segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sandro Ricci comparece a audiência em BH

Refereetip

O árbitro Sandro Meira Ricci, do quadro da Fifa, compareceu nesta sexta-feira ao Juizado Especial das Relações de Consumo, em Belo Horizonte, e participou de audiência de conciliação marcada pelo juiz Paulo Barone Rosa relativa à ação movida pelo torcedor do Cruzeiro João Carlos Fonseca.

O cruzeirense se sentiu lesado pela atuação de Sandro Meira Ricci na partida realizada em 13 de novembro do ano passado, no Pacaembu, em São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro, em que o Cruzeiro saiu derrotado pelo Corinthians por 1 a 0, com gol de pênalti de Ronaldo. Naquele dia, o árbitro e seus auxiliares tiveram uma atuação muito contestada pelo clube mineiro e pela imprensa.

Para mover a ação, João Carlos Fonseca se baseou no artigo 30 do Estatuto do Torcedor e no artigo sexto do Código de Defesa do Consumidor. Por ter se deslocado de Belo Horizonte a São Paulo para assistir à partida, ele exige indenização por danos materiais de R$ 110 (passagens e ingressos) e morais, cujo valor seria arbitrado.

Sandro Meira Ricci compareceu à audiência de conciliação com o seu advogado e permaneceu calado. Por escrito, ele apresentou uma defesa, em que considera o torcedor parte ilegítima para questionar a sua arbitragem na partida em questão. Além disso, o árbitro entende que não poderia ser incluído como réu no processo, com base no Estatuto do Torcedor e no Código de Defesa do Consumidor.

Como não houve acordo na audiência, o juiz Paulo Barone Rosa deu prazo de cinco dias úteis para o autor da ação se manifestar. O advogado Fabrício Reis, que representa o torcedor João Carlos Fonseca, vai apresentar prova testemunhal para reforçar sua tese.

A princípio, nova audiência foi marcada para 26 de abril, às 16h10.

"Eu pedi um prazo de cinco dias para apreciar essa preliminar. Se o juiz entender que, de fato, o Sandro  não pode ser acionado, ele extingue o processo e cai a audiência. Se o juiz entender que procede, a audiência será mantida", disse o advogado Fabrício Reis ao Superesportes.

Na saída da audiência, Sandro Meira Ricci se recusou a dar entrevista.
Fonte: www.mg.superesportes.com.br

Mau humor chega ao judiciário

O que se depreende do que o leitor vai ler na sequência é de que a indústria de indenizações por danos morais e materiais atingiu o futebol e através de uma ação foi parar no judiciário.
As partes são o árbitro Sandro Meira Ricci (Fifa/DF) e o torcedor João Carlos Fonseca de Belo Horizonte (leia matéria abaixo). Embora sejamos leigo em direito, nos parece que o acolhimento da inicial para estruturar o contraditório é mais um excesso de zelo do respectivo magistrado do que a própria existência de um litígio a ser processado e julgado. Seremos breve nesta ação que teve origem a capital mineira.
Considerou-se o torcedor sofredor de dano patrimonial porque o árbitro Sandro Meira Ricci, no caso o réu, teria tido uma conduta parcial em prejuízo ao seu clube, o Cruzeiro da capital das alterosas.
Não se observa na questão em foco nenhum direito que possa ser albergado pelo torcedor em tela, muito menos a arbitragem se é que foi infeliz pode ser considerada à ação indenizatória.
Neste episódio judicial, o árbitro já levantou a preliminar de ilegitimidade do torcedor, fonte jurídica seguramente oferecida e que na audiência preliminar já deveria ser considerado carecedor de ação , que é aquele que aporta em juízo despido de qualquer direito.
Parece que numa relação jurídica processual, em relação a partida de futebol, são partes próprias para litigar os clubes e nunca o torcedor, o qual ao menos tem esperança de direito em circunstâncias à presente. Ora, se o Cruzeiro não adotou qualquer medida é porque não pode provar eventualmente a hipótese de suborno ou dolo do árbitro.
A Fifa já deixou claro que nas decisões de jogos nesta área esportiva, a palavra final é sempre do árbitro, incluindo-se nesse conceito de que errar é humano. Por tudo isso, a demanda em questão desvia de qualquer efeito jurídico por falta de uma justa causa para gerar uma demanda em face ao mau humor de um torcedor.
O Poder Judiciário está assoberbado e tem coisas mais importantes para se preocupar do que  atender a paixão de um torcedor mau humorado.
Valdir Bicudo-bicudoapito@hotmail.com

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Clássico: classificação não importa


Clássico é clássico. Não sei de quem é a autoria da frase. Alguns afirmam que foi Neném Prancha, técnico de futebol de areia, ex-funcionário do  Botafogo do Rio de Janeiro e falecido nos idos anos de 1976. O que eu sei, porém, é que o clássico significa o jogo entre dois clubes importantes.

