domingo, 15 de junho de 2014

Fifa vai bancar tecnologia após a Copa

Os 12 estádios brasileiros usados na Copa do Mundo terão disponível gratuitamente por um ano a tecnologia utilizada para determinar se a bola cruzou ou não a linha do gol.
O anúncio foi feito na sexta-feira que passou, pelo diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil. De acordo com o dirigente da entidade que controla o futebol no planeta, a entidade continuará arcando com os custos do sistema durante um ano após o Mundial. 
                                         Foto: GoalControl
Novidade tecnológica da última Copa das Confederações, o auxílio ao árbitro está sendo utilizado pela primeira vez no maior torneio de futebol do mundo.
O sistema alemão, chamado GoalControl 4-D, é formado por 14 câmeras espalhadas pelo gramado, sete focadas em cada gol, que capturam a posição da bola em campo.
Quando ela cruza completamente a linha do gol, os árbitros recebem em seus relógios um sinal via rádio informando a ocorrência do gol.
A tecnologia da linha do gol (TLG) da empresa alemã foi escolhida entre outros três fornecedores licenciados pela Fifa, que também participaram da concorrência. O aparato tem custo de instalação de US$ 260 mil (R$ 622,7 mil) e de operação por jogo de US$ 3,9 mil (R$ 9,3 mil) - segundo declarações de diretores da fabricante alemã.

PS: Em entrevista ao site Uefa.com, Michel Platini, presidente da entidade europeia, questionado sobre a implementação ou não da tecnologia nas competições da instituição que preside, respondeu:  "Até o presente momento, decidimos não usar a tecnologia na linha do gol nas nossas competições de clubes". "Porque iria custar muitos milhões de euros e nós preferimos usar esse dinheiro em projetos de descobrimento de novos árbitros e na capacitação continuada de nossos apitos". Para a Eurocopa 2016, há uma possibilidade de usarmos a tecnologia, mas sempre em conjunto com os nossos árbitros e árbitros assistentes adicionais. Este assunto será discutido pelo nosso Comitê de Arbitragem após o que o Comitê Executivo da Uefa, tomará a decisão final. Temos sido muito felizes com o experimento dos árbitros assistentes adicionais e acredito que é a melhor maneira de minimizar os erros cometidos nas zonas negras do campo de jogo.


PS (2) : Cüneyt Çakir (foto/Fifa/Turquia), 38 anos, árbitro internacional desde 2006, foi designado pelo Comitê de Arbitragem da Fifa, para dirigir na próxima terça-feira, Brasil x México, na Arena Fortaleza (Ceará).

 

sábado, 14 de junho de 2014

Após arbitragens polêmicas, Fifa revela a jornal fim de restrição a árbitros na Copa

Depois de polêmicas nos primeiros jogos da Copa do Mundo 2014, a Fifa rompeu com a regra que impedia árbitros de apitar partidas de seleções de seu continente
Jogadores da Croácia reclmama com árbitro Yuichi Nishimura durante partida contra o Brasil (© Getty)
Jogadores da Croácia reclamam com árbitro Yuichi Nishimura durante partida contra o Brasil
Depois de polêmicas nos primeiros jogos da Copa do Mundo 2014, a Fifa rompeu com a regra que impedia juízes de apitar partidas de seleções de seu continente.
As próximas partidas no Brasil poderão contar com juízes filiados à mesma confederação das equipes envolvidas mesmo em encontros diante de equipes de outras partes do planeta. A informação foi publicada pelo jornal Folha de São Paulo.
A revelação foi feita por Massimo Busacca, chefe de arbitragem da Fifa. A decisão aconteceu um dia depois da derrota da Croácia para o Brasil, partida decidida em favor do time sul-americano por conta de um erro do juiz japonês Yuichi Nishimura.
Nishimura foi escolhido pela impossibilidade de se escalar um árbitro da América do Sul ou da Europa, continentes com maior tradição no futebol.
"Levaremos em conta apenas a qualidade do árbitro. A questão do continente não vai nos travar", disse Busacca.
Com a mudança, o árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci, que está na Copa do Mundo, teria a possibilidade de apitar uma partida da Argentina, por exemplo.
Apesar da decisão de romper com a restrição em nome da qualidade, Busacca defendeu o árbitro da partida entre Croácia e Brasil, classificando o pênalti marcado no atacante brasileiro Fred como um lance difícil.
Por ESPN.com.br- espn.com.br

