com especialistas de alto nível na área de hematologia, cardiologia, neurologia, fisiologia, psicologia, tecnologia na linha do gol, educação física e testes físicos que retratam fidedignamente os movimentos dos profissionais do apito e da bandeira no campo de jogo durante o transcorrer de uma partida.

Além disso, foram efetivados uma gama de testes teóricos como provas em inglês sobre as regras, centenas de vídeos exibidos de jogadas selecionadas em distintas partes do campo envolvendo atletas e a arbitragem e atividades práticas. Com todo o aparato mencionado e com o que de melhor no apito entendeu a Fifa, num torneio de curta duração como é o Mundial, algumas decisões dos homens de preto deram “chabu”.

O Campeonato Brasileiro da Série (A) é a “jóia da coroa” da CBF e sua duração ultrapassa a casa dos oito meses. Portanto, guardada as devidas proporções, não é aceitável em hipótese alguma que a entidade que gere além da Série (A), as Séries (B, C, D, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, Sub-17, Sub-20 e nos próximos meses a Copa Sul/Minas/Rio) - circunscreva os testes teóricos, práticos, psicológicos, físicos e dois testes da Conmebol à um grupo restrito de juízes e bandeiras como vem acontecendo sistematicamente. Esta prática está ultrapassada.

Explico: A CA/CBF realiza quatro cursos anuais à um contingente, repito, restrito da Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf). Geralmente participam desses seminários, árbitros e assistentes da Fifa, alguns promissores e esporadicamente um ou outro apito do Ranking da entidade. Também é realizado nos Estados onde há membros da Renaf, um teste teórico e físico anualmente.

São suficientes as ferramentas acima disponibilizadas pela CBF para a arbitragem brasileira desenvolver um trabalho de excelência? Não! A evolução do futebol que foi transformado num grande negócio, acoplada a profissionalização dos atletas nas duas últimas décadas - e a ausência de investimentos financeiros e a precária formação do árbitro a partir da base, ou seja, das federações de futebol - e a maneira como os cursos de capacitação continuada que faz a CBF à arbitragem e a magnitude do Campeonato Brasileiro, exigem uma mudança significativa da instituição no setor do apito.

O primeiro passo na direção de um novo paradigma de arbitragem do futebol pentacampeão, deveria começar com a contratação de um órgão comprovadamente de excelência e independente como a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Instituição reconhecida no Brasil e no exterior dado os profissionais que compõe o seu quadro de funcionários.
 
A (FGV) elaboraria um projeto que contemple uma reformulação total e irrestrita na CA/CBF. Na Escola Nacional de Árbitros de Futebol (Enaf). No quadro de assessores e delegados de arbitragem da CBF, hoje “viciado” com a presença “nefasta” de sindicalistas e pessoas que nunca apitaram uma partida de futebol de pelada - e uma nova Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf), que atenda a meritocracia e extermine a "políticalha".

Projeto que deveria traçar um programa de requalificação trimestral do quadro de árbitros da CBF, contemplando todos os pilares - (técnico, tático, psicológico e físico). Aliás, o pilar físico, tornou-se um “drama” a ser suplantado pela arbitragem brasileira. Em todas as ocasiões que apitos e assistentes da CBF/FIFA foram submetidos ao teste em tela sob os olhares “imutáveis” dos instrutores da Conmebol ou da Fifa, houve reprovação. A prova cabal foi o “fiasco” proporcionado pelos três apitos indicados pela CBF ao Mundial no Brasil, com a reprovação de todos no teste físico.

No projeto deveria constar que cada estado deveria ter um instrutor sem vinculação com as federações, nomeado pela CBF para acompanhar, ministrar, desenvolver e dirimir dúvidas sobre lances de alta complexidade que porventura viesse a arbitragem se envolver. O instrutor deveria manter os árbitros e assistentes do quadro nacional e aqueles considerados promissores, atualizados com as regras e as diretrizes da CBF e da Fifa.

