segunda-feira, 9 de julho de 2012

CBF ignora o mais importante


A arbitragem brasileira está vivenciando momentos difíceis neste 2012. A cada jogo da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro, a capacidade, honestidade e imparcialidade dos árbitros são colocadas em cheque. Por que isto está acontecendo? Porque, mesmo sabendo com antecedência de que o  país Pentacampeão de futebol irá sediar a Copa das Confederações e a Copa de Mundo de 2014, a CBF não se preocupou até o presente instante em implementar um projeto de modernização de alto nível na arbitragem nacional. E, o que foi realizado até o momento, é pouco diante das exigências que cada árbitro  enfrenta a cada tomada de decisão nos jogos que apita.  
Projeto este que deveria ter como alvo principal a formação de dois trios de arbitragem de ponta para apresentar a Conmebol e a Fifa nas suas competições, sobretudo para a Copa do Mundo, e, por extensão, requalificar os demais homens de preto para os campeonatos que a CBF realiza.
 Mas isto não aconteceu e os problemas estão surgindo paulatinamente a cada partida  que a entidade que controla o futebol nacional patrocina. Falo isso porque tenho acompanhado a maioria dos jogos e o que se observa é uma seqüência interminável de equívocos de diferentes dimensões, com cada árbitro querendo fazer prevalecer nos jogos que apita, a sua interpretação e aplicação diferentemente do que está nas Regras do Jogo de Futebol.
Pois bem, na quarta-feira acontece em Curitiba a finalíssima da Copa do Brasil envolvendo Coritiba x Palmeiras, e ao invés de os atletas serem os principais protagonistas das discussões e do espetáculo, discute-se a qualidade e a credibilidade  da arbitragem escalada, que está no epicentro da decisão sob forte pressão em função do exposto acima. 
Diante do que se leu, resta ao bom árbitro Sandro Meira Ricci (foto/Fifa/PE) e aos assistentes Carlos Berkenbrok e Alessandro Rocha Matos, a dificílima missão de  desfocar as atenções que hoje está focada no trio de árbitros que vai laborar nesta partida, com uma atuação idônea, transparente e em consonância com as determinações da Fifa e do International Board, no que tange as regras.
PS: sentiu o leitor a força, o sentido e a preocupação da comunidade esportiva brasileira o que representa a omissão da CBF, no que diz respeito a gerar um período mais adequado no fim de “gerenciar” as arbitragens que como se sabe é o fator de importância decisiva para qualquer partida de futebol. No país esse setor vive o que conseguem realizar os árbitros por si próprios, eis que fossem depender da entidade nacional haveria uma graduação pior do que a média. É preciso dizer que chega o momento da CBF sem Ricardo Teixeira, criar algo parecido como a universidade das arbitragens. Caso isso não suceda, os sofrimentos perdurarão até um tempo que esgote a paciência do mundo da bola. Dito isso, nada mais a dizer.      

