quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Árbitros lutam pela autonomia profissional



O 33º Congresso das Entidades de Classe e Árbitros de Futebol, que acontece a partir desta sexta-feira (8), até domingo em Belém (Pará), deverá apresentar  duas vertentes: a primeira, majoritária que visa o continuísmo do “status quo” vigente, com o discurso de “fortalecer” a Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf).  A segunda, minoritária deseja que no congresso em tela, seja instituída uma comissão que viabilize mecanismos para a criação da  Federação Brasileira de Árbitros de Futebol, com o escopo de alavancar e desenvolver melhorias aos árbitros de futebol de todo o País.
Nunca é demais lembrar que Anaf não é reconhecida pelo ministério do Trabalho e Emprego, porque, não preenche os requisitos básicos exigidos  por Lei. Além do exposto, a Anaf  não encontra amparo jurídico conforme o Decreto Lei nº 5452, de 1º de maio de 1943, que versa sobre a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Portanto, a proposta “majoritária” de continuidade e fortalecimento da Anaf não encontra guarida, é um retrocesso e se mantida a ideia vai mergulhar a arbitragem brasileira num abismo. Além disso, impedirá avanços significativos do árbitro e seus assistentes na direção de conquistarem a credibilidade nas tomadas de decisões no campo de jogo. O modelo atual está esgotado e são raros os árbitros que conseguem manter qualidade nas suas decisões.
Quanto a formação de uma comissão para a implementação de uma Federação, entendo que as perspectivas são promissoras e deve constar das discussões que acontecerão em Belém. Sobretudo, porque uma entidade em consonância com a legislação vigente junto ao ministério do Trabalho e Emprego e que esteja amparada pela (CLT), tem a legitimidade que falta à Anaf.   
Legitimidade para reivindicar, aprimorar e consolidar o Decreto Lei nº 12.867, que reconheceu a atividade do árbitro como profissional em todo o País, no último dia 11 de outubro e nada mais.  Explico: Quem leu ou ler o Projeto de Lei nº 6405/2002, na sua formatação original, vai observar o desvirtuamento e o esfacelamento total que sofreu o nominado projeto ao longo dos últimos onze anos, pela ausência de uma instituição legitimamente constituída junto aos órgãos mencionados acima.
Quanto aos que me enviaram e-mails questionando o porquê  da acidez das minhas colocações aqui neste espaço, contrárias aos dirigentes da Anaf  informo que: Não tenho nenhuma pretensão em fazer parte de associação, sindicato ou federação. Não desmereci o que fez Anaf até o presente instante, pelo contrário: seus dirigentes na nossa opinião, se não realizaram o esperado pela categoria dos homens de preto, acredito, foi porque a Anaf não preencheu o estabelecido pela lei, pelo apego ao cargo e pelas limitações que são inerentes a natureza humana. 
Foto: Apito do Bicudo
PS: Marcelo de Lima Henrique (Foto/Fifa/RJ), o melhor árbitro do Campeonato Brasileiro do ano em curso, na semifinal da Copa do Brasil envolvendo Grêmio/RS 0 x 0 Atlético/PR, no Olímpico em Porto Alegre, fez o que a Fifa espera de um excelente árbitro: "Arbitrar bem é sentir o jogo para possibilitar seu desenvolvimento natural, somente interferindo para cumprimento das Regras de Futebol e, especialmente, do seu espírito que é punir o infrator".  