PS: Resta saber se há vontade da CBF em mudar o modelo de arbitragem existente que está ultrapassado, bem como implementar um novo que contemple as propostas acima e outras que a entidade entender. Pois do contrário, o trabalho do árbitro que labora nas competições da entidade que gere o futebol pentacampeão, continuará sendo deficitário e a credibilidade das suas tomadas de decisões colocadas sob suspeita a cada equívoco. 

PS (2):Porque para os problemas difíceis que enfrenta a arbitragem na atualidade não há soluções fáceis. Se houvessem, já estariam resolvidos. Portanto, implementar medidas parciais podem acomodar e adiar os transtornos momentaneamente, mas não os equacionam e podem até aumentá-los.

PS (3): “No dia 11 de outubro de 2013, portanto a dois  anos atrás, foi promulgada a Lei Nº 12.867, que regulou a atividade do árbitro de futebol no Brasil, tornando-o profissional. Desde então, todas as medidas anunciadas e levadas a efeito pelos “sindicalistas” à categoria, foram para o beleléu".   


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Confirmado: Blatter e Platini suspensos

© GETTY / MARTIN ROSE
Depois de várias contradições noticiosas, a Comissão de Ética da FIFA confirmou que os dois dirigentes estão impedidos de exercer qualquer atividade ligada ao futebol.

A suspensão tem a duração de 90 dias, aos quais poderão ser acrescidos por mais 45 dias, pelo que, pelo menos até final do ano, os presidentes da FIFA e da UEFA estão impedidos de lidar com o futebol.

Na base desta decisão está a investigação levada a cabo dentro da FIFA, na qual estão incluídas suspeitas sobre um suposto desfavorecimento do organismo por parte do seu presidente, que também teria pago, de forma ilícita, quase dois milhões de euros ao presidente da UEFA.

Além destes dois nomes, também Jérôme Valcke, antigo secretário geral da FIFA, foi atingido pela suspensão, ao passo que o ex-vice-Presidente Chung Mong-joon foi banido por seis anos, depois de irregularidades nas atribuições dos Mundiais de 2018 e 2022.
Fonte: http://www.zerozero.pt/news.php?id=162750
Texto por Luís Rocha Rodrigues

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Árbitros brasileiros realizaram curso na UEFA


Da esquerda para à direita, Danilo Maniz, Wagner Reway (árbitro) e Eduardo Cruz retornaram à Uefa
Três árbitros brasileiros participaram de um curso de consolidação na sede da UEFA, na Suíça, como parte de um intercâmbio entre CONMEBOL e UEFA. Eduardo Cruz, de Mato Grosso do Sul; Wagner Reway, de Mato Grosso e Danilo Manis, de São Paulo. O trio foi designado para apitar o jogo da segunda divisão da liga Suíça entre FC Aigle e FC Collex-Bossy.

O trabalho faz parte da programação do curso. Durante o intercâmbio os árbitros assistiram debates e realizaram treinos físicos e técnicos de meia intensidade. Além disso analisaram videos enviados pelos próprios participantes em etapas anteriores do curso.

Os assuntos abordados nos materiais foram localização, procedimentos para tomar a decisão correta, trabalho em equipe, deslocamento e linguagem corporal. Árbitros assistentes avaliaram temas como o trabalho em equipe (situações de dentro ou fora da área de pênalti, tocar na bola com a mão e infrações), posição adiantada, linguagem corporal, localização, concentração e manejo da bandeira.
Fonte: CBF


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Arbitragem: Falta gestão

A escalada interminável de erros de interpretação e aplicação das REGRAS DE FUTEBOL, acoplada a ausência de uma boa acuidade  visual, da falta de entendimento e discernimento, de agilidade, destreza e flexibilidade de raciocínio pela confraria do apito no Brasileirão, derruba por terra todo e qualquer argumento que vem sendo dito reiteradamente rodada após rodada pela CA/CBF, assessores e delegados de arbitragem. 