Blatter diz que árbitro acertou em pênalti sobre Fred

Copa
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, garante que o árbitro do jogo Brasil x Croácia estava “absolutamente certo” em dar o pênalti em Fred, que resultou no segundo gol da seleção. “Ele estava absolutamente certo”, disse Blatter no Rio de Janeiro. “Foi agarrado dentro área. A regra é que um pênalti deve ser marcado”, completou. A marcação de Yiuchi Nishimura no segundo tempo permitiu que a seleção virasse o jogo de abertura da Copa.
O time da Croácia chegou a chamar a situação de “ridícula” e de um “circo”, enquanto a imprensa mundial levantou a questão de se o Brasil estaria sendo ajudado. A Fifa rejeitou a tese da ajuda ao Brasil. Neste sábado, Blatter foi claro: “O jogo foi tenso do começo ao fim”. O cartola ainda comentou o jogo Espanha x Holanda e alertou que a Copa ainda aguarda outras surpresas. “Teremos muitas surpresas ainda”, disse. Mas insistiu que está “contente” com a qualidade do jogo.
“Começamos agora a Copa e estou feliz. A qualidade do futebol está muito boa. Teremos uma ótima Copa”, disse. “Bons jogos, muitas surpresas”, completou. Além do pênalti marcado no jogo do Brasil contra a Croácia, a arbitragem da Copa errou feio ao anular dois gols do México contra Camarões. Mais uma polêmica acabou ocorrendo na partida entre Espanha e Holanda, com a marcação de um pênalti em Diego Costa que deixou o time de Robben irritado.
Mas o presidente da Comissão de Arbitragem da entidade, Mássimo Busacca, tentou abafar a crise, insistindo que os árbitros nunca estiveram tão bem preparados para um Mundial como agora. Depois de sérios problemas nas últimas Copas, a Fifa optou por preparar os novos árbitros desta vez durante dois anos. Os críticos, porém, apontam que um dos problemas é o fato de que a Fifa tenta trazer árbitros de todo o mundo, nem sempre optando pelos melhores.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Chefe da arbitragem nega complô pró-Brasil e pede respeito a juiz

O chefe de arbitragem da Fifa, o suíço Massimo Busacca, descartou nesta sexta-feira (13) a existência de um complô para favorecer o Brasil na Copa do Mundo e pediu "respeito" aos juízes.
O suíço classificou o pênalti a favor do Brasil apitado pelo japonês Yuichi Nishimura como um "lance difícil" e afirmou que o juiz não teve intenção de prejudicar a Croácia na partida de abertura, nesta quinta-feira.
O técnico croata, Niko Kovac, ficou revoltado com o lance, disse que "é lógico que o anfitrião tem alguma vantagem" e afirmou que o Mundial corre o risco de se tornar um "circo" caso a arbitragem continue se comportando dessa maneira.
"Temos que acreditar que os árbitros são honestos. Não podemos pensar que ele vai decidir algo porque falaram para ele agir assim. Isso é fantasia. Críticas são normais, é questão de opiniões diferentes. Mas é preciso respeito", disse Busacca.
O diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, também negou que exista uma orientação para que os juízes auxiliem a seleção brasileira a conquistar o hexacampeonato mundial.
"A Fifa não está ajudando o país anfitrião. Não estamos aqui para favorecer ninguém", disse.
O lance polêmico decretou a virada brasileira sobre a Croácia. O zagueiro Lovren colocou suas mãos nos ombros de Fred, que caiu na sequência. O time da casa marcou outro gol no fim e venceu a partida por 3 a 1.
"O árbitro estava bem posicionado e viu o gesto [do puxão]. Mas é difícil para quem não está no lance determinar a intensidade do movimento, se o gesto é suficiente para derrubar o adversário", adicionou Busacca, sem precisar se, na sua avaliação, o juiz deveria ou não ter marcado pênalti.
O chefe da arbitragem disse que sua comissão ainda irá se reunir para analisar a atuação de Nishimura, mas que é provável que ele apite outras partidas no Mundial.
"O jogo tem 90 minutos, não é composto por um lance apenas. Nenhuma decisão será tomada baseada apenas nessa jogada." 
RAFAEL REIS/ENVIADO ESPECIAL AO RIO 
http://www1.folha.uol.com.br/especial/2013/folhanacopa/
                                     Foto: www.arbitrointernacional.com.br
PS: Sandro Meira Ricci e os assistentes Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gasse, o triunvirato brasileiro que representa a arbitragem brasileira na Copa do Mundo, fará sua estreia no domingo (15),no jogo França x Honduras, no Beiro/Rio em Porto Alegre (RS).