Em função disso, não há favorito em clássicos. Sendo assim, não raro a equipe que está em posição inversa na tabela de classificação acaba atropelando a que está melhor. Aliás, como árbitro ao longo de 17 anos tive o privilégio em quatro oportunidades de apitar, sentir e vivenciar as emoções do maior evento esportivo do futebol paranaense, o clássico Atlético/PR x Coritiba.

E num clássico da relevância como o Atletiba do próximo domingo, o mínimo que se esperava, da Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol, era um procedimento de acordo com as noções de sabedoria e razoabilidade, o que acabou acontecendo, com a indicação e a consequente láurea no sorteio, de um dos melhores árbitros de futebol do país. Falo de Héber Roberto Lopes, foto - (Fifa-PR), 38 anos, pré-selecionado para a Copa de 2014, que será realizada no Brasil.

Desejo que o quarteto de arbitragem faça uma análise da importância do jogo, das equipes, dos atletas num todo, do significado para as torcidas. Que elaborem um plano de trabalho para a partida desde a chegada ao estádio, a entrada no campo de jogo, o início e o desenvolvimento do confronto, além da participação efetiva dos assistentes e do quarto árbitro. Que as tomadas de decisões da arbitragem sejam de qualidade e com a verdade dos fatos.
Valdir Bicudo-bicudoapito@hotmail.com

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Cabide de emprego

Quando a bola rolar, às 17h, na partida inicial da Copa do Brasil 2011, no jogo Bangu x Portuguesa/SP, em Moça Bonita, no Rio de Janeiro, na tarde de hoje, o Observador de Arbitragem escalado pela CBF para esta partida, Messias José Pereira e os demais observadores escalados para as demais pelejas que adentrarão à noite, colocarão em prática o novo Manual do Observador de Arbitragem anunciado pela Fifa no último mês de dezembro, na cidade de Assunção (Paraguai).

Recebi de forma pormenorizada de um dos instrutores da Fifa, o novo manual e confesso que ao lê-lo na íntegra, cheguei a conclusão de que a CBF ao criar esse quadro, fugiu de um critério que não poderia de forma alguma ser desprezado. Explico: a tarefa do Observador de Arbitragem de acordo com determinação da Fifa deve ser exercida por ex-árbitros como notório conhecimento sobre as Regras do Jogo de Futebol. Ressalte-se que o futebol paranaense tem contribuído para esse descalabro, indicando como observador, gente que nunca sequer apitou uma partida de futebol de pelada. É o fim da picada! Pobre futebol paranaense!
É verdade que indicar árbitros para essa função resultaria em corporativismo, e criaria um clima de animosidade entre os próprios árbitros. Da mesma forma se era projeto, como o foi, indicar pessoas que nunca apitaram uma partida de futebol para exercerem esse mister, até o presente momento só trouxe consequências negativas para a arbitragem nacional, e, a continuidade dessa indecência acentuará ainda mais a falta de qualidade e colocará em risco a credibilidade das avaliações realizadas por essas pessoas. Ressalte-se que o futebol paranaense tem contribuído para esse descalabro, indicando como observador, gente que nunca sequer apitou uma partida de futebol de pelada. É o fim da picada! Pobre futebol paranaense!

O correto era a CBF determinar a todas as federações estaduais, a implementação de uma escola especializada para ex-árbitros nesse sentido, pois na teoria e na prática o Observador de Arbitragem deve ter conhecimento igual ou superior ao árbitro nas leis que regem o futebol dentro do campo de jogo.