Aliás, as explicações estão "caindo no vazio", dada a seqüência sistêmica de erros dos homens que manejam o apito e as bandeiras. Enquanto prevalecem suspeitas de interferência externa nas decisões da arbitragem, o que se vê é que não existe nenhum mecanismo da CBF para minimizar os erros primários dos árbitros e bandeirinhas, que estão acontecendo em todos os jogos. 
Os erros perpetrados pelos árbitros e assistentes, “alguns crassos”, a cada partida passaram a ser o foco de todos os programas esportivos de forma negativa. Ressalte-se que a maioria dos erros cometidos pelos homens do apito e dos bandeiras, estão acontecendo em confrontos, cujo grau de dificuldades tem sido de pequena monta. Basta analisar o manual de regras nas págs. (137, 138 e 139 – classificação dos jogos quanto a dificuldade).

Na sexta-feira no Castelão, em São Luis, no prelio Sampaio Correa/MA 2 x 2 Botafogo/RJ, Série (B), três gols surgiram de lances irregulares. Um absurdo! Não vai acontecer nada. Nas próximas rodadas, o trio de árbitros deste jogo, formado por Rodrigo Raposo, Fabio Pereira e Jose Nascimento Júnior serão escalados novamente como se nada tivesse acontecido.

No sábado à noite no Morumbi, São Paulo//SP 1 x 0 Atlético/PR, O árbitro Igor Junio Benevenuto e o assistente Kleber Lucio Gil, deram “inestimável” contribuição no desrespeito as regras e ao contido na circular/orientação de 22/05/2015.

Benevenuto foi omisso e conivente com Paulo H. Ganso, que utilizou de força excessiva contra seu adversário, o meia Crysan do rubro-negro da Baixada (aplicando-lhe um “carrinho” por trás). Jogada maldosa (punível com expulsão, não cabe outra interpretação porque a disputa ocorreu apenas entre os dois jogadores e mais ninguém e aconteceu dentro do campo visual de observação do árbitro) - carrinho que alijou o atleta da equipe paranaense de continuar jogando. Crysan teve que ser retirado de maca porque não conseguiu se locomover.

Lucio Gil, assinalou impedimento numa jogada envolvendo o meia Rogério do Tricolor do Paulista, quando havia um defensor do Atlético, no mínimo a três metros a frente do atleta paulistano. Sabe o que vai acontecer? Nada, nas próximas partidas todos serão designados novamente e tudo continuará como “Dantes no quartel de Abrantes”.

Para fechar a tragédia da 29ª rodada da Serie (A) envolvendo os homens do apito e das bandeiras, Chapecoense/SC 5 x 1 Palmeiras. UM HORROR!, construído pelos artífices, Jailson Macedo Freitas, árbitro e Ivan Carlos Bohn, assistente. Dois lances de fácil interpretação e aplicação das regras. O primeiro na expulsão do atleta Egidio do Palmeiras. Egidio tocou exclusivamente na bola, porém, no contato físico que teve com o atacante Willian Barbio da equipe catarinense, este caiu ao solo.  Não aconteceu nada.

Serenados os ânimos após seis minutos de paralisação e “avisado” pelo quarto árbitro, que o defensor esmeraldino havia tocado apenas na bola, Jalison Freitas, voltou atrás como determina a Regra (5), pág. 32 que diz: “O árbitro somente poderá modificar uma decisão se perceber que a mesma é incorreta ou, a seu critério, conforme uma indicação de um assistente ou do quarto árbitro, sempre que ainda não tiver reiniciado o jogo ou terminado a partida”.

E, para corroborar a “quizumba” que solapa a arbitragem brasileira, até o excelente bandeira Bohn da Federação Paranaense de Futebol, talvez desligado momentaneamente do jogo na Arena Condá, inventou de apontar um impedimento que não existiu do mesmo W. Barbio.

Faltam nove rodadas para terminar o Campeonato Brasileiro - a “jóia da coroa” da CBF, e pouco ou nada se pode fazer para evitar a continuidade dos gravíssimos erros que estão sendo cometidos pela arbitragem. O caminho a ser trilhado pela CA/CBF, assessores, delegados de arbitragem e os homens de preto é o diálogo com troca de sugestões, discussões de lances na “zona negra” do campo de jogo sobretudo na (área penal) e muita concentração nos próximos jogos.