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fifa divulga arbitragem da partida inaugural da Copa do Mundo

                            Foto: Fifa.com
Nesta terça-feira (10), o Comitê de Arbitragem da Fifa, presidido pelo irlandês Jim Boyce e o chefe do departamento de árbitros da entidade Massimo Busacca, anunciam os nomes do quarteto dos homens de preto, que terão a primazia de dirigir o jogo inicial da Copa do Mundo, na quinta-feira, às 17h, na Arena do SC Corinthians, na partida Brasil x Croácia.

  • É importante destacar, que a Fifa visando a oxigenação do departamento mais importante da entidade, após a Copa do Mundo na África do Sul,  trocou José Maria Garcia Aranda por Massimo Busacca, e Angel Maria Villar por Jim Boyce. Gradativamente, a dupla em tela deu início ao que é chamado em Zurique, sede da Fifa, no mais rigoroso processo pre-seletivo  já realizado nos anais do setor de arbitragem da instituição internacional.
  • O processo iniciou com 52 trios de arbitragem, que foram submetidos a 19 seminários, vários testes físicos, teóricos, médicos, psicológicos e todos sem exceção, foram minuciosamente avaliados nas partidas que apitaram, quer seja nos torneios da Fifa ou em competições dos seus países de origem, por instrutores de arbitragem de excelência.
  • Do contingente inicial a Fifa selecionou em 14 de janeiro deste ano, 25 trios de arbitragem e oito duplas que ficarão de stand-bye durante o Mundial.
  • Dito tudo isso, só nos resta aguardar e torcer para que os 13 árbitros das Américas do Norte, Central e Caribe, os 17 da América do Sul, os 29 da Europa, os 13 da África, os 14 da Ásia e os 4 da Oceania,  assim que a bola rolar e entrar em jogo, façam a leitura das partidas que irão dirigir, objetivando o seu desenvolvimento natural, e somente interrompendo-as para cumprimento das Regras de Futebol e, sobretudo, do seu espírito precípuo que é punir o infrator.
  • PS: Desejo ao trio de arbitragem brasileiro, composto pelo árbitro Sandro Meira Ricci e os árbitros assistentes, Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gasse, uma excelente Copa do Mundo. 
  • PS: (2) O árbitro japonês Yuichi Nishimura, 42, apitará o jogo entre Brasil e Croácia, marcado para quinta-feira, às 17h, no Itaquerão, na partida de abertura da Copa do Mundo. Yuichi Nishimura apitou a derrota da seleção brasileira para a Holanda por 2 a 1, pelas quartas de final da Copa do Mundo-2010. Na oportunidade, expulsou o volante Felipe Melo após uma jogada com o holandês Robben.
    Ele também foi o árbitro da final do Mundial de Clubes de 2010, em Abu Dhabi, no Emirados Árabes, quando a Inter de Milão venceu a surpresa Mazembe, da RP do Congo, por 3 a 0.
    Yuichi Nishimura é árbitro internacional desde 2004.
    Os assistentes são os japoneses Toshiyuki Nagi e Toru Sagara.