Diante do que, não tenho nenhum constrangimento em afirmar de que há vários casos esgarçados pelo Brasil afora, onde a função de Observador de Arbitragem da CBF, é um verdadeiro “cabide de emprego”, que privilegia alguns “apadrinhados” da cartolagem que comandam o futebol pentacampeão do mundo, cujo benefício principal é reforçar o orçamento mensal dos seus indicados.
PS: Por isso, esse tipo de “Observador de Arbitragem” é dispensável, porque só proporciona prejuízos aos avaliados e, por extensão, aos clubes, embora sejam parcos os seus honorários. Pois quem não sabe e não domina a matéria nada observa.
Valdir Bicudo - bicudoapito@hotmail.com

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Manual para o observador estudar


Quando a bola rolar nesta quarta-feira, às 17h, na partida inicial da Copa do Brasil 2011, no jogo, Bangu x Portuguesa/SP, em Moça Bonita, no Rio de Janeiro, o Observador de Arbitragem escalado pela CBF para este jogo, Messias José Pereira, e os demais observadores escalados para as demais pelejas da noite farão uso do novo Manual do Observador de Arbitragem. O documento foi implementado pela Fifa no último mês de dezembro, na cidade de Assunção (Paraguai). Recebi de forma pormenorizada de um dos instrutores da Fifa o novo manual que transcrevo abaixo.

Tarefas do observador

 

      O Observador de Arbitragem deve confeccionar o seu relatório de forma independente.

      Deve observar e registrar três pontos positivos da arbitragem e três pontos a melhorar (se necessário for) – É importante para a Comissão de Arbitragem da CBF.
 
      As tomadas de decisões importantes podem ser revistas na TV e devem ser consignadas.
 
      A nota deve ser justificada em detalhes.

      A nota inicial é 8.

      Se há um erro que interfere no resultado da partida a nota final da arbitragem não deve ser superior a 7,5..
  
      O livro Regras do Jogo de Futebol é a base para a avaliação.


Grau de dificuldade da partida
        
           Está relacionado com as distintas situações ocorridas no jogo (em tese nenhum antecedente deve ser considerado – ex: rivalidade, briga de torcedores, opiniões da imprensa etc.)
        
           Conduta de todos os profissionais que atuam no jogo.
      
          Conduta de todos os profissionais que atuam no jogo.

            Deve ter relação direta com a nota final (individual).
        
            Erros que definam um encontro ou falta de controle da partida deve enquadrar a atuação do árbitro em pobre ou muito pobre.
        
            Ao contrário se sua firme atuação reverte um quadro complicado inicialmente, tal feito deve ser relevado.


Grau de importância das decisões

                       Pênalti ou não.
                    
                        Agarrões dentro da área penal.
                    
                        Mão intencional.
                 
                        Impedimentos ajustados.
                    
                        Simulações e protestos.
                    
                        Jogo brusco grave e conduta violenta
                    
                        Outras decisões

                        Utilização de jóias, lateral invertido, faltas imprudentes etc.

Avaliação do árbitro – Controle do Jogo

                              Aplicação da vantagem/continuidade do jogo
                          
                              Cartões amarelo e vermelho, se foram bem aplicados
                          
                              Na momento de punir foi equilibrado e imparcial?
                          
                              Suas sinalizações foram claras?
                         
                              Como foi o planejamento tático e estratégico do árbitro?
                          
                              Cumpriu a diagonal moderna?
                          
                              Pontos positivos e pontos a melhorar.

Condição física e posicionamento

                                    Resistência, velocidade, apresenta alteração de ritmos, acelra sua marcha quando é necessário, Chega a tempo e em condições de visualizar e discernir a jogada.

                                    Posiciona-se adequadamente no campo de jogo quando marca uma falta e possui um bom campo visual?
                               
                                    Posiciona-se de acordo com o que ocorre na partida?

Cooperação com os árbitros assistentes e o 4º árbitro

                                    Seu trabalho em equipe é coordenado e efetivo com os assistentes e o quarto árbitro?
                                
                                    Suas reações são lentas ou rápidas diante das sinalizações dos assistentes?
                               
                                    Manteve permanente contato visual com seus assistentes como especifica a regra?

Avaliação dos árbitros assistentes

                                          Interpretou adequadamente as infrações de impedimento, participou quando foi necessário ou omitiu-se.

                                          Neste caso houve trabalho em equipe?
                             
                                          Usou a técnica da bandeira e trabalho em equipe?
                                  
                                          Posicionou-se e movimentou-se (lateral ou frontal de acordo com a regra?
                               
                                          Utilizou-se da técnica, observar, esperar, para decidir.


Avaliação do 4º árbitro

                                                Controlou os bancos de suplentes (personalidades e autoridades).