E, por derradeiro, que a CBF que vivencia dias difíceis em função dos inúmeros problemas de conhecimento da opinião pública, entenda de uma vez por todas, que a pré-temporada realizada pelas federações de futebol e os cursos ministrados pela CBF à arbitragem na Granja Comary, estão ultrapassados e há a imperiosa necessidade de se repensar e colocar em prática um novo modelo de gestão ao árbitro do futebol pentacampeão.  

PS: A circular de autoria da CA/CBF de maio de 2015, que vem sendo descumprida na Serie (A e B) pela arbitragem neste Brasileirão está neste link: http://www.cbf.com.br/arbitragem/comissao-oficios-circulares/orientacoes-para-temporada-2015-e-oficio-circular-026#.VhFs4exViko

    

domingo, 4 de outubro de 2015

'CHUPANDO OS DEDOS"

    Tanto Marin que já se foi e Del Nero, no comando do futebol brasileiro há vários anos, "esqueceram" de montar um projeto de excelência à arbitragem brasileira
No próximo domingo (11), a Lei Nº 12.867, de 11 de outubro de 2013, que regulou a atividade do árbitro de futebol no Brasil como profissional irá completar dois anos. Desde então, nenhum avanço significativo foi alcançado pela confraria do apito que labuta no futebol brasileiro. Pelo contrário: houve uma estagnação em todos os sentidos.

Nenhum sindicato de árbitros foi criado desde a assinatura da nominada lei pela Presidência da República, e a maioria dos oito sindicatos existentes está em situação irregular perante o ministério do Trabalho e Emprego. Se regularizados, os sindicatos em número de cinco, de acordo com a Constituição brasileira poderiam fundar a Federação Brasileira dos Árbitros de Futebol. Mas não houve e não há interesse.

Tanto é verdade, que a maioria esmagadora dos “representantes” da classe dos apitadores é composta de associações de árbitros. Associações que pela legislação vigente no Brasil não têm a Certidão de Registro Sindical (Carta Sindical) – e, por consequência, não têm direito a voto quando da eleição da futura Federação Brasileira dos Árbitros de Futebol. Atualmente, dada a proliferação de sindicatos em todo o País, as exigências aumentaram e o ministério do Trabalho estabeleceu uma ordem cronológica para a concessão da carta.

As vésperas de completar dois anos da profissionalização, as entidades que “representam” os juízes e bandeirinhas não buscaram a autonomia que a lei lhes confere para realizarem cursos de formação e capacitação da arbitragem. Acrescente-se ao exposto, que um contingente expressivo de dirigentes de associações e sindicatos em todo o território nacional, foram cooptados e transformados em “pelegos” pelas federações de futebol e a CBF. Cooptação que rende prebendas, sinecuras cargos e o escambau à esses dirigentes.

Dois anos depois de regulada a atividade do árbitro, a CBF numa demonstração inequívoca de desrespeito aos homens do apito e com a anuência explicita dos “líderes” sindicais, explora a logomarca de três multinacionais na indumentária dos juízes e bandeiras que atuam em todas as suas competições.

Exploração que tem analogia com a escravidão - já que a CBF fatura milhões de reais com as propagandas expostas na vestimenta da arbitragem, enquanto a arbitragem que tem a dificílima missão de decidir numa fração de segundos, inúmeras situações no campo de jogo, com o apito ou a bandeira estão “chupando os dedos”.

Passados dois anos da regulamentação da função do árbitro no País pentacampeão de futebol, o “profissional” do apito assistiu  “in loco” em 2015, o “fiasco” protagonizado pelas entidades de classe quando do pedido de direito de arena à categoria no Congresso Nacional -  que deu “chabu”. A Advogacia-Geral da União, recomendou o veto à presidente Dilma Rousseff, porque considerou a petição inconsistente juridicamente e os congressistas mantiveram o veto.