Notícias do apito

Divulgação                        
Wilmar Roldan (Fifa/COL)
Em função da minha atividade profissional, empreendi viagem ao interior do Paraná na semana que passou o que me impossibilitou de opinar sobre o desempenho das arbitragens dos jogos da Libertadores, Copa do Brasil e sobre a decisão do International Board, que autorizou a implementação da tecnologia no auxílio à arbitragem nos lances sobre a linha de meta. Feito o esclarecimento aos leitores, informo que não tenho poderes para escalar ou excluir qualquer árbitro ou assistente das escalas da CBF. Não faço parte de nenhuma comissão, não sou assessor de arbitragem de nenhuma entidade e não pretendo exercer em hipótese alguma as funções aqui mencionadas. Meu prazer e acima de tudo o meu dever neste espaço com o internauta é emitir conceitos sobre as tomadas de decisões do árbitro e assistentes sem paixão e a luz das Regras do Jogo de Futebol e, principalmente, sem distorcer as leis que regem o futebol dentro das quatro linhas.
Arbitragem da Libertadores
Wilmar Roldan (foto/Fifa/Col) fez a arbitragem do ano no Corinthians 2 x 0 Boca Juniors. Foi uma atuação perspicaz em perfeita harmonia com as regras. Suas tomadas de decisões no prélio nominado, foram pautadas por um excelente equilíbrio emocional, perfeito discernimento, ótima discrição, excelente postura, magnífica condição física (apitou entre 8m e 12m das jogadas – este item foi realizado pelos instrutores da Fifa), o que lhe propiciou ter dentro do seu campo de observação os principais lances, bem como seus assistentes e uma autoridade inquestionável sem ser arrogante. Foi uma arbitragem de excelência numa partida de alta dificuldade, que exigiu do trio de árbitros coerência entre as interpretações e o texto das regras.
Arbitragem da Copa do Brasil
Na Arena Barueri, pela Copa do Brasil, no Palmeiras 2 x 0 Coritiba, Wilton Pereira Sampaio (Asp/Fifa/GO), deixou de assinalar um penal indiscutível em cima do meia Tcheco da equipe do Coritiba. Em lances daquela natureza não há uma segunda interpretação. É Pênalti e ponto final. Errou o indigitado árbitro e é justíssima a reclamação do Coritiba, porque se marcada a penalidade e devidamente convertida, o regulamento favorece a equipe do Alto da Glória no jogo de volta na próxima quarta-feira. Além do exposto, observei no jovem árbitro algumas indecisões no critério de marcação de faltas o que prejudicou seu desenvolvimento no jogo. Mesmo com os equívocos cometidos, continuo acreditando que Wilton Sampaio, em que pese seu noviciado é a maior revelação da arbitragem brasileira nos últimos cinco anos e se lapidado adequadamente pela CA/CBF poderá ser um árbitro de primeira grandeza.
Quem apita a final?
Como afirmei acima não escalo e não excluo ninguém das escalas, mas se me fosse dado o direito de opinar sobre o árbitro da partida decisiva da Copa do Brasil em Curitiba, inseriria na cumbuca para sorteio, Leandro Vuaden (Fifa/RS), Marcelo de Lima Henrique (Fifa/RJ), Ricardo Marques Ribeiro (Fifa/MG) e Sandro Ricci (Fifa/PE). Como assistentes Altemir Hausmann e Alessandro Rocha Mattos.
Foto: Fifa.com

Aprovada a tecnologia na linha do gol
Mediante a conclusão dos testes que vinham sendo realizados desde agosto de 2011, pelo Laboratório Federal Suíço de Ciência e Tecnologia de Materiais, o International Board aprovou por unanimidade no último dia (5) - os dois sistemas (GoalRef e Hawk-Eye), que serão utilizados na linha de meta com a missão precípua de informar ao árbitro se a bola ultrapassou ou não a linha de gol, quando houver dúvidas. A Fifa explicou que a aprovação definitiva dos dois sistemas ainda está sujeito a um teste final da tecnologia instalada nos estádios antes que ambos os sistemas possam ser usados nas partidas, de acordo com o programa de qualidade da entidade que controla o futebol no planeta, o TLG. Por conseguinte, a Fifa fará uma revisão nas Regras do Jogo de Futebol, especificamente as afetadas pelas novas medidas com nova redação para a Regra (1) O campo de jogo, Regra (2) A bola, Regra (5) O árbitro e Regra (10) O gol marcado. E, por último, falta definir em que tipo de competições será usada a bola com chip, dado o alto custo financeiro deste tipo de equipamento.
Só a tecnologia não basta
Enganam-se os que imaginam que a bola inteligente como é chamada a bola com chip, irá solucionar os gravíssimos problemas da arbitragem no campo de jogo no momento de interpretar e aplicar as regras corretamente. A medida anunciada pela Fifa é apenas para a linha do gol. Entendo que se os árbitros não aprimorarem seus conhecimentos nos quesitos técnicos, físicos, táticos e psicológicos, de nada adiantará a tecnologia para auxiliá-los. Pouquíssimos árbitros no futebol mundial e sobretudo no Brasil, conseguem discernir simulações, contatos casuais em função de um contato físico ou mesmo um tropeço quando nada deve ser assinalado. Pelo contrário: o que se vê é uma avalanche de faltas inexistentes assinaladas pelos árbitros a cada partida e uma seqüência interminável de cartões amarelos, ao invés de simplesmente deixarem o jogo seguir.
E o teste físico?
Concluída a 8ª rodada do Brasileirão, há um grupo de árbitros inclusive da Fifa, que não realizaram o teste físico e teórico mas continuam sendo escalados. A informação que recebi para demora da realização do teste a esses apitos é de que a CA/CBF está retardando o teste para preservar alguns Fifa que não estão com o índice de massa corpórea adequado e se submetidos ao teste físico reprovariam. Pergunto: se não estão em condições de realizarem o teste físico como estão sendo escalados? A Fifa determina que a preparação física é fator primordial para uma ótima arbitragem. Os fisiologistas e nutricionistas informam que qualquer atleta mal preparado não consegue oxigenar o cérebro e, consequentemente, não responde de forma adequada aos fatos e incidentes da prática que está desenvolvendo. O árbitro é um atleta.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Premier League quer tecnologia na linha do gol em 2013

