terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O significado de Seneme na Conmebol


 Wilmar Roldan, é o único apito Sul-americano na lista dos dez melhores da IFFHS - foto: Conmebol

Indicado para o processo pré-seletivo ao Mundial de 2014 no Brasil, o ex-árbitro e hoje coordenador da instrução da arbitragem brasileira da CBF, Wilson Luiz Seneme, protagonizou duas situações que deixaram a arbitragem brasileira a época em “maus lençóis”. Explico: em que pese o Brasil ter sido anunciado como sede da Copa do Mundo em outubro de 2007, a CBF e Seneme não elaboraram um plano de treinamento de excelência à arbitragem para a Copa e o resultado foi um vexame sem precedentes - Seneme foi reprovado duas vezes no temível “teste físico” da Fifa.

Após o desligamento de Seneme que justificou o fato em função de uma fascite plantar, foram indicados Leandro Vuaden e Heber Roberto Lopes - mas ambos foram reprovados no mesmo “teste físico” que Seneme reprovou. O “salvador da pátria” foi a quarta opção, Sandro Meira Ricci. Destaque-se que na última década em todos os testes físicos onde houve a presença de instrutores da Fifa, o histórico de reprovações da arbitragem brasileira tornou-se fato recorrente.
 
Há quinze dias do início da Copa no Mundo Brasil, Massimo Busacca, o diretor de arbitragem da Fifa, realizou o teste físico Yo-Yo à arbitragem que iria laborar na competição no Centro de Treinamento do ex-atleta do Flamengo Zico, no Rio de Janeiro. Nove dos doze árbitros da América do Sul foram reprovados.

Durante o Mundial, o trio brasileiro e os demais apitos Sul-americanos dirigiram pouquíssimos jogos e nas quartas de final, semifinal e na finalíssima a confraria do apito da América do Sul desapareceu.

No dia 4 de janeiro deste ano a (IFFHS) Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, instituição reconhecida internacionalmente pela seriedade com que faz suas pesquisas e estatísticas, anunciou a relação dos dez melhores árbitros de futebol do planeta. A exceção de Wilmar Roldan (Fifa/Colômbia) na sétima posição e de Benjamim Williams (Fifa/Austrália) na décima posição, a lista dos dez top da (IFFHS) foi dominada pelos europeus. A CBF tem (10) árbitros na Fifa, mas nenhum consta da nominada lista.

Diante do que se leu neste articulado e de outros senões negativos que vivencia o futebol e a arbitragem da América do Sul, a presença de Wilson Seneme, considerado por todos como idôneo no comando do Comitê de Árbitros da (Conmebol) Confederação Sul-Americana de Futebol - abre a perspectiva alvissareira de que tenhamos uma reformulação irrestrita em todos os setores da arbitragem da Conmebol. Se assim não acontecer, teremos a continuidade da desconfiança e da ausência de credibilidade das tomadas de decisões dos homens de preto nas competições da referida instituição.

Já para os homens do apito e das bandeiras do futebol pentacampeão, a presença de Seneme na Conmebol, num posto de alta relevância como é a arbitragem, penso que é de valia inominável. Mas antes é necessário fazer o dever de casa como preconizou o mestre internacional de arbitragem, José Garcia Aranda, no Workshop que está sendo realizado na CBF. Ou seja, tem que mudar a composição, a metodologia de ensino aplicada na formação dos futuros apitos e nas comissões de árbitros das federações de futebol.

PS (1): Um amigo que representou expressivo segmento do agronegócio no Fórum Econômico Mundial em Davos, (Suiça), no mês de janeiro que passou e na volta fez uma escala técnica na Alemanha, ficou envergonhado com o que ouviu, leu e viu na mídia europeia a respeito dos árbitros Sul-americanos. Fabricamos craques extraordinários me disse o amigo, mas a credibilidade dos nossos juízes e bandeirinhas perante a mídia que cobre o futebol do Velho Continente é escassa.
      
PS (2): Escrevo este coluna no condicional e amparado na informação prestada pelo ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho, no programa Bem Amigos do Sportv que está no link: http://sportv.globo.com/site/programas/bem-amigos/noticia/2016/02/wilson-seneme-e-o-novo-presidente-da-comissao-de-arbitragem-da-conmebol.html    

Insígnias FIFA são entregues na CBF

    Árbitros masculinos e femininas receberam nesta tarde na sede da CBF as insígnias da Fifa - Foto:Rafael Ribeiro/CBF

Descontração, sorrisos no rosto e uma cerimônia séria, coberta de profissionalismo, mas cheia de quebras de protocolo. A entrega de insígnias FIFA para os árbitros brasileiros, realizada nesta terça-feira (2) na sede da CBF, foi um evento ímpar.

