terça-feira, 10 de novembro de 2015

Os melhores do Brasileirão 2015.


Segundo Collina, um árbitro top de linha tem que ter: excelente equilíbrio, forte mentalização e extrema frieza nos momentos de ingente tensão
Num ano em que a arbitragem esteve no olho do “furacão” em função de vários erros de interpretação e aplicação das Regras de Futebol, acoplado ao desleixo de um segmento minoritário dos homens de preto, que contribuíram para a audiência significativa da Tv e proporcionaram deleite aos “leigos” e aos comentaristas  da televisão, três árbitros e dois assistentes da Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf), se destacaram no atual Campeonato Brasileiro da CBF.

No apito, Anderson Daronco (Fifa/RS), Heber Roberto Lopes (Fifa/SC) e Ricardo Marques Ribeiro (Fifa/MG), em que pese as inúmeras dificuldades que enfrentaram em todas as partidas que comandaram ao longo desta temporada, demonstraram capacidade, frieza, imparcialidade, conhecimento e com isto atingiram os objetivos dos quatro pilares exigidos pela Fifa dos árbitros top de linha.

A trempe em tela, no pilar físico cumpriu o preceituado pelo P.h.D. em Educação Física da Uefa e da Fifa, professor/Doutor da Universidade de Louvre (Bélgica), Werner Helsen. Ou seja, seus deslocamentos no campo com a bola em jogo, nas jogadas de pequena, média e alta velocidade em relação a distância da jogada e da bola, atingiram as determinações do Dr. Helsen.

No pilar técnico, conhecimento e interpretação das Regras de Futebol, Daronco, Lopes e Marques, cometeram pequenos equívocos que não interferiram nos resultados dos confrontos que dirigiram. Alguns do equívocos sequer foram notados, já que para a percepção dos mesmos, é imperativo ser um notório conhecedor das leis do jogo. 


No que concerne ao pilar tático, posicionamento com a bola em jogo e fora de jogo, o triunvirato acima nominado, em razão da ótima condição física que propicia ao árbitro raciocinar e se  se movimentar com maior rapidez, também saiu-se a contento.

Quanto ao pilar psicológico, a tríade mencionada independente das inúmeras situações que vivenciou nos jogos neste ano, exibiram as três principais características de um árbitro profissional sob forte pressão, segundo Pierluigi Collina, eleito o melhor árbitro do planeta por seis temporadas consecutivas que são: o equilíbrio, forte mentalização e extrema frieza no momento de decidir. O que significa estar consciente dos acontecimentos e tomar decisões de acordo com as regras.

No que diz respeito aos árbitros assistentes, nenhum profissional desta área superou Alexandro Rocha Matos (FIFA/BA)  e Bruno Boschilia (FIFA/PR). O dueto em tela, teve um comportamento próximo da uniformidade no posicionamento e ações na assistência, nos deveres e responsabilidades, no posicionamento e trabalho em equipe, no posicionamento durante as partidas com a bola em jogo e fora de jogo, no tiro de meta, quando os goleiros soltaram as bolas com as mãos, no tiro penal, nas situações de gol ou não gol, no tiro de canto, nos tiros livres, nas infrações fora e dentro da área penal, nos sinais com as mãos ou gestos, na técnica de deslocamento, na utilização do sinal de “bip”, que é um sinal complementar a ser usado somente quando necessário, para atrair a atenção do árbitro central (pág. 57 – manual das Regras de Futebol).
    
Além do exposto, Boschilia e Matos se consolidaram como modelos  no item sinais dos assistentes conforme está explicitado no livro REGRAS DE FUTEBOL (págs. 58 e 59).

PS: Independente das opiniões dos diversificados segmentos que acompanham o futebol brasileiro, as quais respeito - externo neste espaço a nossa opinião em conformidade com o que vivenciamos desde 1979, quando iniciamos nossa trajetória na arbitragem. 

PS (2): Acrescento ainda que, os conceitos aqui efetivados estão substanciados nos estudos, pesquisas e o que vemos diariamente - na leitura e na interação que fazemos com os mestres Amelio Andino, Carlos Alarcón, Carlos Eugênio Simon, Hugh Dallas (UEFA), José Mocelin, Roberto Perassi, Sálvio Spínola, Sérgio Corrêa da Silva e na interpretação das regras e diretrizes da Fifa e (IFAB).