Linha do gol: Fifa elimina erros "trágicos"

Um “gol” do atacante inglês Hurst, na final da Copa do Mundo de 1966, entre Inglaterra x Alemanha, validado erroneamente pelo bandeirinha Tofiq Bahramov e o árbitro Gottfried Vienst, gerou a época enorme discussão se a bola ultrapassou ou não a linha de meta na sua totalidade. Há quem diga que a bola ultrapassou totalmente a linha do gol e há quem diga que não.
44 anos depois no Mundial da África do Sul, um lance similar envolvendo as mesmas equipes voltou a acontecer. Desta vez, o meia inglês Lampard desferiu um chute contra a meta do arqueiro alemão Neuer, quando o placar acusava 2 x 1 para os alemães. A bola neste prélio entrou 46 centímetros além da linha de meta, porém, o campo visual do assistente uruguaio Mauricio Espinosa e do seu compatriota, o árbitro Jorge Larrionda não captaram o gol de empate dos ingleses. A Inglaterra foi eliminada do torneio. Um novo incidente com as mesmas características voltou a acontecer na partida Ucrânia x Inglaterra, na Eurocopa 2012. 

Pressionada pela mídia e pelos 209 filiados, a entidade que controla o futebol no planeta, a Fifa, abriu licitação com a participação de nove empresas que desenvolveram a partir de então inúmeros testes, objetivando encontrar solução para lances como os acima nominados. Conhecida a empresa vencedora da licitação, GoalControl, e, após a exibição de testes comprobatórios, o Mundial de Clubes da Fifa do Japão em 2012, foi a primeira competição a experimentar a tecnologia na linha do gol.
Desde então, diversos organizadores de torneios e ligas passaram a se interessar pelo assunto e vêm avaliando o uso dessa nova tecnologia. Assim, cresceu também, em 2013, o número de partidas disputadas que utilizaram a tecnologia na linha de meta.
Comprovada a eficácia da tecnologia, a Fifa decidiu implementá-la em seus principais torneios: A Copa das Confederações em 2013, na qual o sistema baseado em câmeras da GoalControl, foi utilizado nos seis estádios no Brasil.
Além disso, na Inglaterra, a Premier League tornou-se a primeira competição nacional a utilizar na temporada de 2013/14, a tecnologia na linha do gol, e está utilizando atualmente o sistema Hawk-Eye (olho de falcão).
Lembro que a primeira utilização oficial da tecnologia na linha do gol na Europa ocorreu, na verdade, em maio de 2013, na Copa Amsterdam, num campeonato juvenil disputado no Estádio Olímpico de Amsterdã. O sistema GoalRef foi usado em todos os jogos, garantindo que todos os gols fossem indicados corretamente e com isso auxiliando a arbitragem em situações  de difícil decisão.
Recentemente, a Associação Holandesa de Futebol (KNVB), decidiu avaliar a tecnologia da linha do gol, utilizando o sistema baseado em câmera Hawk-Eye nas  temporadas 2013/2014 e 2014/2015, em todos os torneios da primeira divisão.
A tecnologia na linha do gol que será utilizada pela primeira vez numa Copa do Mundo no Brasil, pela empresa alemã GoalControl funciona assim: utilizando 14 câmeras de alta velocidade (serão 7 por baliza), capazes de produzir cerca 400 imagens por segundo, instaladas ao redor do gramado, passarelas e pontos altos do estádio.
As câmeras são conectadas a um poderoso sistema de processamento de imagem que acompanha e filtra todos os elementos em campo, como jogadores, árbitros, e demais objetos, sendo o restante somente a bola. Desta forma é capaz de reconhecer sua posição com uma precisão muito alta. Quando a bola passar da linha do gol, um sinal informando o gol será enviado ao árbitro.