Como bem definiu o ex-chefe de arbitragem da FIFA, José María García-Aranda, um momento que merece celebração e comemoração. Ao todo, foram 28 pessoas, entre árbitras, árbitras assistentes, árbitros e árbitros assistentes a receberem a insígnia que representa a presença no quadro FIFA.

Mais experiente dentre os árbitros ainda em atividade, com quase 400 jogos só na Série A do Campeonato Brasileiro, Héber Roberto Lopes foi responsável pelo discurso que fechou a cerimônia. Sem papas na língua, ele afirmou:

- A arbitragem brasileira é uma das melhores do mundo. Isso fica claro quando marcamos presença nas principais partidas de uma Copa do Mundo, ficando de fora das semifinais e finais apenas quando nossa Seleção marca presença por nós.

O clima alegre e de pura sintonia entre a arbitragem brasileira ficou mais claro ainda no momento da fotografia oficial. Quase falta espaço para todos no enquadramento.

O evento fez parte da programação do Seminário Internacional de Arbitragem, que começou a ser realizado no domingo na sede da CBF e irá até quarta-feira, com palestras, debates e avaliações acerca da arbitragem brasileira. O encerramento será às 12h do dia 3 de fevereiro.

Confira a lista de árbitros brasileiros no quadro da FIFA:
Tatiane Camargo - Árbitra assistente
Márcia Caetano - Árbitra assistente
Nadine Bastos - Árbitra assistente
Neusa Inês Back - Árbitra assistente
Guilherme Camilo - Árbitro assistente
Rodrigo Corrêa - Árbitro assistente
Bruno Pires* - Árbitro assistente
Eduardo Cruz* - Árbitro assistente
Kléber Gil - Árbitro assistente
Marcelo Carvalho Van Gasse - Árbitro assistente
Emerson Carvalho - Árbitro assistente
Alessandro Matos - Árbitro assistente
Bruno Boschilia - Árbitro assistente
Fabricio Vilarinho da Silva - Árbitro assistente
Ana Karina - Árbitra
Regildênia de Holanda Moura - Árbitra
Simone Xavier - Árbitra
Edna Macedo - Árbitra
Anderson Daronco* - Árbitro
Raphael Claus - Árbitro
Péricles Bassols - Árbitro
Luiz Flávio de Oliveira - Árbitro 
Ricardo Marques Ribeiro - Árbitro
Leandro Vuaden - Árbitro
Wilton Sampaio - Árbitro
Héber Roberto Lopes - Árbitro
Dewson Freitas - Árbitro
Sandro Meira Ricci* - Árbitro
* não estiveram presente por motivos pessoais
Fonte: CBF
 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Aranda e o processo de seleção de árbitros

     José Garcia Aranda, é reconhecido internacionalmente como P.h.D. em  Regras de Futebol - foto: Fernando Alves/CBF
Encontrar árbitros de qualidade não é tarefa fácil. Exige planejamento, conhecimento e muito trabalho. Foi justamente sobre isso que falou o ex-chefe de arbitragem da FIFA, José Maria Garcia-Aranda, nesta segunda-feira (1), segundo dia do Seminário Internacional de Arbitragem realizado pela CBF.

García-Aranda citou cinco etapas deste processo de seleção, que passa pelas comissões estaduais, responsáveis por prospectar candidatos e realizar os testes e treinamentos. 

As cinco etapas passam por testes físicos, análises de vídeos com tomada de decisão em cima do lance, provas técnicas e avaliação individual feita pela comissão. Com base nos resultados obtidos nos testes, somados a opinião da banca, os árbitros são selecionados.
- O futebol brasileiro é referência no mundo, então a arbitragem também tem tudo para ser. Fico muito feliz em participar deste encontro e poder trocar experiências com tanta gente qualificada - comentou José María García-Aranda.
O Seminário não para por aí. A programação segue até terça-feira (2). Ainda nesta segunda-feira, a Escola Nacional de Árbitros de Futebol (ENAF) fala de um tema muito importante: o projeto da CBF para o uso de vídeo durante as partidas. No último dia, García-Aranda volta ao palco para falar sobre "o papel do árbitro internacional moderno". 
Fonte: CBF

OPINIÃO DO BICUDO: Observem no segundo e terceiro parágrafo da matéria em tela, o que disse o mestre internacional José Garcia Aranda -  a respeito da formação do árbitro e a responsabilidade das comissões de arbitragens das federações de futebol. Quem nos acompanha aqui neste espaço diariamente, é testemunha ocular de que temos defendido de maneira reiterada e veemente uma reestruturação na composição das comissões de arbitragens das federações. Já que o que se vê atualmente nessas comissões e nos cursos de formação de árbitros, é o continuísmo e a aplicação de uma didática ultrapassada e a consequente formação de uma avalanche de apitos e bandeiras malformados a cada temporada. Lembro que o principal projeto da maioria dos diretores das comissões de árbitros das federações, assim que experimentam o poder, é similar a dos  nossos políticos. Ou seja, se submetem aos mais baixos e subservientes costumes se necessário, visando se perpetuar no cargo.    
 