PS (3): Dentre os árbitros promissores que se destacaram nas competições da CBF neste 2015, Marielson Alves da Silva (CBF-1/BA) e Rodolpho Toski Marques (CBF-1/PR), apoiados no belíssimo trabalho desenvolvido pela Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (Enaf), foram os destaques.   

domingo, 8 de novembro de 2015

Não existiu “Fair Play”

       Ricardo Marques Ribeiro (FIFA/MG), é candidato a receber o troféu de melhor apito do Brasileirão/2015.
Fair Play (em português: Jogo Limpo)- é uma filosofia adotada em esportes que prima pelo jogo limpo. A expressão nasceu em 1896, durante as primeiras Olimpíadas da Era Moderna, de Atenas. Barão de Coubertin, o organizador dos jogos, idealizou a filosofia por meio da frase: “Não pode haver jogo sem fair play. O principal objetivo da vida não é a vitória, mas a luta”.
No futebol, a filosofia é adotada por meio do Fair Play Campaign (Também chamada de FIFA Fair Play) - que é uma campanha criada pela entidade que controla o futebol no planeta (FIFA), que visa beneficiar o cumprimento das regras, do bom senso e do respeito aos atletas, árbitros, equipes adversárias, imprensa e  torcedores.
Mas o Fair Play ganhou robustez da Fifa, a  partir da Copa de 1986 no México, quando o maior atleta do futebol argentino, Diego Maradona, utilizou a mão para a confecção de um gol contra a Inglaterra. Antes do episódio em tela, a partir de 1978, a Fifa concedia o troféu Fair Play à seleção que cometesse o menor número de faltas durante o Mundial.
Desde 1997, como parte da Fair Play Campaign, a FIFA dedica uma semana do seu calendário internacional, quando celebra e promove eventos, onde é solicitado às federações nacionais a organizarem atividades para realçar a importância da aplicação do Fair Play dentro e fora de campo. O Fair Play não consta nas Regras do Jogo da Fifa e não há nenhuma determinação do International Board (IFAB) a seu respeito.
Em abril deste ano em reunião na sede da CBF, os técnicos de futebol das equipes que disputam as competições da entidade, acordaram entre eles as condições para a utilização do Fair Play.
Ficou decidido que: “quando um atleta da equipe adversária apresentasse algum tipo de contusão que necessitasse de atendimento médico, a esquadra que estava com a bola colocaria a pelota para fora do campo de jogo. No reinício da partida, a equipe que foi beneficiada com a paralisação, devolveria a bola à equipe que colaborou e aí entraria o Fair Play”.    
Diante do exposto acima, o lance ocorrido aos 42’ da segunda etapa, em que o jogador Biro-Biro, da equipe de Campinas cai ao solo alegando cãibra na panturrilha, e o seu companheiro Alexandro toca a bola para fora do campo pela linha lateral não exigiu o Fair Play. Quem estava na posse da bola era a Ponte Preta.
Inteligentemente o Internacional executou a cobrança do arremesso lateral, e após exatos quatorze toques, o time do treinador Argel confeccionou o gol que lhe deu a vitória pelo placar de 1 x 0.
Portanto, é improcedente qualquer tipo de culpa contra o árbitro Ricardo Marques Ribeiro (FIFA/MG), que teve uma atuação tranquila, num confronto de altíssima dificuldade.
PS: “Estranhamente, Biro-Biro que saiu do campo de jogo alegando câibra, retornou incontinenti num pique de fazer inveja a um velocista de prova de cem metros rasos”. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Arbitragem: “Credibilidade zero”

Aproveitei o feriado do dia 2 de novembro acoplado ao dia do funcionário público e na companhia de familiares rumei à Foz do Iguaçu (PR). Já nas dependências do aeroporto internacional de São José dos Pinhais (PR), o assunto assim que sou identificado é arbitragem. Durante o voo, o tema árbitro e assistentes e suas performances equivocadas dão o norte da conversa.

Posteriormente, nos diferentes passeios turísticos que faço junto com a família na cidade da tríplice fronteira, sou abordado por torcedores do estado Paraná e de outros estados do País que são parentes dos paranaenses - e os questionamentos são os desempenhos dispares dos juízes e bandeirinhas como  pronunciam os torcedores.