Após a confirmação do International Board que aprovou a utilização de tecnologia de baliza, na reunião desta quinta-feira, a Premier League mostra-se interessada em dotar-se dessa ferramenta já em 2013/14.
Por ser necessário licenciar, instalar e testar a tecnologia de baliza, a Liga inglesa pretende avançar com esse processo a breve prazo, para que na temporada seguinte todos os estádios do principal escalão tenham o equipamento.
Curiosamente, os três lances mais polémicos da história do futebol, no que à linha de baliza diz respeito, envolvem a seleção inglesa. O golo de Geoff Hurst à Alemanha, no Mundial de 1966, ainda hoje é debatido. Quarenta e quatro anos depois, frente ao mesmo adversário, Frank Lampard acertou na barra e a bola bateu no solo já depois da linha de baliza, mas o golo não foi validado. Dois anos depois foi a Inglaterra a beneficiar de um erro do árbitro, que não viu que um remate de Devic foi interceptado por John Terry já dentro da baliza. A Ucrânia, co-organizadora do Euro2012, foi eliminada.
Michel Platini, presidente da UEFA, continua a manifestar-se contra a introdução de tecnologia de baliza, mas Joseph Blatter é um defensor dessa inovação. Nestes últimos anos a FIFA já tem testado vários equipamentos, e nesta altura aparecem duas propostas: o «goalref», que consiste em ter um «chip» na bola, que informa o árbitro sempre que esta passa a linha de baliza; e o «olho de falcão», que controla a baliza através de seis câmaras , sendo que também neste caso o árbitro é logo informado, através de um relógio de pulso.
Uma das desvantagens do «olho de falcão» é a possibilidade de ter jogadores a tapar o ângulo das câmaras, mas por outro lado é uma tecnologia que permitiria logo ter as imagens como prova, à disposição dos telespectadores. O «goalref» não oferece essa possibilidade, mas em contrapartida é mais barato.
Não está descartada a possibilidade do futebol inglês adotar ambas as tecnologias: o «olho de falcão» para os dois principais escalões, e o «goalref» para as divisões inferiores, onde a capacidade financeira é claramente inferior. 


Fonte: Mais futebol/Refereetip

Blatter: somos capazes de evoluir

(FIFA.com)