Raio-X da arbitragem

     Nilo Neves  com a bola, teve ótima performance no Coritiba x Cascavel
No Couto Pereira

Pela primeira vez nos últimos anos tivemos um início de Campeonato Paranaense com desempenho positivo dos homens da Federação Paranaense de Futebol, que manejam o apito e as bandeiras. Se estivesse comandando um confronto da Série (A) do Campeonato Brasileiro, e, assinalasse as três penalidades com a exatidão que marcou no jogo que dirigiu, Coritiba 4 x 0 Cascavel, Nilo Neves, fatalmente seria o árbitro da rodada. Com posicionamento e condicionamento físico impecáveis e com perfeito equilíbrio psicológico, acoplado a fraqueza técnica da esquadra do Cascavel e ao bom futebol praticado pelo Coritiba, ficou fácil interpretar e aplicar as Regras de Futebol. No terceiro pênalti que muitos contestaram agiu em consonância com as determinações do (IFAB) e da FIFA - porque houve ação de bloqueio da bola do atleta da equipe da cobra. Excelente arbitragem!
No Germano Krüger
Paulo Roberto Alves Júnior, o juiz de Operário 0 x 2 Atlético/PR, poderia estar no mesmo diapasão de Nilo Neves não fora o equívoco disciplinar cometido aos 35’ da etapa final, quando o defensor Lucão da equipe de Ponta Grossa, após fazer falta e cair ao solo com o rubro-negro Vinicius, em quem desferiu um soco na cabeça.  A Regra 12 – Faltas e incorreções  tipifica este tipo de lance como conduta violenta - cartão vermelho (expulsão). Errou e errou feio o indigitado árbitro.
Agora vai?
Dada a ausência de cursos de alto nível, de investimentos e de uma visão anacrônica que grassa no setor da arbitragem do futebol paranaense, o futebol do Paraná há uma década não tem nenhum árbitro (apito), na (Renaf) Relação Nacional de Árbitros de Futebol como Asp/FIFA. Este quadro letárgico poderá ser suplantado no próximo mês de abril, quando se confirmadas as expectativas, Rodolpho Tóski Marques, árbitro da (FPF), formado pelo professor Nelson Lehmkhul em dezembro de 2005, e é tutelado pelo instrutor da CBF José Mocelin, poderá ser confirmado como Asp/FIFA pela principal personagem da arbitragem brasileira, o P.h.D Sérgio Corrêa.
Não tem mais ninguém
Rodolpho Marques é o único árbitro da (FPF), dado o modelo arcaico empregado na formação dos novos árbitros e na comissão de arbitragem da entidade paranaense, que reúne após dez anos as condições exigidas pela CA/CBF a uma vaga de Asp/FIFA. Os demais apitos da (FPF) que compõe a Renaf têm boas intenções  “mas de boas intenções o inferno está cheio”, diz um antigo adágio popular.
“Tá tudo dominado” (1)
Foi a expressão que li quando abri minha caixa eletrônica no final de semana que passou. A afirmação em tela veio de dois árbitros que pediram “Off” – o silêncio conjunto das associações de árbitros que são maioria e não desejam criar novos sindicatos, e dos oito sindicatos que possuem a (Carta Sindical), repito, somente oito - em relação aos verdadeiros interesses de relevância da confraria do apito brasileiro, expõe de maneira inexorável a verossimilhança de que “TÁ TUDO DOMINADO”.
“Tá tudo dominado” (2)
E ai de quem se “atrever” a quebrar o paradigma vergonhoso que vivenciam árbitros e assistentes do nosso futebol - fatalmente será afastado do quadro e das escalas das federações e, por consequência, será retirado a fórceps da Renaf e não viaja mais nas aeronaves da gol. Diante do exposto, o grande projeto do árbitro do futebol pentacampeão é continuar a saga de brigar por escalas tal qual um “náufrago em alto mar
Quem deve ser o interlocutor em Brasília?
Em função das críticas que fiz aqui neste espaço ao ex-árbitro e hoje deputado federal Evandro Rogério Romam, alçado pela (Anaf) Associação Nacional de Árbitros de Futebol, como interlocutor da categoria dos homens de preto em Brasília e dada a sua atuação meia-boca no pleito do direito de arena à arbitragem, me perguntam quem deveria ocupar tal posição. Respondo: basta observar quem são os grandes caciques da Câmara dos Deputados e do Senado federal. Pergunto: quem são os próceres da bancada da bola, da evangélica, da bala, do agronegócio, dos usineiros, dos caminhoneiros, da construção civil e das minorias? Só políticos escolados. Está respondido.