Em relação ao direito de arena era sabido que daria “chabu”. A lei neste caso não contempla o árbitro e o caminho seria um estudo jurídico de excelência, para posteriormente politicamente inserir nela os homens do apito.

Após dois anos de “vacas magras”, surge nova “cartada” das entidades de classe. Colheu-se a assinatura de duzentos e cinquenta membros da arbitragem, objetivando o direito de imagem ao árbitro de futebol. De acordo com especialistas ouvidos por este colunista sobre o tema, a forma como foi formatada a petição junto ao Poder Judiciário em Pernambuco, tem tudo para dar “chabu” novamente. Caso seja concedida a liminar, os especialistas afirmaram que ela não se sustenta em esferas superiores do Judiciário. O caminho correto para se conseguir o direito de imagem segundo os especialistas, é o mesmo do direito de arena.

E, por derradeiro, dois anos depois da profissionalização da arbitragem, nem as entidades de classe e muito menos a CBF, elaboraram um projeto com arcabouço que propicie àqueles que manejam o apito e a bandeira, personagens fundamentais para o desenvolvimento de um prélio de  futebol, mecanismos de ponta para melhorar as tomadas de decisões no campo de jogo. 

Pergunto: Quando é que os sindicatos que foram derrotados vertiginosamente em Brasília, no pleito do direito de arena e tem se mostrado omissos e coniventes na exploração das publicidades no uniforme dos árbitros, irão apresentar um projeto para alavancar a arbitragem brasileira?

PS: A Circular elaborada pela CA/CBF que vem sendo desrespeitada pela arbitragem rodada após rodada nas Séries (A e B) do Campeonato Brasileiro, e que deveria ser extinta para preservação das pessoas que compõe a comissão de Árbitros da CBF está neste link: http://www.cbf.com.br/arbitragem/comissao-oficios-circulares/orientacoes-para-temporada-2015-e-oficio-circular-026#.VhFs4exViko  

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dinheiro da arbitragem está muito além do Direito de Arena


Repasse do direito de imagem é importante, porém existem outras fontes de receita fora do debate

Marcelo de Lima Henrique em ação na vitória do São Paulo sobre o Flamengo por 2 a 1, pela 1ª rodada do Brasileirão 2015 (Foto: Getty Images)
Marcelo de Lima Henrique em ação na vitória do São Paulo sobre o Flamengo por 2 a 1, pela 1ª rodada do Brasileirão 2015 (Foto: Getty Images)
Nem sempre atuei exclusivamente na arbitragem de futebol. No início da carreira no mundo do apito, também fui bancário - empregado no Unibanco - e, nesta condição, militei e exerci o cargo de diretor de Esportes do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre. Mais recentemente, de 2006 a 2009, fui presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado do Rio Grande do Sul (Safergs).  
Nessas duas experiências, na direção do movimento sindical, procurei adotar um comportamento ético rigoroso nas relações com o patronato, qual seja, manter uma postura de distanciamento no que diz respeito a questões trabalhistas de natureza pessoal. Ou seja, tomei extremo cuidado – e fui feliz nesta providência - para evitar que o cargo de dirigente sindical desse origem, mesmo que involuntariamente, a vantagens de natureza pessoal, tanto na relação com os dirigentes do banco, como junto à Federação Gaúcha de Futebol. 
Na minha concepção, o dirigente quando no exercício do cargo deve manter distanciamento em assuntos que envolvam o patronato e a sua situação profissional. Neste aspecto, quando o interesse particular se une à prática sindical, está aberta a porta para pressões indesejáveis e quem sai perdendo é o trabalhador. Temos aí o que se convencionou chamar, entre os trabalhadores, de peleguismo. Não existe almoço grátis. 
A crítica que faço, trata-se, portanto, de manter a independência indispensável para poder representar com combatividade e destemor em defesa dos interesses maiores dos associados. 
Por esta razão é com desconforto e preocupação que vejo a atuação do presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), Marco Antonio Martins, (que tenho como uma pessoa honesta) como Delegado Especial ou Assessor indicado pela CBF em jogos realizados sob a chancela da entidade. 
Neste ano, ele já trabalhou em mais de 50% das rodadas da Série A do Campeonato Nacional, como delegado do jogo. Não é desejável que assim seja. Uma relação com esta proximidade, ainda mais sendo de caráter remuneratório, pode ensejar ilações que, mesmo não sendo verdadeiras, colocam uma sombra de dúvida sobre a autonomia da presidência da ANAF para negociar com a CBF. Repito, seria melhor para todos que não houvesse tal vínculo. 
Por fim, causa certo pasmo a ANAF não ter desenvolvido uma ação mais dura, enfática, junto a CBF, no sentido de cobrar da entidade maior do futebol brasileiro uma solução definitiva para a pendência sobre o Direito de Arena dos Árbitros. Argumentar que o insucesso se deve unicamente ao veto da presidente Dilma ou deixar que a Justiça resolva o assunto é uma forma de lavar as mãos, eximir-se do problema. E isto, definitivamente, não condiz com o momento singular da arbitragem brasileira. A categoria quer mais, preferencialmente na forma de atitudes efetivas, como participação nas cotas de patrocínio que a arbitragem estampa no Campeonato Brasileiro. 
Seria interessante, que a ANAF se pronunciasse sobre os patrocínios? Quem negocia? Quais os valores? Certamente os árbitros terão motivos para comemorar quando essas respostas chegarem. 