Violência nos estádios

www.conjur.com.br

Torcida organizada Independente é suspensa dos estádios

Brigas entre integrantes de torcidas organizadas colocam diversas vidas em risco e geram péssima repercussão para a sociedade e o futebol brasileiro. Esse foi o argumento utilizado pela juíza Eliane Faria Evaristo, da 20ª Vara Cível da Comarca de São Paulo, para acolher em caráter liminar pedido de suspensão da torcida organizada Independente, do São Paulo. O pedido foi feito pelo Ministério Público de São Paulo como consequência da briga entre membros da Independente e da Gaviões da Fiel, organizada do Corinthians, na Marginal Tietê, após o clássico entre os dois times no dia 13 de outubro.
A juíza afirmou que os conflitos entre torcedores organizados já causaram inúmeras mortes e provocaram graves prejuízos a bens públicos e particulares. Ela disse que o caso em questão foi amplamente comprovado pela imprensa. Torcedores e um policial militar ficaram feridos e, segundo Eliane Evaristo, foram apreendidas 14 barras de ferro, três rojões, chaves de fenda, uma tesoura desmontada para o conflito e facas de cozinha.
Ela apontou que há fumus boni iuris na alegação, feita pelo Ministério Público, de que a Independente promoveu tumulto e praticou atos de violência. Ao afastar-se “de seus fins lícitos”, a torcida organizada desrespeitou o artigo 5º, inciso XVII, da Constituição. Isso levou a juíza a determinar a suspensão das atividades da Independente até a conclusão da Ação Civil Pública, sob pena de multa diária de R$ 30 mil. Eliane Faria Evaristo também proibiu que os sócios da torcida organizada entrem em estádios utilizando “elementos indicativos” da agremiação.
Corinthians
O Ministério Público de São Paulo também apresentou Ação Civil Pública com o mesmo propósito contra a Gaviões da Fiel. O caso foi distribuído para a 9ª Vara Cível, e o juiz Wander Benassi Junior rejeitou o pedido de suspensão em caráter liminar. Ele alegou que “a narrativa trazida na petição inicial é, até o momento, genérica, não permitindo verificação dos requisitos de verossimilhança e urgência em relação a fato específico”.
O juiz pediu que sejam identificados os fatos abrangidos pela ação. O Ministério Público, de acordo com ele, também deve esclarecer porque a Independente — ou qualquer outra torcida organizada do São Paulo — não foi incluída no polo passivo da ação, já que o caso decorre de briga entre ambas. Wander Junior também questiona a falta de vídeos e documentos relativos ao fato oriundos da Federação Paulista de Futebol.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Notícias do apito




Foto: Valdir Bicudo

Arbitragem escocesa na final
Craig Thomson, 41 anos, árbitro internacional desde 2003, (Fifa/Escócia), será o árbitro da final do Mundial Sub-17, entre Nigéria x México, na sexta-feira (8), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.


Atenção: Eis os quesitos
Na entrevista que concedeu à revista The Fifa Weekly, o preparador técnico de arbitragem da entidade que controla o futebol no planeta, Massimo Busacca, perguntado quais são os principais quesitos que estão sendo ministrados aos apitos pré-selecionados para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, respondeu: 1) performance impecável e concentração máxima, antes, durante e após as partidas. 2) Demonstração de capacidade, para quando tomar decisões o faça baseada em critérios uniformes e consistentes ao longo de toda a competição. 3) Tomar atitudes rápidas e objetivas nos jogos, objetivando evitar questionamentos e possíveis transtornos. 4) Compreender as diferentes culturas futebolísticas e a mentalidade dos atletas de outras Nações. Neste quesito, a orientação da Fifa aos homens do apito pré-selecionados, é no sentido de assistirem vários campeonatos para entenderem o “modus operandi” dos atletas. 5) Ótimo posicionamento para observar e, a posteriori, interpretar e aplicar a regra de acordo com o que aconteceu. 

Questão complexa
O programa Sensacionalista do canal Multishow, foi às ruas e perguntou ao público o que é impedimento no futebol – Regra XI. Vinte pessoas foram entrevistadas e nenhuma conseguiu definir adequadamente o significado do denominado “Off side”. Diante do exposto, é imperativo que quem narra futebol, faz reportagens, comenta, transmite e se arvora em emitir opinião sobre as Regras de Futebol, deve fazê-lo adequadamente ao torcedor. Até porque, a missão principal da imprensa em qualquer ramo de atuação é informar corretamente a população.  

Jovem apito
Jordânia x Uruguai, jogam a primeira partida da repescagem no próximo dia 13, em Amã. A Fifa designou para apitar esse confronto, Sveir Moen (Fifa/Suécia), de 34 anos, um dos mais jovens apitos da entidade internacional, que deve aportar no Brasil em 2014.  Moen, está apitando o Sub-17 nos Emirados Árabes, que termina no próximo dia 8, e, como está próximo de Amã, capital da Jordânia, fica por lá. O jogo da volta, será realizado em 20 de novembro, em Montevidéu, no estádio Centenário e terá a arbitragem de Jonas Eriksson (Fifa/Suécia). 