                                                Como foi o trabalho em equipe.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Melodia do apito agradou

Foto: Allan Costa Pinto

 A 8ª e a 9ª rodada do Campeonato Paranaense, realizadas no meio de semana e no final de semana que passou, propiciou uma arbitragem linear  pela primeira vez no atual campeonato paranaense.  Houve um crescimento substâncial  no posicionamento correto dos árbitros nas áreas negras do campo de jogo, onde acontecem os lances que  "matam" uma arbitragem, posicionamento esse que muitas vezes impede o árbitro de visualizar aqueles lances "cavernosos".

  Gostei do trabalho em equipe desenvovlido entre  árbitros, assistentes e o quarto árbitro. Outro quesito que melhorou muito nos assistentes foi a comunicação corporal e a visualização entre o trio de arbitragem.  A utilização da bandeira de forma correta  pelos assistentes e o posicionamento dos árbitros no campo de jogo, abandonando em algumas ocasiões  a diagonal quando necessário e posicionando-se mais próximo dos assistentes proporcionou arbitragens com um índice elevado de acertos.

Tenho observado  nos jogos que assisti pela TV e nas partidas que assisti "in loco", que alguns árbitros e assistentes são carentes de treinamentos e  se submetidos  a um trabalho em equipe como a parte psicológica,  a realização de vários exercícios  de  interpretação e aplicação das jogadas e treinamentos de faltas nas proximidades da área penal em conjunto com o assistente,  para indicar se a falta ocorreu dentro ou fora da área de pênalti,  poderão desenvolver melhor suas qualidades e, por extensão, apresentarem um índice expressivo de acertos nas tomadas de decisões no campo de jogo.

PS: A Fifa diz: "A arbitragem exige concentração, controle emocional, pleno domínio das Regras do Jogo, condicionamento físico, bom posicionamento em campo, firmeza nas decisões e, sobretudo, imparcialidade e entusiasmo. Os  árbitros que atuaram no meio e final de semana que passou, Edivaldo Elias da Silva, Jarbe Cassou,  Heber Roberto Lopes, Leandro Hermes Júnior, Paulo Roberto Alves Júnior e Selmo Pedro dos Anjos (foto), cumpriram o preceito nominado pela Fifa.  Nota da arbitragem incluindo as rodadas acima nominadas: 10!
Valdir Bicudo-bicudoapito@hotmail.com

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Conmebol divulga a escala de árbitros dos jogos dos brasileiros


Santos entra em campo na próxima terça, enquanto Cruzeiro e Inter jogam na quarta e o Grêmio na quinta
Redação - Justiça Desportiva





A Conmebol divulgou nesta última quinta-feira, dia 10 de fevereiro, a relação de árbitros para os primeiros de uma série de jogos da Libertadores da América que acontecem na próxima semana. Em campo, quatro brasileiros iniciam a disputa continental. O Fluminense, na última quarta-feira, dia 9, já fez a sua primeira partida. Na próxima semana, de terça a quinta, haverá sempre um clube do Brasil jogando.
O primeiro brasileiro a entrar em campo é o Santos, que na terça-feira, dia 15, enfrenta o Deportivo Táchira na Venezuela. O árbitro do jogo pelo Grupo 5 será o equatoriano Carlos Vera.
Na quarta-feira, dia 16, o Brasil entra em campo com Internacional e Cruzeiro, que enfrentam Emelec, do Equador, e Estudiantes, da Argentina, respectivamente. Em Guayaquik, o argentino Nestor Pitana comanda o jogo do time gaúcho, enquanto o paraguaio Carlos Amarilla apita a partida do clube mineiro.
Por fim, na quinta-feira, dia 17, o Grêmio recebe o Oriente Petrolero, da Bolívia, em partida no Olímpico, que terá no apito o uruguaio Líber Prudente.