              7 câmeras são instaladas em cada meta no sistema GoalControl
O Sistema funciona em conjunto com um relógio especial. Este relógio recebe o sinal enviado pelo computador e exibe um aviso visual e de vibração para o árbitro, bastando a este apenas validar o gol. A tecnologia utilizada para a transmissão do sinal do computador para o relógio não será 3G, muito menos WI-FI, mas sim outra forma de sinal criptografado, levando menos de um segundo para ser transmitido ao árbitro. 
Quando a bola ultrapassar a linha de meta, o árbitro receberá uma mensagem com palavra gol no relógio                  
Esta escolha se deve justamente para que não ocorram interferências externas que impeçam o sistema de funcionar perfeitamente. Uma das grandes vantagens do sistema é a possibilidade de utilizá-lo com qualquer tipo de bola, gramado, goleira e rede, ou seja, poderá ser instalado em praticamente qualquer estádio. As imagens obtidas pelas câmeras também podem ser armazenadas e reproduzidas quando desejar, como por exemplo, no replay de um gol.
Observe nas fotos, como funcionará o sistema GoalControl nos doze estádios, onde serão disputados os 64 jogos da Copa, a partir da próxima quinta-feira (12).

‘O juiz é o eterno bode expiatório, um sujeito que não tem amigos’


Foto: Paulo Giandalia/Estadão
Árbitro da final da Copa de 1982, ele fala sobre os 50 anos dedicados ao apito, sua torcida pela seleção, o uso da tecnologia, Armando Marques e as mudanças no jogo.