Alerta foi feito
Quem leu as últimas colunas publicadas aqui neste espaço, no mês de dezembro do ano que passou, lembrar-se à do alerta que fiz a respeito aos árbitros da Federação Paranaense de Futebol (FPF), que fazem parte da Relação Nacional de Árbitros (Renaf), em relação as escalas nas competições da CBF nesta temporada. Com a anunciada desistência de Evandro Rogério Romam e a mudança de endereço de Heber Roberto Lopes, ambos do quadro da Fifa, e sem apitos com qualidade para substituí-los no cenário nacional, os paranaenses ficaram sem referência na CBF. Isto, praticamente matou o quadro de arbitragem do Paraná neste ano. Mas o pior é que a curto e médio prazo,  não há a menor expectativa para os apitadores da casa Gêneris Calvo, no que tange as competições da CBF. 

Entidade: luta continua
O encontro das entidades sindicais de arbitragem e de árbitros de futebol em Belém (Pará), que acontece a partir da próxima quinta-feira (7), poderá discutir a criação de uma nova instituição que tenha legitimidade constitucional de acordo com o Art. 8º da Constituição Brasileira e atenda as exigências contidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Explico: a Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf), não preenche os requisitos mínimos exigidos pela Constituição e pela (CLT), o que inviabiliza a sua continuidade como entidade representativa dos homens de preto não só perante a CBF, clubes, mas, sobretudo, perante o ministério do Trabalho e Emprego.

Reflexão cuidadosa
O tema se levado a sério, exige dos participantes daquele evento uma reflexão cuidadosa no sentido de uma nova opção classista, que se enquadre dentro da legislação vigente no País, e, que tenha um projeto para realizar as mudanças que a arbitragem brasileira tanto precisa.  Transformações que visam obter credibilidade nas tomadas de decisões do árbitro no campo de jogo, perante a imprensa, os atletas, os dirigentes e, principalmente, do torcedor, o grande consumidor do produto futebol.

Independência ou morte!
Um sindicato ou uma federação trabalhista legitimamente constituída, irá proporcionar as entidades sindicais e a categoria dos apitadores, a tão sonhada independência para discutir e celebrar contratos de patrocínios nos uniformes dos árbitros, o direito de arena, a formatação de uma verdadeira escola de formação de árbitros, a realização de painéis, seminários, congressos, sem ter que dar satisfação a CBF, federações de futebol, comissões de arbitragem e outros parasitas que utilizam o árbitro no Brasil como moeda de troca.

 Melhor do Brasil
A indicação de Marcelo de Lima Henrique (foto/Fifa/RJ), para dirigir a segunda partida da semifinal da Copa do Brasil, entre Grêmio/RS x Atlético/PR, em Porto Alegre, na quarta-feira, é o reconhecimento ao excelente trabalho que vem desenvolvendo o melhor árbitro do Campeonato Brasileiro do ano em curso.

       

domingo, 3 de novembro de 2013

Visão, competência e administração

Quando trilar o seu apito na próxima terça-feira, às 18h no estádio Al Maktoum, em Dubai (Emirados Árabes),  na semifinal entre Nigéria x Suécia, do Mundial Sub-17 da Fifa, o árbitro Heber Roberto Lopes (foto/Fifa/SC), poderá inserir seu nome definitivamente entre os 32 apitos selecionados pela entidade que controla o futebol no planeta,  para a Copa de 2014, no Brasil.
Além da presença confirmada de Joseph Blatter, presidente da Fifa, de Jim Boyce,  presidente da Comissão de Arbitragem da entidade internacional, de Massimo Bussaca,  diretor técnico dos apitos  e do grupo técnico de estudos da Fifa, a partida em tela será transmitida para cento e oitenta e seis Países.
Lopes, que um dia desfilou suas qualidades extraordinárias nos campos do futebol paranaense,  mas nunca recebeu o devido reconhecimento,  ao final do ano que passou, sentindo-se desprestigiado e  observando a forma “amadora” com era gerido os destinos do futebol da terra dos pinherais, decidiu buscar novos ares.
Foi aí que recebeu substancioso convite da Federação Catarinense de Futebol, via o Dr. Delfim de Pádua Peixoto, que é o seu presidente. E, após algumas tratativas,  assinou contrato e tornou-se o árbitro de futebol mais bem pago do futebol pentacampeão do mundo.  
 Divulgação
Ressalte-se ainda que,  Heber Roberto Lopes é de Londrina (PR), formado em educação física e atualmente cursa o terceiro ano de jornalismo na Univale, em Joinvile (SC).  E quando laborava na Federação Paranaense de Futebol, sequer fazia parte do processo seletivo dos homens de preto com vistas ao Mundial do ano que vem.
A chegada de Lopes ao patamar atual, é fruto de uma parceria de excelência entre o indigitado árbitro e a Federação Catarinense de Futebol e o seu quadro de  arbitragem, que ao lado do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, implementaram o curso de capacitação continuada aos seus apitos em parceria com os respectivos sindicatos.