Confira mais detalhes da escala de árbitros:
Emelec/EQU x Internacional
- Data e hora: 16/01, às 19h
- Local: Guayaquil
- Grupo 6
- Árbitro: Néstor Pitana, da Argentina
- 1º Assistente: Gustavo Esquivel, da Argentina
- 2º Assistente: Ariel Bustos, da Argentina
- 4º Árbitro: Alfredo Intriago, do Equador
Grêmio x Oriente Petrolero/BOL
- Data e hora: 17/02, às 19h45
- Local: Porto Alegre
- Grupo 2
- Árbitro: Líber Prudente, do Uruguai
- 1º Assistente: Carlos Pastorino, do Uruguai
- 2º Assistente: William Casavieja, do Uruguai
- 4º Árbitro: Evandro Roman, do Brasil
Deportivo Táchira/VEN x Santos
- Data e hora: 15/02, às 20h45
- Local: San Cristóbal
- Grupo 5
- Árbitro: Carlos Vera, do Equador
- 1 º Assistente: Juan Cedeño, do Equador
- 2 º Assistente: Byron, Romero, do Equador
- 4º Árbitro: Mayker Gómez, da Venezuela
Cruzeiro x Estudiantes/ARG
- Data e hora: 16/02, às 22h
- Local: Sete Lagoas
- Grupo 7
- Árbitro: Carlos Amarilla, do Paraguai
- 1 º Assistente: Milcíades Saldívar, do Paraguai
- 2 º Assistente: Carlos Cáceres, do Paraguai
- 4º Árbitro: Ricardo Marques, do Brasil
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Tecnologia: aqui, a Fifa não manda

 
Neste ano, o The International Football Association Board, que é composto pela Inglaterra, Escócia, Irlanda, País de Gales e a Fifa, completa 125 anos de existência. Sua fundação ocorreu no dia 2 de junho de 1886, num escritório no viaduto Holborn, em Londres. O Board é o único organismo no mundo do futebol que tem poderes para autorizar qualquer experimento, discutir ou mudar as Regras do Jogo de Futebol.

A próxima reunião geral anual do Board, que tem se mostrado extremamente conservador, acontece de 4 à 6 de março próximo, no hotel Celtic Manor Resort, perto de Newport, País de Gales, e promete ser histórica, segundo Jonathan Ford, presidente-executivo da Associação do País de Gales, porque estará em discussão a implementação da tecnologia para auxiliar a arbitragem a minimizar a sequência de equívocos grotescos, principalmente os protagonizados pelos árbitros e assistentes na última Copa do Mundo na África do Sul.

Além do chip na bola, cujos testes ainda não são conclusivos, há outras nove tecnologias que foram testadas e de acordo com informações de Zurique, onde está situada a sede da Fifa, aquela que comprovar 100% de eficácia deverá obter autorização para em caráter experimental,  ser utilizada nas futuras competições da entidade, quem sabe na Copa das Confederações de 2013 no Brasil e, se o experimento, atingir o objetivo  nos lances polêmicos,  deverá ocorrer a sua implantação na Copa do Mundo de 2014 em nosso país.

Não obstante o chip na bola, o ponto eletrônico, lembrei-me de outras tecnologias que poderiam ser discutidas nesta reunião para ajudar os árbitros como o ocorrido recentemente no Mundial de Atletismo, quando a jamaicana Verônica Campbell, cruzou a linha de chegada a 3 milésimos de segundos antes da americana Lauryn Willians e a decisão definitiva ocorreu após análise de uma foto de instante final.

Ou a tecnologia usada no automobilismo, onde são utilizados sensores do diâmetro de um maço de cigarros, que emitem sinais que são captados por antenas instaladas no piso ao longo da pista, e determinam quem será o pole-position de um Grande Prêmio, como na Turquia, quando Felipe Massa fez uma volta mais rápida que o inglês Lewis Hamilton em 44 segundos de milésimos. E, por último, o sistema desenvolvido pelo matemático Paul Hawkins, um dos inventores do "Hawk-Eye" (Olho de Falcão), sistema eletrônico usado no tênis, críquete e sinuca para tirar dúvidas sobre a legalidade de uma jogada. A utilização mais conhecida é no circuito da Associação dos Tenistas Profissionais, onde o dispositivo comprova se a bola foi rebatida para dentro ou fora da quadra.

A tecnologia, se usada de forma ordenada, poderá ser de grande valia para a arbitragem, mas acredito que pela complexidade e paixão que o futebol provoca em bilhões de pessoas em todo o mundo,  não irá equacionar todos os equívocos que a arbitragem vier a cometer.
Valdir Bicudo-bicudoapito@hotmail.com



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

10 Questões a... João Carlos Pereira


O site de arbitragem RefereeTip.com e o site institucional da APAF - Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol possuem uma parceria online intitulada “10 Questões a…”.
Nesta rubrica, comum aos dois websites, convidamos semanalmente uma personalidade a responder a 10 questões relacionadas com a arbitragem.

Depois de na semana passada termos convidado um jogador a responder às “10 Questões a…”, temos esta semana um treinador como nosso entrevistado.