Primeiro árbitro sul-americano a apitar uma final de Copa, Arnaldo Cezar Coelho vai torcer, claro, pela seleção neste Mundial. Mas também pelo árbitro Sandro Meira Ricci, único brasileiro no torneio – “espero que ele faça um belíssimo trabalho, mas não quero vê-lo na final, não”, brinca.
Com meio século dedicado ao futebol (25 anos nos campos pelo mundo afora e os últimos 25 como comentarista da Rede Globo), Arnaldo conta que só pendurou o apito quando percebeu que a arbitragem começava a interferir em seu trabalho. “Aqui no Brasil, é muito difícil um juiz sobreviver sem uma segunda fonte de renda”, explica.
Aos 71 anos, ex-dono da corretora Liquidez – que ele vendeu para o grupo britânico BGC, em 2009 –, o agora corretor autônomo de investimentos tem vida pra lá de agitada: visita clientes o dia inteiro e ainda arranja tempo para participar dos principais jogos do Brasileirão. E está escalado para acompanhar a Copa de ponta a ponta.
Pouco antes de voltar para o Rio, onde mora, após mais um Bem, Amigos!, programa do SporTV capitaneado por Galvão Bueno, ele conversou com a coluna no hotel Hyatt sobre os tempos de garoto em Copacabana, o Mundial de 1982 e a solidão do homem de preto. A seguir, os melhores momentos da entrevista.
Jogava bola quando garoto?
Quando tinha uns 15, 16 anos, na praia de Copacabana – nasci no bairro –, os garotos iam pegar jacaré e jogar bola na areia. Não havia o Aterro do Flamengo, a avenida tinha só duas pistas. Costumava jogar e apitar. Ninguém queria ser juiz.
Medo?
Claro. Naquela época, quando um time não gostava de alguma marcação, tirava o apito do juiz na marra. E, no fim do jogo, era comum o pessoal que estava assistindo, sentado na amurada do calçadão, descer para bater no árbitro. Foi por isso que eu aprendi a nadar bem (risos).
Para escapar?
Para esfriar a cabeça e para fugir da surra. Quando o jogo ia acabando, eu já me posicionava junto da água… Aos 17 anos, já apitava na liga de futebol de praia, um negócio importante.
Daí foi para os campos?
Muitos juízes profissionais viviam pela praia e me viam apitar. Este ano eu completo 50 anos dedicados ao futebol: 25 como juiz e 25 como comentarista de arbitragem na Globo. Dos 25 anos apitando, 21 como árbitro da Fifa. Apitei cinco Mundiais: três sub-21 e dois profissionais. Em 1978, fui árbitro reserva na final da Copa.
Foi um aprendizado para o Mundial da Espanha, em 1982?
A final de 78 foi apitada por um italiano, Sergio Gonella. Aquilo me deu uma experiência danada. Tanto que, em 1982, fui chamado outra vez e apitei um jogo difícil, Alemanha e Inglaterra, pela segunda fase da Copa. A Fifa gostou do meu trabalho e acabei fazendo a final entre Itália e Alemanha.
A derrota do Brasil acabou sendo boa pra você.
O sucesso de um árbitro em um Mundial depende do insucesso da seleção de seu país, né? Como o Brasil perdeu para a Itália, naquele jogo fatídico em que o Paolo Rossi fez três gols, tive a oportunidade de apitar a final.
Nesta Copa, vai torcer pelo árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci ou pela seleção?
Vou torcer para ele fazer ótimos jogos… mas quero ver o Brasil campeão.
Você foi o primeiro sul-americano a apitar uma final de Copa.
Fui uma espécie de precursor, porque, até então, só os europeus apitavam finais. E quatro anos depois, na Copa de 1986, outro brasileiro, Romualdo Arppi Filho, apitou a final, entre Argentina e Alemanha.
É verdade que torceu para o Cabrini perder o pênalti, no primeiro tempo da final de 1982?
Verdade, sim. Porque eu marquei o pênalti com convicção, mas, depois, pensei: “Será que ficou claro pra todo mundo? E se o jogo terminar 1 a 0? Vai virar uma polêmica!”. Quando ele perdeu, fiquei aliviado. Dizem que apitar final de Copa é prêmio, mas, se você apitar bem, não fez mais do que a obrigação. Agora, se errar…
Você apitou Olimpíada também, né, Arnaldo?
A de 1976, em Montreal, e a de 1988, em Seul. A primeira fez parte da minha evolução na carreira de árbitro; a segunda, porque a Fifa queria que eu me tornasse uma referência para os jovens árbitros. Como já havia apitado uma final de Copa, ou seja, não havia mais degrau na carreira para eu subir, a federação passou a me levar para competições preparatórias.
Juiz que apitou final de Copa tem fã que nem jogador?
Pior que tem. Ano passado, fui fazer uma palestra para os árbitros da Copa das Confederações. E um colombiano veio e segurou o meu braço. Perguntei o que ele estava fazendo. Ele respondeu: “Para pegar os seus fluidos!” (risos)
Quando você apitava, quem eram os seus ídolos?
Eu imitava o Armando Marques. Ele tinha características que nenhum outro árbitro tinha na época: corria o campo todo, apitava em cima do lance. A maioria era barriguda, apitava de longe. Na Copa de 1974, fui para a Alemanha no staff do Carlinhos Niemeyer, que fazia o Canal 100. Eu carregava as malas com as câmeras. Foi o primeiro Mundial a que assisti in loco. E o Armando Marques apitou. Ele usava um uniforme todo preto, era árbitro de praia também. Tinha um Mustang vermelho.
Você era fã do Armando por causa do Mustang?
Também. Tanto que comprei um azul (risos), de segunda mão. Para ficar bem parecido. Voltando ao jogo, eu ia ver o Armando apitar e copiava as coisas que me agradavam. Por exemplo, quando ele dava gol, corria para o centro de campo. Não deixava os jogadores ficarem na dúvida sobre as marcações, entende? Tinha muita personalidade.
Ele ficou mais famoso pelo episódio do erro na contagem dos pênaltis na final do Paulista de 1973, entre Santos e Portuguesa.
Também dizem que expulsou erradamente o Pelé em diversos jogos. Você tem de levar em conta que ele apitava cerca de 60, 70 partidas por ano. É muito jogo. Um dia o cara não está bem e acontece alguma coisa fora do padrão. É que nem goleiro. Não importa o quanto esteja pegando, todo mundo só se lembra dos frangos.
Hoje em dia, quem você considera um grande juiz?
O Pedro Proença, de Portugal, que estará na Copa. Ele é muito tranquilo, tem vocação, passa despercebido pelo jogo. Aliás, essa é uma qualidade importantíssima para ser um bom árbitro. Atualmente, a gente vê muito juiz que se preocupa mais com a forma física, porque o jogo ficou mais rápido, mais dinâmico. Os caras parecem máquinas. Primeiro mostram que sabem correr, depois aprendem a apitar. Isso nem sempre dá certo. Na época em que eu apitava, corria, em média, uns 5 quilômetros por jogo. Hoje, o árbitro corre de 12 a 13 quilômetros.
As mudanças nas regras agilizaram o jogo, né?
Muito. Antes, o zagueiro podia recuar a bola para o goleiro quando a jogada estava apertada, e o goleiro podia pegá-la com as mãos, bater a bola no chão quantas vezes quisesse. Hoje não. Outra coisa: quando eu apitava, havia apenas uma bola em campo. E outra, reserva, que ficava no vestiário do juiz. Se a bola caísse no fosso do Maracanã, por exemplo, um sujeito tinha de ir lá pescá-la, com uma vara. Demorava uma vida para o jogo recomeçar. Agora são várias bolas, o jogo não para.
Gostou da adição de dois assistentes que ficam atrás dos gols durante os jogos?
Não. Aliás, eu chamo esses assistentes de vigias.
Por quê?
Eu morava em uma rua que tinha um vigia noturno. Um dia, ele ligou para o meu apartamento e avisou: “Seu Arnaldo, acabaram de roubar o seu carro na porta do prédio!”. E eu: “Mas você não fez nada?”. E ele: “Mas eu só vigio!” (risos) Em campo, é a mesma coisa: eles ficam atrás do gol e não veem nada.
É a favor da tecnologia?
Depende. A das câmeras que indicam se a bola entrou, sim, porque o juiz recebe o sinal no relógio de pulso e é algo bastante rápido. Até hoje há dúvidas, por exemplo, no terceiro gol inglês na Copa de 1966, na final contra a Alemanha. E houve aquele erro crasso em outro Alemanha x Inglaterra, na Copa de 2010, só que em favor da Alemanha. A regra é clara: para ser gol, a bola tem de ultrapassar inteiramente a linha.
E as câmeras, mais atrapalham do que ajudam?
Quando eu apitava, havia, em média, seis câmeras transmitindo a partida. Hoje, são 34 – chega a 39 em alguns jogos do Brasil. Há lances de impedimento, por exemplo, que são dificílimos. Em casa, o torcedor vai ver que o bandeirinha errou. Imagina se todo lance duvidoso suscitasse um pedido de revisão! Todo mundo erra dentro de campo, atacantes, zagueiros, goleiros. Mas parece que os juízes são os eternos bodes expiatórios. Tem alguma lógica, porque a profissão de árbitro de futebol é muito solitária, mesmo. O árbitro é um sujeito que não tem amigos (risos). DANIEL JAPIASSU/http://blogs.estadao.com.br/Sonia Racy