Chegou o dia em que os árbitros dizem: deixem-nos trabalhar


Os árbitros portugueses são a partir da última sexta-feira profissionais. O que é que isto quer dizer? Que vão ganhar dinheiro para arbitrar? Já ganhavam. Que vão deixar de errar nos jogos? Impossível enquanto forem humanos. Quer dizer que vão fazer da arbitragem o seu ofício principal (mesmo que possa não sê-lo em exclusivo). As perguntas que uns fazem e as respostas que outros dão poderão continuar por muito tempo depois de a profissionalização ter começado na arbitragem portuguesa. O que é que muda então? Mudam as condições em que os árbitros vão desempenhar a sua função, cuja última etapa é dirigir os jogos. 

De que é que os árbitros se queixa(va)m? A súmula foi feita na sexta-feira  passada pelo presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) como preâmbulo do caminho apresentado para a melhor arbitragem possível. Foram apontados por Vítor Pereira os problemas nos centros de treino em relação às condições de trabalho, ao acompanhamento médico ou à inexistência de trabalho de apoio ao jogo. Acresciam as estas dificuldades técnicas o conflito profissional com outra atividade principal que tirava tempo de treino. E não foram esquecidos os problemas pessoais ao nível das consequências familiares do exercício de uma atividade até hoje «extra».

Nos calendários e mapas disponibilizados pela FPF podem ver-se as horas dedicadas ao treino pelos árbitros e árbitros assistentes durante a semana e, também, a composição dos centros de treino existentes.





A partir de agora, aqueles problemas enunciados pelo presidente do CA podem ser eliminados com a passagem da arbitragem a profissão de quem a exerce. Os árbitros profissionais vão agora ficar localizados obrigatoriamente em dois centros de treino: o da Maia e o do Monte da Galega. Vão passar a ter mais do dobro das horas de treino, vão trabalhar durante as semanas com uma equipe de vários técnicos de várias áreas para que o trabalho ao fim de semana nos jogos nacionais e – também nos jogos internacionais – tenha por base a melhor preparação possível. (Esta é uma situação que começa em fase de transição a meio desta época 2013/14, depois de um projeto-piloto iniciado em 2010. A sua otimização aparecerá na temporada 2014/15.)

Nos centros técnicos para árbitros profissionais, as condições vão ser como nunca houve. Serão nove os juízes de campo que vão começar esta nova fase da arbitragem portuguesa, os árbitros portugueses com insígnias Fifa: Olegário Benquerença (44 anos); Pedro Proença (43 anos); Duarte Gomes (40 anos); Jorge Sousa (38 anos); Carlos Xistra (39 anos); Artur Soares Dias (34 anos); João Capela (39 anos); Hugo Miguel (36 anos); e Marco Ferreira (36 anos).



Com os defeitos apontados e com as mudanças aplicadas, Pedro Henriques explicou ao Mais futebol com exemplos práticos no que se traduz a nova profissionalização dos árbitros. A grande vantagem não é os árbitros terem mais tempo. Isso é uma consequência. A grande vantagem é que vai haver profissionais de vários setores a fazer coisas que os árbitros nunca fizeram [para melhorar o trabalho destes].

O comentador de arbitragem da TVI concretiza a explicação lembrando quando fez um trabalho de formação com José Peseiro que incluía a análise do treinador à forma de jogar das equipes que o antigo árbitro ia dirigir. Pedro Henriques recorda como esse trabalho foi útil, por exemplo, para fazer a sua movimentação em campo dado que já sabia, por outro exemplo, como a equipe A defendia nos cantos ou como os seus jogadores faziam as marcações aos adversários.