João Carlos Pereira é uma das caras de uma nova vaga de treinadores portugueses que surgirão no panorama futebolístico português nos últimos anos. Para além de experiências em clubes dos quadros da 2ª e 3ª divisão nacionais, conta já no seu curriculum com passagens em clubes portugueses de destaque como a Académica, Nacional, Estoril, Belenenses. Actualmente, na segunda experiência internacional (anteriormente tinha orientado o Al-Tadamon, do Kuwait) João Carlos Pereira está no Chipre onde dirige os destinos do Ermis Aradippou.
Procuramos, nesta entrevista, perceber de que forma a arbitragem e os árbitros são vistos por aqueles têm a responsabilidade de dirigir os jogadores de futebol.


JOÃO CARLOS PEREIRA

1.Tendo jogado futebol 18 anos e sendo treinador há 14 anos, qual a tua opinião relativamente à evolução que a arbitragem portuguesa viveu desde que estás ligado profissionalmente ao futebol?
A arbitragem tem evoluído bastante! Creio que o futebol português, em geral foi evoluindo consideravelmente. O futebol português é neste momento meritoriamente reconhecido no panorama internacional e a arbitragem, sendo parte integrante da indústria, evoluiu na mesma proporção.

2.Quais as principais diferenças entre os árbitros que encontraste enquanto jogador e os actuais?
Diferenças em vários aspectos. Os de hoje estão muito mais bem preparados, e em todas as dimensões da sua intervenção, do que os de outrora.

3.Como treinador, para além das equipas que treinaste em Portugal, já tiveste várias experiências fora do país. Como avalias os árbitros portugueses comparativamente com os dos outros países?
Indubitavelmente há e haverá erros em todo o lado do mundo, principalmente porque os ajuizamentos são feitos por pessoas, e o erro é parte da componente aleatória e caótica do jogo. No entanto, e correndo o risco do erro da generalização, posso afirmar que a nossa arbitragem é globalmente superior à dos locais onde tive a oportunidade de trabalhar até hoje.

4.Na tua preparação para os jogos também fazes “scouting” relativamente à equipa de arbitragem? Com que objectivos?
Em competição, é fundamental ter um conhecimento tão profundo quanto possível dos contextos e dos intérpretes. Faço-o, essencialmente porque sinto necessidade de fazer uma abordagem complexa ao jogo e também porque acredito ficar mais bem preparado para a condução e gestão da partida.

5.Nos diversos níveis dos Cursos de Treinador uma das matérias estudadas e avaliadas são as Leis de Jogo. Achas que foram matérias benéficas para a tua formação como treinador? Tiveste boas notas?
Creio serem fundamentais, pois quando entramos numa competição, é fulcral dominar as regras da mesma. Quanto às minhas notas, ao longo do meu percurso formativo, fui tendo boas notas nas Leis de Jogo, mas no último curso, descurei um pouco e foram apenas razoáveis. Quando não refrescamos matérias estudadas há muito, corre-se esse risco…

6.Discutem-se actualmente diversas sugestões de novas tecnologias de apoio à arbitragem e existem também opiniões divergentes quanto à sua aplicação e aplicabilidade. Na tua opinião, quais se poderiam implementar para beneficiar o futebol sem o descaracterizar?
Este será sempre um tema controverso. Creio que o lado conservador do International Board, nunca irá estar muito aberto a certas alterações. Creio que o lado objectivo do jogo poderá ser alvo de evolução, como o chip na bola, mas o lado mais subjectivo, sendo alterado, pode provocar eventuais prejuízos no espectáculo. Não podemos esquecer que à luz da teoria dos sistemas vivos, mexendo num elemento, estar-se-á a mexer no todo. Portanto, poderá estar-se a alterar o jogo em si. Não podemos esquecer o que uma alteração como o fora de jogo, provocou no jogo.

7.Se pudesses mudar algo na arbitragem, seja nas Leis de Jogo ou noutras situações, o que seria?
Acho que dada a importância dos investimentos, sejam de que tipo for que as equipas e os profissionais ligados à indústria do futebol fazem, creio que os árbitros terão de ser mais profissionais e conscientes. Portanto, tudo o que possa minorar os riscos de erro e falhas de ajuizamento… Creio ser fundamental que os responsáveis estejam directamente ligados à investigação de ponta em áreas como a neurologia, e outras ciências sociais na área da tomada de decisão e da inteligência emocional para se poder proporcionar uma melhor especialização do árbitro. O caminho da formação deve ser seguido!