Blatter: ''Somos capazes de evoluir''
© Getty Images
O presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, comentou nesta quinta-feira a decisão unânime, tomada pela International Football Association Board (IFAB), de introduzir no futebol a tecnologia na linha do gol. Em entrevista à imprensa internacional, ele falou também dos árbitros adicionais, de sua mudança radical de opinião a respeito do uso da tecnologia e da necessidade de manter o lado humano do futebol. 
Qual é o significado deste dia para o futebol?
Hoje, dia 5 de julho de 2012, é uma data histórica para o futebol internacional e para a IFAB. Estamos no 127º ano de existência dessa organização e ela decidiu aplicar a tecnologia ao futebol, ainda que apenas à linha do gol. É uma decisão muito moderna e extremamente importante, porque o objetivo deste esporte é fazer gols. Com a evolução da técnica e da tática, isso ficou mais difícil. Nesse sentido, o uso da tecnologia ajudará a identificar se a bola entrou ou não. É um auxílio para o árbitro. Houve um apelo para que essa tecnologia fosse aplicada e agora posso dizer que conseguimos.
O senhor parece feliz e satisfeito com a decisão…
Realmente estou feliz. Minha satisfação é por ver que somos capazes de evoluir. Quando se trata de uma competição de alto nível ou do momento decisivo de um torneio, você tem que usar a tecnologia, se ela estiver disponível. Senão, alguma coisa está errada. Mudei minha opinião em relação à tecnologia depois do que aconteceu na África do Sul em 2010 (Frank Lampard fez um gol para a Inglaterra contra a Alemanha, mas o árbitro não o validou).
Esse foi o momento crucial para o senhor?
Sim. Pensei comigo mesmo: 'você é o presidente da FIFA e não pode deixar algo assim acontecer na próxima Copa do Mundo'. Foi por isso que, logo após o Mundial, começamos a testar a tecnologia. Agora chegou o momento. O sistema está disponível e meu objetivo é utilizá-lo no Brasil 2014.
Uma vez o senhor disse que "o futebol não pode perder seu lado humano". E agora?
Não se trata de uma modernização perigosa, mas desde que a tecnologia fique restrita à linha do gol. Não quero mais nenhum outro tipo de tecnologia. Desejo que o futebol mantenha seu lado humano e esse será meu objetivo enquanto eu for o presidente da FIFA. Ainda temos de ver como a tecnologia vai funcionar. Não devemos perder de vista que ela servirá apenas para ajudar o árbitro. 
O senhor está 100% seguro de que no futuro, ainda que se faça pressão, a tecnologia ficará restrita às decisões sobre a linha do gol? E não será usada, por exemplo, para os impedimentos?
Sim, apenas para a linha do gol. De toda forma, seria muito difícil usar essa tecnologia para algo como a regra do impedimento.
Qual foi sua sensação quando viu o gol de Frank Lampard ser invalidado na África do Sul?
Fiquei completamente sem palavras. Mal podia reagir. Foi um choque ver que o gol não tinha sido confirmado. No dia seguinte, já mais tranquilo, declarei que deveríamos começar a cogitar o uso da tecnologia e buscar uma maneira simples de implantá-la. 
O que o senhor pensou quando viu a mesma coisa acontecer com o gol da Ucrânia na Euro 2012? O incidente enfraqueceu o argumento a favor do uso de árbitros assistentes? Afinal, um deles estava atrás do gol e não ajudou na decisão correta.
Não. O erro que as pessoas geralmente cometem é achar que o árbitro assistente (que fica atrás da linha de fundo) está ali para julgar se foi gol ou não. Não é o caso. O olho humano não consegue acompanhar a velocidade da bola, a não ser que ela esteja se movendo lentamente. O olho humano não é capaz de acompanhar um chute daquele. É impossível. Não usamos os árbitros adicionais para julgar a validade dos gols.

Alguns campeonatos e países não terão condições de pagar por essa tecnologia. Isso não é um problema?
O futebol já é jogado em diversos níveis. Para aquelas competições em que é vital saber se foi gol ou não, estamos oferecendo a possibilidade de eliminar a dúvida. Em um sistema de mata-mata, não é possível se recuperar de um erro assim.
A ideia é deixar o sistema em perfeitas condições para a Copa do Mundo da FIFA no Brasil?
Sim, meu plano é que, quando chegar o Brasil 2014, a tecnologia já tenha sido utilizada. Faremos experiências na Copa das Confederações e na Copa do Mundo de Clubes da FIFA deste ano.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

IFAB dá sinal verde à Tecnologia na Linha do Gol

(FIFA.com)
IFAB dá sinal verde à Tecnologia na Linha do Gol
© Foto-net
Foi gol ou não? Dentro de pouco tempo, os árbitros não vão ser mais obrigados a decidir sozinhos, sem a ajuda de tecnologias, se a bola cruzou ou não a linha. Após nove meses de testes na Inglaterra, Alemanha, Hungria e Itália, a International Football Association Board (IFAB) decidiu, numa reunião especial em Zurique, em 5 de julho, introduzir no futebol a tecnologia na linha do gol. Das oito empresas que participaram da primeira rodada de testes, apenas dois sistemas – Hawk-Eye e GoalRef – foram aprovados, podendo agora se candidatar como licenciadas de Tecnologia na Linha do Gol da FIFA.