No dia seguinte em Puerto Iguazu (Argentina), imaginei: hoje ninguém vai me perguntar nada sobre arbitragem. Ledo engano. Novamente, na “feirinha” da indigitada cidade, assim que sou reconhecido, sou instado a responder sobre os motivos de a arbitragem brasileira não ter critérios próximos da uniformidade, quando da ocorrência das faltas dentro e fora da área penal.

Diante dos questionamentos que ouvi e vi, apesar de a maioria dos torcedores ter se declarado leigo no que tange às REGRAS DE FUTEBOL, na última noite antes de retornar à Curitiba, com a cabeça reclinada ao travesseiro não tive dúvidas: a credibilidade das tomadas de decisões do árbitro do futebol que atua nas competições da CBF e nas federações de futebol, assim que a bola rola na relva é “zero”.

Ressalto que apesar de ser um grupo restrito e do tempo escasso que com eles convivi, o Raio-X que o principal consumidor do futebol no Brasil passou à este colunista, não só a respeito da credibilidade dos homens de preto, mas dos dirigentes que comandam o futebol pentacampeão é de total desalento.

PS: Espero que o texto em tela que não é uma pesquisa, sirva de reflexão à direção da CBF e demais segmentos do futebol brasileiro. E que sejam desenvolvidas ações eficazes para  capacitar os apitos e bandeiras, cuja credibilidade atual é considerada pífia.

PS (2): Não me surpreendi com o descrédito dos torcedores em relação à arbitragem. A CBF é a única entidade de futebol no planeta que conheço, que adota a prática de aceitar a indicação de presidente de associação e/ou sindicato de árbitros de futebol para exercer a função de assessor e delegado de arbitragem nos seus campeonatos. Infestada desse tipo de "pelego", que são transformados posteriormente em "capachos", é clarividente que a qualidade do árbitro de futebol só tende a piorar.   

domingo, 1 de novembro de 2015

Tecnologia será objeto de observação e análise do IFAB e FIFA

No dia 9 de outubro do ano em curso, a Fifa e o The International Football Association Board (IFAB), convocaram as empresas que desenvolvem tecnologia com vistas ao futebol a apresentarem no próximo dia 16 deste mês, os mais recentes estudos desenvolvidos não só na área da Tecnologia na Linha do Gol (TGL) - como também os relacionados com o árbitro de vídeo e nos movimentos e deslocamentos dos atletas no campo de jogo.

Uma Comissão de excelência formada por ex-árbitros, ex-atletas, técnicos de futebol, dirigentes, membros da Fifa e do (IFAB), irá ouvir e observar a exibição dos inúmeros estudos realizados nessa área, pelas gigantes da tecnologia como a alemã GoalControl, pelo sistema Hawk-Eye (Olho de Falcão) do Reino Unido e as potentíssimas câmeras da suíça, Photonfocus.

A Tecnologia na Linha do Gol (TLG) da GoalControl e as câmeras da Photonfocus, já demonstraram sua eficácia no Mundial de Clubes da Fifa do Marrocos, na Copa das Confederações em 2014, e na última Copa do Mundo no Brasil. Ambas atuaram em conjunto nos (12) estádios onde foram realizados os jogos - juntas podem gravar quinhentas imagens por segundo e o árbitro é notificado no relógio que carrega no pulso se a bola ultrapassou totalmente a linha de meta em um segundo.

