Instrutores de arbitragem preconizam que um árbitro deve estar
posicionado a cerca de 17 metros da jogada para tomar as melhores
decisões. E a melhor maneira de estar tão próximo da bola no desenrolar
da partida durante os 90 minutos é uma só, correr. Em cada partida os
árbitros chegam a percorrer de 10 a 12 quilômetros no campo de jogo
enquanto acompanham os lances com a devida proximidade. A média dos
jogadores fica em 11 quilômetros por jogo, mas geralmente eles se
posicionam em determinadas zonas de atuação menores, o que os permite
ter pequenos descansos.
Comparado com outros esportes, o futebol exige mais de árbitros e
atletas. Veja o comparativo com as médias de distâncias percorridas. Baseball: 100 metros
– os atletas desta modalidade não são conhecidos por correr muito, ao
contrário, praticamente não se movimentam durante uma partida. Futebol Americano: 2 km
– a média na Liga Norte-americana (NFL) registra cerca de 11 minutos de
jogo ativo de fato. Os “receivers” e os “cornerbacks” são os que mais
correm durante uma partida. Basquete: 4,6 km – esporte
bem intenso, mas disputado em uma quadra de dimensões reduzidas. O
recorde na temporada de 2014 foi Jimmy Butler do Chicago Bulls, com uma
média de 5 km por partida. Tênis: 5km – Durante a
partida mais longa da história, em Wimbledon em 2010, estima-se que John
Isner e Nicholas Mahut correram cerca de 10 quilômetros cada durante as
11 horas e 5 minutos de jogo. Futebol: 11 km – futebol
é um dos esportes coletivos que mais exigem fisicamente, com uma média
de distância percorrida bem alta, além da alta intensidade. Os meio
campistas são os que mais correm, podendo superar os 14 km em uma
partida. “Quanto mais próximo da jogada, maior credibilidade temos em
nossas decisões” – comentou Mark Geiger, árbitro de 39 anos dos EUA que
apitou a Copa do Mundo 2014 no Brasil. “O jogo é muito rápido, damos
muitos tiros curtos e fazemos muitas corridas longas para estar sempre
próximos da jogada”. Geiger
é profissional desde 2004 e é o primeiro árbitro norte-americano em
uma Copa do Mundo desde 2002. Ele acredita que sua disciplina e
preparação física o ajudaram a estar pronto para atuar em alto nível. No
ano de 2014 ele aumentou seus treinamentos, usando técnicas como a
“tempo”, tiros curtos e “fartlek” para se preparar, estando apto a
caminhar, trotar e correr ao menos 10 km em cada partida. Como árbitro
profissional em tempo integral, Geiger atua pela MLS (Liga
Norte-americana) e trabalha para a PRO (Professional Referee
Organization) – Organização dos Árbitros Profissionais – uma empresa com
a missão de qualificar os árbitros na América do Norte. Parte dessa
melhoria vem da evolução do vigor físico dos árbitros, por isso a
entidade contratou 3 anos atrás o preparador físico e ex-jogador Matt
Hawkey. “O corpo humano é extremamente complexo. Ele não sabe se você é
um árbitro ou um jogador”, comenta Hawkey, que é um dos 5 treinadores de
árbitros dedicados no mundo. “Eu me preocupo com os níveis de força,
explosão, aeróbico e anaeróbico em cada arbitro”. A partir dessa
avaliação, ele monta um programa de treino individual para cada árbitro
empregado pela PRO. De acordo com Hawkey, se você que estar apto
fisicamente para atuar em alto nível, seu corpo precisa estar preparado
para lidar com frquentes tiros curtos e intensos por 90 minutos ou mais.
Um outro desafio é que as decisões mais críticas durante uma partida
acontecem quando o árbitro está mais cansado.
Matt Hawkey
“Nos últimos 15 minutos os jogadores e o árbitro estão cansados, mas
você precisa continuar”, diz Geiger. “Diversas vezes eu terminei a
partida sem forças de tanto correr”. O trabalho de Hawkey tem sido de
garantir que Geiger tenha energia e força de sobra para os momentos
críticos até o final da partida. Para isso ele programou uma série de
atividades físicas intervaladas que exigem mais do que uma partida de
futebol. “Eu vou estimular o Mark e dar o máximo de si, pois quero ver a
sua resposta”, cita o treinador. “Já perdi a conta do tanto que ele me
xingou pelos treinos puxados” – se diverte Hawkey. Um treino típico para
Geiger envolve uma série de tiros curtos com pouco ou nenhum tempo de
recuperação entre eles. Seguido de um exercício de agilidade ou
exercício mental para garantir que seu cérebro fique afiado quando seu
corpo estiver cansado. Estes exercícios exigem que o árbitro se
movimente aleatoriamente à esquerda, direita, para frente e para trás,
com foco nos movimentos de um companheiro, enquanto lançam e pegam uma
bola. O programa de treino foi desenhado não apenas para dar vigor, mas
também para melhorar a recuperação. Durante a temporada da MLS, Geiger
trabalhar em pelo menos 3 jogos por mês, sem considerar os torneios
internacionais. Suas pernas precisam estar relaxadas, tudo isso enquanto
viaja pelo país e o mundo afora. Se você acredita que possui o vigor de
um árbitro de futebol, o preparador físico sugere tentar completar um
teste físico padrão FIFA, que é um dos muitos requisitos para trabalhar
em jogos de nível internacional. O teste requer que se complete 6 tiros
de 40 metros em até 6,4 segundo, com 1 minuto e meio de recuperação
entre eles. Após 10 minutos de recuperação, é necessário completar 20
repetições na pista, que inclui uma corrida de 150 metros em 30 segundos
e uma caminhada de 50 metros em 40 segundos. É um exercício “fartlek”
que compreende 4 km em 22 minutos, atingindo uma velocidade média de 18
km/h. “Mas para mim, esse é o mínimo da exigência física para ser um
árbitro. Nossas exigências são maiores que estas”, enfatiza Hawkey. “Por
este motivo Geiger passou com facilidade nos testes da FIFA e cumpriu
bem seu papel na Copa do Mundo”. “Existe muita pressão. Há
muitas câmeras nessas partidas e todas as decisões serão analisadas sob
um microscópio. Procuramos manter o foco e acreditar nos nossos treinos
físicos e técnicos, e ter fé queu tomaremos as decisões corretas”.
Geiger finaliza dizendo que “os jogadores merecem árbitros de qualidade.
Se quisermos cumprir bem nosso papel, temos que dar um passo à frente e
atender às expectativas. É muito importante estarmos no topo da forma
física”.
PS: Este texto me foi enviado pelo amigo Daniel Destro do prestigiadíssimo site - [https://refnews.wordpress.com] - Refnews - Arbitragem de futebol em foco - que me dá a honra de estar linkado no seu sítio.
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