Balanço regular

Na terça-feira que passou (29), a CA/CBF reuniu seus membros na sede da entidade no Rio de Janeiro e apresentou um relatório resumido sobre as atividades da arbitragem na atual temporada até o presente momento.

O primeiro tópico abordado foi a Regra 11 – Impedimento. Acredito ser o “Off side” o ‘tendão de aquiles” do  árbitro assistente em qualquer partida de futebol, seja ela disputada em caráter amador, amistoso, profissional ou até mesmo em jogos beneficentes nos mais recônditos lugares do planeta.

Dada a precariedade da formação e a ausência da requalificação dos bandeiras a partir das federações, da CBF e a complexidade das inúmeras variantes que acontecem num confronto de futebol em relação ao impedimento, os resultados apresentados pelo vice-presidente da comissão, Nilson Monção, são excelentes.

Já em relação as tomadas de decisões do árbitro (central) a explicação deixou a desejar. A partir do momento que as equipes da Série (A) do Brasileirão, conseguiram um ajuste técnico e as partidas ganharam corpo, a escalada de erros vem se acentuando rodada após rodada. Além do exposto, ao invés de submeter os apitos que cometem equívocos “crassos” a requalificação - a CA/CBF numa atitude inusitada, vem “laureando” aqueles que deixam de cumprir as REGRAS DE FUTEBOL e o OFÍCIO/CIRCULAR DE 22/05/2015, com escalas senão na rodada subsequente, algumas rodadas depois. 

Aliás, a CIRCULAR nominada, elaborada pela própria CA/CBF deveria ser extinta para preservar as pessoas que compõe a comissão. Faço esta afirmação porque, o desprezo paulatino que vem sendo dispendido pelos árbitros e bandeiras à indigitada circular é no mínimo humilhante. Há quem afirme que a dita "CIRCULAR" está sendo transformada num autêntico "chorume"    
   
O segundo tópico dissecado foi o árbitro de vídeo (AV).  Falou a respeito do tema, Manoel Serapião, reconhecidamente uma das mais renomadas personagens da arbitragem Sul-americana. Mas é bom lembrar que a Fifa e o International Board (IFAB), quando recebem propostas ou sugestões de experiências para provável modificação nas Regras de Futebol, exigem de quem apresenta a proposição, um estudo teórico de alto nível, idem na prática e, por conseguinte, eficácia de alta propulsão.

O que foi divulgado até o momento sobre o assunto pela CBF é um estudo teórico. Diferentemente da Federação Holandesa de Futebol (KNVB) – que está desenvolvendo prática similar há mais tempo que contempla teoria, praticidade e eficácia. Resta aguardar a decisão do (IFAB).