O mesmo se passará após os jogos. Os profissionais que vão ajudar os árbitros serão alguém de fora que percebe de arbitragem e que vai fazer o debriefing, a análise ao desempenho da equipe de arbitragem para detectar as incorreções realizadas. Pedro Henriques lembra também quando Howard Webb veio a Portugal como árbitro profissional inglês explicar como fazia a recuperação de um dia para o outro após o jogo, ou como era assistido por um nutricionista para saber o que comer. Ou do exemplo que o comentador da TVI dá de si próprio quando tinha de ir tratar-se onde pudesse quando estava lesionado. Os árbitros agora vão poder ser assistidos por médicos nos centros de treino onde estão.

Pedro Henriques lembra também a importância do dia seguinte a um mau jogo de um árbitro. A partir do ponto de vista de quem já não terá outra profissão para voltar no dia seguinte. Se o jogo correu mal, já não tenho de ir para o emprego ouvir que deixei de assinalar um pênalti, se calhar logo no transporte para o emprego... O árbitro no dia seguinte descansa, vai para o centro de treino, não tem comentários depreciativos porque está é com a sua equipe e vão é analisar o que correu mal, explica. E evita-se também todo o desgaste familiar.

Na próxima temporada, os centros de treino terão a sua capacidade reforçada, a par com a intensificação em pleno do horário de trabalho dos árbitros.





Como estratégia diretiva desta estrutura, a FPF tem como intenção a criação de [uma] entidade gestora da arbitragem do futebol profissional, a solidificação da estrutura técnica de apoio para sustentar a gestão da arbitragem tendo em vista a constituição de [um] quadro de árbitros e assistentes com vínculo laboral. O propósito é o de maximixar receitas do espetáculo e pela garantia da imparcialidade do jogo bem como subir do atual 6º lugar do ranking para o top 5 mundial.

Os objetivos são também claramente definidos: desde aumentar o prestígio da competição pela otimização das competências das equipes de arbitragem e melhoria dos seus desempenhos até aumentar a margem de acerto e eficácia para que também se consiga aumentar a competitividade internacional. Mas Vítor Pereira assume também, entretanto, o que todos assumem: o novo modelo de arbitragem não vai acabar com os erros. Mas vai diminui-los e tornar a arbitragem mais competitiva, garantiu. Pedro Henriques reforça que é impossível conseguir não falhar uma decisão porque é tudo tão rápido, mas que os erros vão ser reduzidos e vai aumentar a competência.

Questão é de mais competência, não apenas de dinheiro. Duarte Gomes alinhou também pelo afastamento do dinheiro do papel principal mostrando nas redes sociais a sua reação ao arranque da arbitragem profissional. Profissionalizar a arbitragem não terminará com os erros. Tal como profissionalizar futebolistas não trouxe perfeição ao jogo, disse o árbitro Fifa, porém frisando que, agora é possível passar a errar menos. Muito menos, salientou.

E o árbitro não deixa de referir a questão do dinheiro que os árbitros vão ganhar apontando que o que realmente oferece mais qualidade ao desempenho é o trabalho, associado obviamente ao talento de cada um. Tal como acontece em qualquer atividade, lembra. Vítor Pereira destacou também que esta é mais uma questão de qualidade, já que a profissionalização não é só uma questão financeira.

Atualmente, os árbitros ganham: Subsídio de jogo;
Prêmio de jogo:
Recebem os seus patrocínios.

A partir deste do dia 1º de novembro até 30 de maio de 2014, os árbitros profissionais vão ganhar:
Salário de 2.500 euros (brutos)
Prêmio de jogo;
Patrocínios.

A partir de 2014/15 e nas temporadas seguintes haverá três grupos (G1, G2 e G3) por ordem de competência:
Salário de 12 meses
Prêmio de jogo
Bonus de desempenho.

A cargo da FPF ficarão o ordenado, as instalações e os equipamentos, a disponibilização das equipes técnicas e de fisioterapia bem como o acompanhamento médico, assim como o pagamentos dos seguros obrigatórios, como os de acidentes pessoais. A cargo dos árbitros profissionais ficarão as deslocações e estadias, as contribuições ficais e para a segurança social, bem como os seguros não obrigatórios para a FPF, como os de acidente de trabalho, de doença etc.. Vítor Pereira esclareceu que, no caso de um árbitro pago com recibo se lesionar e não puder trabalhar ,não há salário. Ou os árbitros estão aptos e recebem salário ou então haverá um seguro de saúde, que eles terão de fazer.