A (TLG) da Goal Control, custou à época 250.000 euros (US$ 338.300) por estádio - após o Mundial a empresa deixou o equipamento de graça à CBF que deveria arcar apenas com a manutenção. Porém, na contramão da evolução e demonstrando que a arbitragem é “filigrana” à entidade brasileira, o equipamento foi devolvido sob a alegação de que a manutenção tinha custo elevado.
O Olho de (Falcão), é usado na atualidade no Tênis, no Rugby e no Críquete. Já no futebol, a Premier League (Inglaterra) e a Federação Holandesa de Futebol (KNVB), utilizam o Hawk-Eye há três temporadas.
A tecnologia vem sendo implementada gradativamente em diferentes modalidades esportivas e o retorno tem sido excelente. No Tênis, através de um sistema que une câmeras e um programa de computador, cada atleta pode desafiar as marcações do árbitro três por vezes por set. Se a imagem mostrar que ele está correto, mantém o número de desafios, do contrário perde.
No Vôlei, os árbitros utilizam o vídeo (replays) para equacionar lances duvidosos (toque na rede ou invasões), mas já há tecnologia similar à do tênis que mostra em uma tela, para o árbitro, se a bola caiu fora ou dentro da quadra.
Já no Atletismo, câmeras filmam a linha de chegada e enviam as imagens para um computador, que as divide em trechos que indicam visualmente em pequenos intervalos de tempo quem chegou na frente.
O Futebol Americano dá direito aos treinadores dos times desafiar as sinalizações do árbitro, que então pede para especialistas, postados estrategicamente fora do campo, analisarem a imagem que causou polêmica e ato contínuo emitem o veredito a respeito do lance questionado.
No recém-findado Mundial de Handebol do Qatar, foram utilizadas câmeras no travessão para confirmar se a bola havia entrado no gol ou não. Uma outra câmera exibia o jogo e era consultada por um árbitro que ficava fora da quadra.
Acredito que dada a diferenciação do futebol em relação aos esportes aqui nominados, a Fifa e o (IFAB) irão ouvir e observar as várias tecnologias que serão mostradas no próximo dia 16. Já a decisão de implementar ou não mais uma tecnologia, penso que será cuidadosamente analisada por pessoas com notório conhecimento sobre a arbitragem e, posteriormente, testadas exaustivamente nas competições das categorias de base dos seus filiados.

PS: Massimo Busacca à esquerda, atual diretor de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina à direita, diretor de árbitros da Uefa e o brasileiro Manoel Serapião Filho, irão participar do evento e dado o Know-how extraordinário que possuem a respeito do tema, serão convidados a opinar sobre o fato.       

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Congresso deve servir para reflexão

O 39º Congresso da Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf), que será realizado no período de 27 à 29 de novembro do ano em curso, na cidade de Campo Grande (MS), e será comandado por Marco Antonio Martins (foto) - deverá ser um evento onde os sindicatos que representam a confraria da arbitragem brasileira, deverão se houver um mínimo de bom senso, refletir de maneira equilibrada a respeito dos dois anos que foram “perdidos” pelas entidades de classe, após o Decreto Lei Nº 12.867/2013. Lei que regulou a atividade do árbitro de futebol no Brasil como profissional. Desde então, nenhuma, repito, nenhuma conquista de interesse relevante foi conquistada pelos apitos e bandeiras que laboram no futebol pentacampeão.

Após o advento da profissionalização era aguardada a criação de novos sindicatos e, por consequência, da Federação Brasileira de Árbitros de Futebol – federação que é reconhecida pelo ministério do Trabalho e Emprego, pela Constituição do Brasil e pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O que significa que é uma instituição que tem legitimidade para transitar e reivindicar em qualquer esfera os interesses de uma categoria trabalhista. 
     
Além de não ser fundado nenhum sindicato, os que teem a Certidão de Registro Sindical (Carta Sindical), atualmente são oito sindicatos, parte desse contingente está com a documentação incompleta junto ao ministério do Trabalho.

Some-se ao acima exposto, a derrota “fragorosa” imposta pela presidência da República e pelo Congresso Nacional ao homem de preto do futebol brasileiro, no recente pleito do direito de arena.
Derrota que teve dois ingredientes: a precária redação jurídica na solicitação em tela, ou seja, os argumentos utilizados pela assessoria jurídica dos sindicalistas foram inconvincentes em conjunto com a inexperiência do interlocutor político escolhido pela Anaf em Brasília. Inexperiência que foi escancarada na ausência de representatividade política e conhecimento necessário dos caminhos que devem ser trilhados na capital federal, quando se busca conseguir a aprovação de leis ou algo similar.

Neste episódio, Anaf e congêneres penso eu, aprenderam uma dura lição: Brasília não é para amadores. Ali é preciso construir caminhos para ter acesso aos centros de decisão maior. Se continuar agindo da forma como tem agido no campo jurídico, Anaf e sindicatos continuarão a colher novas derrotas.

Concomitantemente ao direito de arena, duzentos e cinquenta árbitros assinaram procuração pedindo o direito de imagem, que foi protocolado em Recife (PE). Até o presente instante ninguém sabe o que aconteceu e dificilmente se saberá nesta temporada o que irá acontecer. Foi feito um “furdúncio” terrível em cima da notícia que teve “efeito traque”.