8.No planeamento dos treinos tens alguma preocupação de formar os teus jogadores relativamente às Leis de Jogo? Achas que os treinadores dos escalões de formação deveriam ter essa preocupação ou não é importante para a actividade de um jogador?
Tento tirar partido das regras no projecto colectivo de jogo das minhas equipas. É determinante que os jovens futebolistas sejam estimulados a aprender e a dominar as leis de jogo.

9.Há algum árbitro ou árbitros com quem te tenhas cruzado na tua carreira e que te tenha marcado pela positiva? Porquê?
Ocultando nomes, houve árbitros que tiveram intervenções vincadamente positivas e que registei. Essencialmente, um ou outro, porque utilizaram o bom senso e a inteligência emocional de forma a não complicar situações. Outros, pelo tipo de comunicação e a forma de relacionamento com os jogadores e com os treinadores. Há coisas que vão para além das leis de jogo…

10.Que questão, relativa à arbitragem, nunca te colocaram mas à qual gostarias de responder?
Gostava de poder responder a uma pergunta do meu filho mais novo e respondê-la com toda a certeza e segurança: Qual o papel e a função do árbitro num jogo de futebol? Tal como um juiz no tribunal tem de ter muito cuidado, para não julgar erradamente uma pessoa num processo e levá-lo a uma penalização, que pode ser por vezes a prisão, o árbitro tem de ajuizar de forma isenta e sem castigar ou beneficiar um jogador ou equipa com a consciência de não poder errar.

O RefereeTip agradece a disponibilidade demonstrada pelo João em cooperar com esta rubrica semanal.

Luzes sobre o apito

Livro Arbitragem de Futebol - Questões Atuais e Polêmicas, de autoria do advogado Ademar Scheffler, trata de aspectos relacionados ao árbitro de futebol e sua atividade. Lançamento ocorre no dia 16, em Porto Alegre.


Acontece no próximo dia 16 o lançamento do livro Arbitragem de Futebol - Questões Atuais e Polêmicas, edição 2011, de autoria do advogado Ademar Pedro Scheffler, assessor jurídico do SAFERGS. O evento será realizado em Porto Alegre, no Tuyuty Pub Café, na rua Caldas Junior 393 (esquina com a rua Riachuelo). A obra escrita por Ademar Scheffler e publicada pela Editora Memória Jurídica trata
de aspectos  atuais relacionados ao árbitro de futebol e sua atividade.  As relações  laborais,  a formação e reciclagem, previdência social, bem como  a profissionalização dos "juízes de futebol", no Brasil e em diversos países da América e da Europa, são temas recorrentes na mídia e integram o conteúdo do livro. Outras questões importantes também são contempladas, tais como: elaboração de súmulas e relatórios pelos árbitros e respectivos assistentes; julgamentos de árbitros pela Justiça Desportiva; responsabilidade Civil e Criminal em razão de fatos decorrentes das decisões dos árbitros (erro do árbitro) e de atos praticados por outros envolvidos no futebol (jogadores, dirigentes, jornalistas, torcedores, etc), direcionados aos homens do apito; ações de torcedores contra árbitros com base no Estatuto do Torcedor. Finalmente, são lançadas luzes sobre o Direito de Arena e Direito de Imagem dos árbitros, com  exemplos práticos. A apresentação da edição é do professor Alberto Puga.



 Na foto, o autor com a assistente Tatiana de Freitas, na apresentação da obra durante a pré-temporada da arbitragem gaúcha 2011.


 
Serviço

Arbitragem de Futebol - Questões Atuais e Polêmicas pode ser adquirido os seguintes locais:

Porto Alegre: Livraria Safe (rua Riachuelo 1238) e Livraria do Advogado (Riachuelo 1338).

Rio de Janeiro: Livrarias LumenJuris e Leonardo da Vinci;

São Paulo: Editora e livrarias RT e Blanco; Editora Memória Jurídica (Rua Santo Amaro nº 345 - Bela Vista-CEP 01315-001- São Paulo).www.memoriajuridica.com.br ou fabbris8@terra.com.brEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

Curitiba: Livrarias Curitiba, Pleno Juris e Livraria RT;

Belo Horizonte: Livrarias Delrey;

Brasília: Livrarias RT.



Fonte: Assessoria de Imprensa do SAFERGS