Sistema GoalRef – tecnologia de campo magnético
O sistema GoalRef cria uma estrutura de ondas de rádio equivalente a uma cortina de luz. Baixos campos magnéticos são produzidos em volta do gol. Assim que a bola, equipada com um pequeno dispositivo eletrônico, cruza a linha completamente, é detectada uma pequena alteração no campo magnético, permitindo determinar a posição exata da bola. Quando um gol é marcado, um alerta é enviado em menos de um segundo para o árbitro e seus auxiliares, por meio de vibração e uma mensagem exibida nos seus relógios.  

Sistema Hawk-Eye – tecnologia da linha do gol utilizando câmera
O sistema Hawk-Eye utiliza de seis a oito câmeras de alta velocidade, posicionadas em ângulos diferentes em cada uma das extremidades do campo, para calcular a posição exata da bola. As informações fornecidas pelas câmeras são então transferidas para o software de vídeo. A partir desses dados, o sistema gera uma imagem gráfica (3D) da trajetória da bola. Em menos de um segundo, o árbitro e sua equipe são informados sobre a ocorrência ou não do gol.

O processo de licenciamento da FIFA

A partir de agora, os fabricantes da tecnologia na linha do gol podem solicitar à FIFA uma licença para instalar seus sistemas. Antes de ser concedida a licença, a tecnologia deve passar por uma série de testes abrangentes em laboratório e em campo e por simulações de situações de jogo. 
Após a aprovação nos testes e o cumprimento dos requisitos de aplicação, o sistema é aceito no programa de licenciamento. Após assinar os contratos com a FIFA, o fabricante recebe autorização oficial para instalar a tecnologia na linha do gol em qualquer lugar do mundo.
O sistema, depois de ser instalado em um estádio, passa por uma inspeção final para que sua funcionalidade seja verificada. Os resultados do teste de instalação final devem ser aceitos pelo cliente do licenciado, isto é, o organizador da competição, clube ou operador do estádio, antes que o sistema seja colocado em operação.
Após recebimento e verificação pela FIFA dos documentos assinados, a instalação recebe o selo FIFA QUALITY PRO e passa a figurar na lista em www.FIFA.com/QUALITY. A tecnologia da linha do gol poderá então ser utilizada em partidas oficiais.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Tecnologia na linha do gol e assistentes na pauta

(FIFA.com)
Tecnologia na Linha do Gol e assistentes na pauta
A Tecnologia na Linha do Gol, a presença de árbitros assistentes adicionais nos jogos 
e o uso do véu por jogadoras serão os três principais assuntos na pauta da reunião 
especial da IFAB no próximo dia 5 de julho de 2012, em Zurique (Suíça).
O encontro dará sequência aos debates da Assembleia Anual Geral da IFAB, realizada em março passado. Também estão agendadas a revisão de algumas das Regras do Jogo e uma discussão inicial sobre a composição da IFAB no futuro.
Neste dia, a International Football Association Board se reunirá em Zurique para uma assembleia especial. Em um momento histórico, a entidade de 127 anos de idade anunciará se aprovou em princípio a introdução da tecnologia da linha do gol.
Depois de nove meses de avaliações na Inglaterra, Alemanha, Hungria e Itália, ainda permanecem os sistemas de duas empresas: Hawk-Eye e GoalRef. Na véspera do dia que encerrará a segunda fase de testes, a GoalRef passou hoje por avaliações práticas na sede do clube alemão Nuremberg. Os testes de barreira de impacto foram monitorados não apenas por Rolf Staempli e Michael Koster do instituto independente EMPA, mas também por um grande grupo de jornalistas alemães e suíços.
A avaliação de impacto é somente um elemento da rigorosa análise da EMPA. Posicionada a seis metros do gol, uma máquina arremessa bolas na direção de uma barreira com dimensões semelhantes às de um goleiro (1,90 m de altura). Com o objetivo de determinar a precisão dinâmica da tecnologia, a barreira começa na frente da linha do gol e depois é movida gradualmente para trás, até estar finalmente atrás da linha.
A bola bate na barreira de impacto em velocidades entre 50 e 120 km/h, com câmeras de alta definição verificando se ela cruzou a linha ou não. Se o arremesso resulta em gol, um sinal vibratório e visual é enviado em menos de um segundo ao relógio dos avaliadores.
O gerente de comunicação e relações públicas da GoalRef, Rene Dunkler, explicou o sistema aos jornalistas presentes e para o FIFA.com. "O nosso sistema funciona em cada meta, com dez antenas plastificadas montadas nos postes e no travessão. Parcialmente abaixo do solo, um transmissor está conectado a um processador. Três bobinas eletrônicas ficam dentro da bola, entre a bexiga e os painéis. Quando a bola entra no gol, o sistema de antenas é ativado e movimenta o processador. Assim que o campo magnético é cruzado, sinalizando um gol, um sinal de radiofrequência sem fio é transmitido ao relógio do árbitro. Acreditamos que podemos fazer tudo isso em menos de meio segundo."
"Imagine um lago sem vento, com a água completamente parada", prosseguiu, fazendo uma comparação. "Então, se começa a chover, o primeiro pingo perturba a superfície da água. Ao atravessar o campo magnético, a bola 'perturba' o nosso sistema, e nós podemos identificar que ela cruzou a linha do gol." Os testes em Nuremberg continuarão nesta noite sob luz artificial e serão concluídos amanhã em um jogo-treino.