Atenção às avaliações

Na presente época vai haver os nove árbitros profissionais que já se referiu, na próxima a intenção é ter 12 a 14 árbitros e dez árbitros assistentes Fifa profissionais e, em 2015/16, subir o número de juízes de campo para o patamar entre 18 e 20.

O sistema de avaliações nesta época vai manter-se como até agora neste novo período que aqui começa, revelou Vítor Pereira. Mas Pedro Henriques aponta porém, uma questão que o presidente do CA tem de ter em conta. Há árbitros que vão ter mais condições e outros menos. E o próprio árbitro profissional não está sozinho em campo, faz parte de uma equipe. Pedro Henriques defende que Vítor Pereira tem de fazer um discurso para dentro para explicar claramente aos árbitros as avaliações porque vão surgir questionamentos.

O ex-árbitro analisa também que, dada a idade dos atuais árbitros em topo de carreira, quem vai beneficiar mais desta estrutura que está a ser montada são os árbitros que estão agora a começar, porque já vão apanhar [a máquina] em funcionamento. Mas, de uma coisa não tem dúvidas: Em termos de competências, um profissional é sempre mais habilitado do que um amador. Duarte Gomes deixa um apelo: Deixem-nos trabalhar afincadamente naquilo que mais gostamos para que possamos responder cabalmente àquilo que o futebol português mais merece: incremento de qualidade.

Fonte: Mais Futebol

sábado, 2 de novembro de 2013

Duarte Gomes: "Este era o único caminho possível"

Foto: Paulo Calado

"Este era e é o único caminho possível. Nós sentimos e sabemos que sim. Era incomportável manter como amadores um conjunto de pessoas com relevância preponderante neste espetáculo desportivo, quando todos os outros agentes são, há muito, profissionais. Jogadores, dirigentes, técnicos, roupeiros... E convém por isso desmistificar agora alguns fantasmas que se começam a desenhar.

É que nós - todos nós - somos assim. Pródigos em enumerar os defeitos em vez de valorizar os feitos.

Portanto, primeiro... confirma-se. Dinheiro não dá mais competência a ninguém. Verdade. Um salário bruto é apenas uma compensação financeira por uma opção laboral que, num determinado momento das vidas pessoais e profissionais, alguém tem que tomar. E aceitar um desafio profissional que mexe brutalmente com hábitos adquiridos e estabilidades pessoais e laborais pré-existentes, com vínculos de muitos e muitos anos, com rotinas instituídas, implica naturalmente muita ponderação pessoal e familiar, serenidade, pragmatismo e negociação.

"Para quem não sabe, recordo que o futebol português movimenta a, grosso modo, cerca de trezentos milhões de euros por ano. Trezentos milhões. Profissionalizar os árbitros nesta fase custa uma parte muito pequena de... um por cento desse montante.

Por favor... passemos à frente. O que realmente oferece mais qualidade ao desempenho é o trabalho, associado obviamente ao talento de cada um. Tal como acontece em qualquer outra área de atividade. Desengane-se quem pensa que duas tardes de "trabalho dedicado à arbitragem" significarão o salto da qualidade para a excelência. Não será assim, seguramente. Mas duas tardes de dedicação exclusiva são mais duas tardes do que aquelas que existem agora. E a médio prazo, as melhorias das performances serão, espera-se, evidentes", desenvolveu.