Foi designado para detalhar a Estrutura da Arbitragem da CBF, Edson Resende, que elencou o arsenal disponível que a instituição disponibiliza para incrementar as decisões da arbitragem nas diferentes situações num prélio de futebol. Resende nominou a Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (Enaf) - que na nossa opinião, está demasiadamente circunscrita ao eixo Rio/São Paulo. Se expandir o seu raio de ação, não tenho dúvidas que a qualidade da arbitragem brasileira tende a sofrer um incremento.

Quanto aos assessores e delegados de arbitragem há que se fazer uma reformulação total no quadro - pois está clarividente a incompatibilidade, a falta de ética e a ausência total de imparcialidade das avaliações dos homens de preto, quando a CBF designa para o mister, dirigentes das associações e sindicatos de árbitros. Esta situação “vergonhosa” só existe no futebol brasileiro.

Já em relação ao número de pessoas envolvidas no trato com a arbitragem, Resende afirmou que são (14) pessoas para gerir o setor. Penso que em função da quantidade de competições da CBF e do contingente expressivo de árbitros, há necessidade de um reforço humano para substanciar melhor a CA/CBF.

Alício Pena Júnior, discorreu sobre os investimentos que a CBF vem realizando no sentido de propiciar à arbitragem brasileira melhores condições no desempenho do seu labor. São quatro cursos durante o ano para um grupo circunscrito de árbitros e dois seminários na Conmebol.

Isto é filigrana diante do desenvolvimento extraordinário que atingiu o futebol dentro das quatro linhas, que é o que interessa à confraria do apito. A América do Sul vivencia uma decadência em vários aspectos do futebol, principalmente na arbitragem.

Decadência que foi exposta pelos árbitros Enrique Osses (Fifa/Chile) e Wagner Reway (Asp/Fifa/Brasil) - quando da participação de ambos em recente Seminário de Arbitragem na Uefa.

Quem leu as entrevistas dos apitos em tela aqui neste espaço, observou que a preparação que a Uefa realiza com os juízes e bandeiras e tem sequência nas federações de onde os árbitros são originários, e a interação que há entre todos os homens de preto durante toda a temporada europeia, notou que é infinitamente diferente da praticada na América do Sul.

A psicóloga Marta Magalhães nominou o bem-estar dos homens do apito.  Entendo que a CBF pelo fato de ter uma profissional que me passou a impressão de ser de excelência na área de psicologia, deve trabalhar árbitros e assistentes useiros e vezeiros em erros neste Brasileirão. Um colóquio verbal com a Drª Marta, poderia detectar junto ao intelecto dos árbitros, quais são os motivos que estão propiciando tamanha escalada de erros crassos e causando enormes prejuízos ao futebol.

Na preparação física, Dionisio Domingos afirmou que a partir de 2010, os índices dos apitos e assistentes vem melhorando gradativamente. Não é o que vem acontecendo – o pilar físico é um problema crônico que afeta a arbitragem há muito tempo. Os árbitros e assistentes da CBF, em todos os testes físicos realizados sob a supervisão dos instrutores internacionais da Conmebol e da Fifa, têem reprovado sistematicamente nesta modalidade.

Exemplo comprobatório foi o “fiasco” protagonizado por Wilson Luiz Seneme, indicado para o processo seletivo da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Reprovado duas vezes consecutivas no teste físico, Seneme foi desligado. Foi substituído por Heber Roberto Lopes e Leandro Vuaden, que também reprovaram no mesmo teste. No último mês de agosto, no Rio de Janeiro, sob os olhares imutáveis dos instrutores da Conmebol, um árbitro e um assistente da CBF do quadro da Fifa reprovaram novamente.

Há poucas rodadas do final dos campeonatos da CBF, sobretudo o mais importante que é a Série (A), é impossível mudar o quadro vigente. Portanto, se nada de anormal acontecer no comando do futebol brasileiro nas próximas horas, é de suma importância a CA/CBF elaborar um novo modelo de gestão à arbitragem brasileira a partir de 2016. Pois do contrário, vai continuar dando “chabu”.

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