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Árbitros da Copa não conseguem realizar treinos no Maracanã

Preparação no gramado impede que juízes realizem reconhecimento no estádio, que sedia a final do Mundial do Brasil, em julho.
  • SÃO PAULO - Os árbitros que atuarão na Copa do Mundo até agora não conseguiram treinar no estádio do Maracanã por conta dos atrasos nas obras e na preparação do gramado para o primeiro jogo na capital carioca. Quem faz o alerta é Massimo Busaca, diretor de Arbitragem da Fifa e ex-juiz. Segundo ele, um reconhecimento do gramado e do estádio deveria ter ocorrido na semana passada. Mas a organização pediu que tudo fosse adiado até o dia 7 de junho.
  • Se a grama ainda não permitiu que o estádio fosse testado pelos árbitros, Busaca considera que pelo menos não houve atraso na instalação da tecnologia que vai ser usada para determinar se a bola cruzou ou não o gol. A Copa de 2014 será a primeira que contará com a tecnologia para auxiliar os árbitros. 

Maracanã ainda passa por obras para Copa do Mundo
Maracanã ainda passa por obras para Copa do Mundo
Fabio Motta/Estadão

  • Além da ajuda da tecnologia, a Fifa decidiu insistir com os árbitros para que estudem os times que vão apitar, principalmente no que se refere à tática de cada um deles em campo. "A tática é fundamental", disse Busaca. "Os árbitros precisam saber como um time marca, se marca avançado, se pressiona", explicou. 
  • Desde o início desta semana, cada seleção recebeu a visita de uma comissão de arbitragem para falar sobre como os jogos serão apitados e o que será exigido dos jogadores em termos de "fair play".
  • Fonte: Jamil Sade/O ESTADO DE SÃO PAULO