Acoplado ao que está mencionado acima, acrescente-se que após a profissionalização a arbitragem continuou e continua sendo explorada com três logomarcas das multinacionais (SKY, SEMPTOSHIBA e PENALTI) na sua vestimenta – logomarcas que estão alocadas em locais estratégicos na indumentária dos homens do apito, que atuam em todas as competições da CBF. Embora sejam profissionais, nenhum juiz e bandeira recebeu até os dias atuais, um único centavo pelas propagandas exibidas diariamente dessas marcas na Tv, internet, jornais, tabloides, smartphones e revistas.

Seria de bom alvitre a Anaf exibir à categoria os contratos e os valores que a CBF arrecada com as publicidades nos uniformes da arbitragem. Daria transparência ao tema. Porque se forem “filigranas” como já foi dito os valores que a CBF obtém com as nominadas publicidades, o que este colunista duvida, que fique como está.

Diante do cenário aqui narrado, já que não há outro, a não ser que exista algo de melhor em outro planeta à arbitragem, resta a Anaf e aos sindicatos refletirem e refletirem muito no congresso da entidade em Campo Grande, sobre os próximos passos e ações que pretendem daqui para a frente, àqueles que manejam o apito e as bandeiras do futebol brasileiro. Pois do contrário, as reivindicações continuarão dando “chabu” e tudo vai continuar como “DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES”.

PS: Os congressos da Anaf teem proporcionado aos dirigentes das associações e sindicatos de árbitros, realizarem um “tour” por todo o território brasileiro. “Tour” que é feito duas vezes por ano às custas dos filiados. É chegado o momento dos sindicalistas e assemelhados, retribuírem com medidas eficazes algo de substancioso aos filiados. Já que são eles com suas contribuições extraídas das suas taxas de arbitragem, que propiciam esta verdadeira volta ao redor do Brasil aos seus representantes.        

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A pauta é promissora, depende da independência da Anaf

“Antes tarde do que nunca” - é o que diz um dos mais antigos adágios que ouvimos desde os primórdios da humanidade. Assim, entendo a Pauta de Reivindicações entregue pela Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf), à CBF no último dia (8). Pauta que traz no seu conteúdo algumas propostas que poderão dependendo das negociações, proporcionar benfeitorias à confraria do apito do futebol brasileiro.

Li, revi e trevi as reivindicações que estão postadas no site da Anaf – http://www.anaf.com.br/2014/?p=9437. Acredito que o primeiro passo para a abertura de um entendimento independente entre Anaf e a CBF, passa pela renúncia de todos os cargos que os dirigentes da Anaf ocupam na CBF e, por extensão, nas federações de futebol. É a condição “sine qua non”.

Faço a colocação em tela porque a arbitragem brasileira vivencia inúmeras mazelas e uma delas, se não a principal, diz respeito a presença “nefasta” de presidentes ou diretores de associações e sindicatos vinculados a algum cargo nas federações e na CBF. O nome deste tipo de comportamento no jargão sindical é “peleguismo” ou como queiram, “caradurismo” – prática incompatível no mundo globalizado e, sobretudo, prejudicial aos anseios de qualquer categoria trabalhista.

Marco Antonio Martins, o atual presidente da Anaf que recuperou a instituição e deu relevo exemplar a entidade em todos os setores, e é o principal arauto dos homens de preto do futebol brasileiro, deveria dar o pontapé inicial, solicitando a CBF seu desligamento da função de delegado de arbitragem e pedir aos seus congêneres da Anaf que façam o mesmo. 

Aqueles que discordarem devem renunciar seu cargo na Anaf, e assumirem de vez as funções de diretor de federação e assessor e/ou delegado de arbitragem da CBF.