Para concluir:

"Profissionalizar a arbitragem não terminará por isso com os erros de arbitragem. Tal como profissionalizar futebolistas não trouxe perfeição ao jogo. Só assim se percebe que o mais talentoso dos jogadores continue a falhar nas grandes penalidades e o mais categorizado dos guarda-redes sofra golos inexplicáveis. Não eliminará erros... mas diminuirá. Aqueles ocorridos por falta de concentração momentânea, por mau posicionamento, os ocasionados por deficiente forma física ou até por descoordenação pontual com os colegas, tenderão a desaparecer, porque esses podem ser trabalhados, melhorados, evitados. Já aqueles que ocontecem por interpretação momentânea de um lance poderão ser sempre uma realidade. Nada a fazer. Mão na bola ou bola na mão... dentro ou fora da área... em linha ou ligeiramente adiantado... falta ou simulação... Não é possível, de fato, evitar a tragedia nacional que é errar em situações dessa natureza, de apreciação tão imediatista, tão pontual e inesperada... mas a boa notícia é que é realmente possível passarmos a errar menos. Muito menos. Por isso, mais do que criticar à partida um projeto que só hoje nasceu, mais do que olhar para o copo meio vazio quando ele também está meio cheio, mais do que reparar no acessório e negligenciar o essencial, façam o favor de nos dar o benefício da dúvida. Deixem-nos mostrar que queremos evoluir e aprender, queremos ser cada vez melhores, mais capazes e confiáveis. Não há ninguém que queira acertar mais do que o árbitro. Ninguém. O dia seguinte a um "jogo mau" pode ser verdadeiramente infernal, portanto... deixem-nos trabalhar afincadamente naquilo que mais gostamos para que possamos responder cabalmente aquilo que o futebol português mais nos merece: incremento de qualidade.

Somos pequeninos como Nação mas enormes a fabricarmos campeões, aqui e além-fronteiras. Permitam-nos o nosso modesto contributo na continuidade desse sucesso."

Profissionalização inicia com nove árbitros

Fotos: Paulo Calado

A primeira fase da profissionalização dos árbitros vai arrancar com os nove árbitros internacionais FIFA portugueses, anunciou o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Vítor Pereira (foto).

Pedro Proença, Olegário Benquerença, Duarte Gomes, Jorge Sousa, Carlos Xistra, Artur Soares Dias, João Capela, Hugo Miguel e Marco Ferreira são os nove árbitros que integram esta primeira fase de profissionalização, que decorrerá até final da época.


Vítor Pereira, que classificou o anúncio do novo modelo de profissionalização dos árbitros de futebol em Portugal como "um momento histórico para a arbitragem portuguesa e para a Federação Portuguesa de Futebol", disse que esta medida "não vai acabar com os erros [no futebol] em Portugal, mas certamente que vai diminuir".


De hoje até ao fim da presente temporada, a 30 de maio, os nove árbitros profissionais serão remunerados - em regime de prestação de serviços (recibo verde) - com 2.500 euros mensais brutos, mais prémio de jogo e patrocínios das camisolas.


"Na próxima época [2014-2015] a ideia é aumentar o lote para entre 12 a 14 árbitros e incluir os 10 árbitros assistentes internacionais", com um ordenado fixo - mas sempre em recibo verde - escalonado em três grupos, mais prémio de jogo e um bónus de desempenho no final da época determinado por critérios técnicos.


O responsável da arbitragem portuguesa explicou que a responsabilidade da FPF será a de pagar pela prestação do serviço, ceder as instalações e equipamento desportivo para os árbitros poderem treinar e fornecer as equipas técnicas, médicas e de fisioterapia, bem como os seguros que decorram da lei.


Aos árbitros cabe a responsabilidade de prestar o serviço contratado, bem como pagar as deslocações e estadias para os treinos, as contribuições fiscais e sociais e os seguros de saúde que não sejam da responsabilidade da FPF.


Na época de 2015-2016 e seguintes a ideia dos responsáveis da FPF é a de profissionalizar o pleno dos árbitros da categoria C1 e que operam nas competições profissionais e manter os 10 árbitros assistentes FIFA. No âmbito do novo modelo, e já na próxima época (2014-2015) os árbitros profissionais mais do duplicam as horas dedicadas aos treinos (das cerca de 176 horas atuais para mais de 350 horas semanais), todos os dias da semana, à exceção de quinta-feira, em dois centros de treino (ao contrário dos 8 atuais), um na Maia e outro na Amadora.


Todo o modelo será monitorizado por uma comissão de supervisão de três elementos, que inclui o próprio Vítor Pereira, o presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, José Fontelas Gomes, bem como Nuno Castro, vice-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF.


A estratégia para a profissionalização da arbitragem contempla também a criação de uma "entidade gestora da arbitragem do futebol profissional", sob a tutela da FPF. 

Fonte: Record/Portugal