"Ao atravessar o campo magnético, a bola "perturba" o nosso sistema, e nós podemos identificar que ela cruzou a linha do gol

Rene Dunkler, gerente de comunicação e relações públicas da GoalRef"

 Divulgação
Do handebol ao futebol
A dinamarquesa GoalRef se originou de um sistema desenvolvido para a Federação Internacional de Handebol. Inicialmente com progresso limitado por causa da falta de apoio financeiro, ela começou a trabalhar com a organização alemã Fraunhofer IIS em 2011 e entrou na primeira fase de testes já em fevereiro do ano passado. A Fraunhofer agora é a principal parceira dos inventores da tecnologia. A empresa também está atualmente estudando soluções para aplicação em futsal e showbol.

"A Fraunhofer IIS faz parte de uma organização com 60 diferentes institutos, e todos nós somos organismos de pesquisa aplicada", explicou Ingmar Bretz, chefe de projeto da GoalRef. "Desenvolvemos produtos e depois os licenciamos. Também trabalhamos com desenvolvimento de produtos, desenvolvendo tecnologias para diferentes empresas. Um dos nossos mais conhecidos sucessos é o MP3, que foi desenvolvido na nossa sede em Erlangen."

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Wilton Sampaio: a beira do sucesso


Rubens Maranho (in memoriam), afirmava nas suas preleções que o estado de espírito do árbitro ordena positiva e/ou negativamente o clima dentro e/ou fora do campo de jogo. Já Pierluigi Collina, disse na sua palestra ao sexteto de árbitros que laborou na decisão da Eurocopa/2012, no prélio Espanha x Itália, que os árbitros quando são designados para eventos de excelência devem ter equilíbrio, inteligência, frieza, imparcialidade, educação e quando as circunstâncias exigirem uma tomada de decisão mais acentuada, energia na condução de uma partida. E, ao finalizar sua preleção, Collina, especificou que todos que ali estavam eram possuidores de talento, aptidão e sorte.

                                       Wilton Pereira Sampaio ao centro
Dito isto, embora não atue nas competições da Uefa, não ostente o escudo da Fifa, nunca foi orientado por Pierluigi Collina, Wilton Pereira Sampaio (foto/Asp/Fifa/GO), o árbitro designado pela CBF para dirigir o primeiro jogo decisivo da Copa do Brasil entre Palmeiras/SP x Coritiba/PR, na próxima quinta-feira, está muito próximo de atingir o patamar acima descrito e se tornar um dos melhores homens de preto do futebol brasileiro, e quiçá inserir seu nome entre os pré-selecionados para o Mundial de 2014. Este processo poderá ter um avanço significativo, a partir  da sua atuação na Arena Barueri e do trabalho em equipe que deverá realizar na companhia dos assistentes Alessandro Rocha Matos e Fabrício Vilarinho.
PS: Paulo Cesar de Oliveira (Fifa/SP), no jogo Grêmio/RS x Atlético/MG deu um exemplo negativo quando ao admoestar  verbalmente o atacante Andre Lima, do Tricolor dos Pampas,  foi empurrado de forma acintosa e aceitou o gesto aqui mencionado de forma passiva. Nenhum árbitro deve permitir tamanha indisciplina, que dirá um árbitro da Fifa.

domingo, 1 de julho de 2012

Raio-X da arbitragem

Chamem o professor Helsen (1)
Se o professor Werner Helsen, que é o preparador físico dos árbitros das competições da Fifa, decidisse vir ao Brasil de surpresa e realizasse um teste físico nos apitos que compõe o quadro de arbitragem da CBF, principalmente naqueles que ostentam o escudo da entidade internacional, a situação iria ficar preta: não tenho dúvidas em afirmar que a Fifa mudaria a metodologia adotada no seu teste físico ou então reprovaria alguns figurões do apito, que apresentam índice de massa corpórea incompatível com as medidas exigidas na atualidade.