Eles ganharão 36.700 euros: Gente importante

O Comitê de Arbitragem da Fifa encerrou nesta quinta-feira, os preparativos com os noventa homens de preto - (árbitros e assistentes), que irão comandar as partidas da Copa do Mundo a partir do próximo dia 12.
Os testes teóricos e de aptidão física, foram realizados no Centro de Treinamento do ex-atleta de futebol da Seleção Brasileira, Zico, no Rio de Janeiro. É lá que está fixado o quartel general da confraria do apito que vai laborar no Mundial, e, os principais dirigentes de arbitragem da entidade que controla o futebol no planeta. 

                                           Howard Webb (Fifa/Inglaterra)
Na tarde de hoje, os árbitros foram comunicados que além do excelente desempenho que todos obtiveram nos testes padrão Fifa, independentemente do número de jogos que atuarem, todos receberão como remuneração a quantia de 36.700 euros.
Com a certeza de que no último teste todos atingiram o último estágio, resta esperar  a bola rolar na partida Brasil x Croácia, e aguardar que as tomadas de decisões  dos personagens mais importantes para o sucesso de um espetáculo de futebol, o árbitro, os assistentes e o quarto árbitro, sejam em consonância com as Regras de Futebol. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Raio-X da arbitragem


  • A Fifa determina que o bom árbitro é aquele que sente o jogo -  (faz uma leitura antecipadamente dos prós e dos contra) da partida de futebol que vai apitar, visando com isto, proporcionar o seu desenvolvimento natural e que o homem do apito só deve interromper o jogo, para cumprimento das Regras de Futebol, com o objetivo precípuo de punir o infrator. Partindo deste pressuposto, a arbitragem que atuou nas nove rodadas iniciais do Campeonato Brasileiro da Série A, B e C do ano em curso, foi reprovada.
  • Nunca é demais lembrar que o árbitro é humano, não é uma máquina. Por isso tem o direito de errar. Além disso, tem que interpretar e tomar decisões em frações de segundos.
  • Mas, os erros primários de interpretação e aplicação das regras perpetrados nas partidas que antecederam a Copa do Mundo, expuseram a ausência de discernimento dos membros da Relação Nacional de Árbitros/CBF (Renaf).  Na maioria esmagadora dos lances, quando foi necessário utilizar o intelecto no manuseio das leis que regem o futebol dentro do campo de jogo, a incapacidade veio à tona.
  • Foi aviltante, vergonhoso, observar a exposição das vísceras da mediocridade técnica, tática, física e psicológica, os quesitos exigidos pela Fifa, no árbitro de futebol profissional do Brasil.  
  • Com raríssimas exceções, rodada após rodada, cada árbitro e assistente estipulou e aplicou a suas próprias regras. O que ficou evidente e que não há e dificilmente haverá um mínimo de padronização nas tomadas de decisões.
  • Se existir um mínimo de comprometimento da CBF, com o principal torneio da entidade que rege o futebol brasileiro, sua direção deve determinar em caráter de urgência que árbitros, assistentes, quarto árbitros, árbitros assistentes adicionais, tutores, delegados especiais e assessores de arbitragem, sejam submetidos a uma requalificação, no que concerne as Regras de Futebol, durante a paralisação do Brasileirão/2014.
  • PS: Ad Argumentandum tantum: Qual é o destino que  CA/CBF dá aos relatórios que são efetivados pelos assessores de arbitragem, delegados especiais e tutores de árbitros escalados pela CBF, para avaliar juízes e bandeirinhas na Copa do Brasil e nas Series A, B, C e D?  
  • PS (2)  Esse pessoal nominado é “minuciosamente” escolhido  pela CBF e indicado pelos presidentes das federações estaduais. Ressalte-se ainda que são remunerados pelo borderô dos clubes, percebem diárias, ficam instalados em bons hotéis e gozam de vários privilégios, entre eles viajar de avião. Qual tem sido o custo-benefício desse  pessoal designado, na melhora da qualidade da arbitragem nacional?