Chamem o professor Helsen (2)     
Além de ser  preparador físico dos árbitros da Fifa, Werner Helsen exerce a mesma função junto a Uefa. É importante destacar que, Helsen é PhD pela Universidade Louvre (Bélgica) na cadeira de educação física.

Dois pesos e duas medidas (1)
Ao escalar árbitros e assistentes que não realizaram o teste físico e teórico no ano em curso nas suas competições, a CA/CBF retrocede no tempo ao adotar critérios diferenciados entre os membros do quadro nacional.

Dois pesos e duas medidas (2)
Ao compactuar com tamanho descalabro, os responsáveis pelo setor das arbitragens da CBF, além de desferirem uma bofetada na face daqueles que se prepararam adequadamente e não são escalados, contribuem para a piora da qualidade da arbitragem nacional, que, diga-se de passagem, após a 7ª rodada apresenta índices técnicos, físicos, táticos e psicológicos sofríveis.
Eles pensam que a Fifa não sabe
É bom lembrar a CA/CBF e aos árbitros brasileiros pré-selecionados para a Copa do Mundo de 2014, que Carlos Alarcón, presidente da Comissão de Árbitros da Conmebol, Massimo Busacca, chefe de arbitragem da Fifa e Angel Maria Villar, presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa, possuem observadores de arbitragem espalhados por todo o planeta e são informados diariamente de todos os fatos pertinentes aos homens de preto. 

Quem apita  (1)

Palmeiras x Coritiba, iniciam na quinta-feira a decisão da Copa do Brasil. Se no Brasileirão o nível da arbitragem é sofrível, nesta competição a qualidade do desempenho dos homens do apito é satisfatória. Ricardo Marques Ribeiro (Fifa/MG) e Wilton Pereira Sampaio (Asp/Fifa/GO), foram os destaques até o momento.

Quem apita (2)
A imprensa, os dirigentes, os clubes  e sobretudo o torcedor que paga o seu ingresso, esperam  que a CA/CBF indique para as duas partidas decisivas, um grupo de árbitros comprometidos com o futebol e  com o cumprimento das Regras do Jogo de Futebol na sua essência.

 A Fifa vai decidir (1)

A Fifa decide na quinta-feira (5), em Zurique, se implementa ou não a tecnologia (bola com chip) - para auxiliar a arbitragem a dirimir lances polêmicos. Dois sistemas de tecnologia foram testados exaustivamente na linha do gol. O Hawk-Eye e o GoalRef. Ambos foram aprovados nos testes científicos impostos pelo International Board.  No entanto, o Board informou na semana que passou, que o sistema que a vier a ser aprovado será considerado um auxílio à arbitragem, mas a decisão final do lance continuará sendo do árbitro. 

A  Fifa vai decidir (2)     

Fotos: Divulgação
    
 Após o gol do meia inglês Lampard na Copa da África do Sul contra a Alemanha, quando a bola ultrapassou a linha de meta em 37 centímetros e o árbitro Jorge Larrionda e seu compatriota Mauricio Espinosa  não viram a bola entrar,  Joseph Blatter, presidente da Fifa, prometeu rever a questão da introdução da eletrônica no futebol para ajudar os árbitros.  No último dia 20, no jogo Ucrânia x Inglaterra pela Eurocopa, aos 15 minutos da segunda fase, o ucraniano Milevskiy deu um ótimo passe para Devic, que invadiu a área e chutou na saída do goleiro Hart. A bola tocou no goleiro inglês e após cruzar a linha de meta em 22 centímetros foi afastada pelo defensor John Terry. A bola não só ultrapassou a linha de meta como o assistente adicional que estava atrás do gol também não viu a pelota entrar. Questionado novamente sobre o tema, Blatter afirmou que a bola com chip é uma necessidade e deverá ser implementada já na Copa das Confederações em 2013, no Brasil e no Mundial de 2014.
 

Árbitro da decisão da Libertadores tem Castrilli como referência

Javier Castrilli também coleciona arbitragens polêmicas na Argentina. Foto: AFP 
Javier Castrilli também coleciona arbitragens polêmicas na Argentina
Foto: AFP

O Boca Juniors deixou La Bombonera após o empate por 1 a 1 com o Corinthians na primeira partida da final da Copa Libertadores reclamando do árbitro chileno Enrique Osses, principalmente o meia Juan Román Riquelme, que o acusou de "se fazer de idiota". O responsável por apitar o jogo decisivo, quarta-feira, às 21h50 (de Brasília), no Estádio do Pacaembu, será o colombiano Wilmar Roldán, que disse se espelhar em um velho conhecido das torcidas corintiana e xeneize: o argentino Javier Castrilli.
Em entrevista publicada no jornal Olé, o colombiano Wilmar Roldán declarou que se inspirou no começo de carreira no árbitro argentino Javier Castrilli. Na segunda partida da semifinal do Campeonato Paulista de 1998 entre Corinthians e Portuguesa, Castrilli foi convidado pela Federação Paulista de Futebol (FPF) para comandar o duelo. A partida terminou 2 a 2 e o clube alvinegro conquistou a classificação para a decisão.
E até hoje a Portuguesa acusa o argentino de beneficiar o Corinthians naquela partida. Castrilli marcou dois pênaltis para o clube de Parque São Jorge. No primeiro, Evair segurou Cris na área após cobrança de escanteio e a equipe rubro-verde reclamou por achar ser um lance corriqueiro de jogo. O último, ele apontou para a marca da cal após enxergar o zagueiro Cesar cortar um cruzamento com a mão, quando na verdade dominou com a barriga. Marcelinho e Rincón converteram as duas penalidades e garantiram o time alvinegro na final.
Sem saber da polêmica causada pelo árbitro no Brasil, o Olé publicou "A volta de Castrilli", repercutindo as declarações de Roldán de que o argentino foi uma "referência" no começo da carreira, assim como o italiano Pierluigi Colina e o compatriota Oscar Ruiz. O diário afirma que o estilo do colombiano é duro e que "assusta a muitos" pelo "estilo peculiar" de apitar.
Apesar de ter comandado dois jogos do Boca Juniors na Copa Libertadores, as vitórias por 3 a 2 sobre o Unión Española pela partida de voltas das oitavas de final em Santiago e 2 a 0 sobre a Universidad de Chile em La Bombonera, pela semifinal, Roldán pode assustar o "vestiário" do Boca Juniors, segundo o jornal. Mas tudo por conta da comparação com Castrilli.
E em muito por um duelo pelo Torneio Clausura do Campeonato Argentino de 1996. No dia 16 de junho daquele ano, o Vélez Sarsfield goleou o clube azul e dourado por 5 a 1 em duelo que Castrilli expulsou três atletas xeneizes, entre eles Diego Maradona. Além dos dois gols do goleiro paraguaio José Luis Chilavert e das expulsões, o jogo ficou marcado pela validação de um gol em que a bola não entrou e a reclamação de um pênalti marcado, parecido com o que o árbitro marcou no Corinthians x Portuguesa.
Outra partida que marcou o estilo rígido de Javier Castrilli no futebol argentino foi a goleada do Newell's Old Boys do técnico Marcelo Bielsa sobre o River Plate por 5 a 0 pelo Torneio Clausura do Campeonato Argentino de 1992, em pleno Monumental de Núñez. O árbitro expulsou três atletas em sequência (Acosta, Comizzo, Basualdo), por reclamação, quando os times empatavam sem gols.
No decorrer da partida que valia a liderança naquele 10 de maio, Higuain também recebeu cartão amarelo. E o time de Rosário foi campeão justamente por dois pontos - vitória começou a valer três pontos depois da Copa do Mundo de 1994 - sobre o Vélez Sarsfield e o Deportivo Español. Menos de um mês depois do duelo, o Newell's perdeu o título da Copa Libertadores para o São Paulo no Morumbi.
Fonte: www.terraesportes