PS: Quanto a participação de um dirigente da Anaf na Comissão de Árbitros da CBF, a proposta é no mínimo incoerente e aponta na direção de fortíssimos laivos de promiscuidade. Nossa opinião é que se isto acontecer, será quebrado o último resquício de independência que ainda vige entre árbitros, federações, CBF e clubes. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Decidir com “replay” é fácil

A evolução dos atletas de futebol no quesito físico e a sua consequente profissionalização, acoplado ao avanço estratosférico da tecnologia da TV, empurrou o arbitro de futebol e os assistentes para um “beco sem saída” em amplitude mundial. Os jogadores treinam, são acompanhados por nutricionistas, fisiologistas, psicólogos, PhDs em educação física, treinadores, tem atendimento médico 24 hrs, concentram-se antes dos confrontos, teem direito ao direito de arena e de imagem, são contratados por multinacionais fabricante de materiais esportivos (uniformes e chuteiras), vivem e se dedicam exclusivamente ao futebol.

A televisão disponibiliza em cada partida de futebol um arsenal composto entre vinte e oito a trinta e duas câmeras e micro câmeras de última geração, que são alocadas em locais estratégicos nas circunvizinhanças do campo de jogo, com o objetivo precípuo de acompanhar e detectar todo e qualquer movimento ou tomada de decisão do árbitro e dos assistentes.

Além do exposto, a TV nas transmissões de futebol, assim que acontece qualquer lance envolvendo atletas ou decisões da arbitragem que provoquem dúvida, incontinenti, exibe o replay. Replay que é exibido reiteradamente e propicia aos comentaristas, uma visão que o árbitro lá no campo nem sempre tem -  após observarem quatro, cinco vezes o dito replay, os comentaristas instalados confortavelmente nas belíssimas arenas, emitem seus pareceres a respeito do que viram  e a “bel- prazer” com raras exceções, arrebentam com o homem do apito e da bandeira. Aliás, analistas de arbitragem deveriam julgar as decisões de juízes e bandeiras no momento do lance, sem a ajuda do replay. Seria o correto, mas como dá “ibope”......

Já o árbitro e os assistentes não teem nenhuma das condições que contemplam os atletas e não ganham um centavo sequer dos patrocínios que estão estampados nas suas indumentárias. Pelo contrário: trabalham numa atividade profissional diferente da arbitragem para ganhar o pão de cada dia e sustento dos seus familiares, já que a atividade do homem de preto no Brasil é profissional apenas de “fachada”.

Na segunda e na terça-feira, o árbitro labora o dia inteiro e viaja na mesma terça à noite para o local do jogo da quarta-feira, ou da quinta. Ou então como todos os brasileiros deste País, dá um duro danado de segunda à sexta-feira e viaja na mesma noite de sexta se a partida for sábado ou viaja na madrugada de sábado para o prélio que vai comandar ou bandeirar no domingo.

Além disso, o árbitro que labora no futebol pentacampeão é malformado, mal pago e não recebe a devida preparação das federações de futebol como (cursos, painéis, seminários). Diante do quadro aqui mencionado, o árbitro que é membro da Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf) - se “agarra” aos cursos e seminários efetivados pela CA/CBF, tal qual um náufrago em alto mar para sobreviver, porque senão já teria ido para o “beleléu”.

Portanto, com o cenário aqui descrito não há como fazer milagre e quem prometer o contrário é de uma hipocrisia e de um caradurismo inominável.

PS: A respeito da solicitação da pauta entregue pela  Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf) na CBF, que pede melhorias à confraria do apito brasileiro escreverei na próxima coluna.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Jogador que marcou gol com a mão na Bundesliga deve ser punido

O gol com o braço do meia Leon Andreasen, que deu a vitória ao Hannover sobre o Colônia (0-1), no domingo, pode render mais que discussões e indignação dos torcedores derrotados.
       POR CELSO MIRANDA
► A controversial goal gave Hannover 96 its latest win in the Bundesliga and post-match Leon Andreasen conceded “I made a motion in the direction of the ball, it all happened very quickly,''Would you claim the goal like Andreasen did?Click on the 'learn more' button at the end of the video for all the reaction.SBS The World Game – News, Views, Highlights
Posted by SBS The World Game on Terça, 20 de outubro de 2015
A Comissão de Controle da Federação Alemã de Futebol (DFB) disse nessa terça-feira que iniciou uma investigação contra o jogador dinamarquês, acusado de “flagrante subversão das regras e comportamento antidesportivo.''
De acordo com a DFB, Andreasen, 32, é suspeito de ter tocado a bola propositalmente com a antebraço direito para o gol.
O Comitê solicitou ao jogador uma defesa por escrito, depois da qual decidirá sua punição: Andreasen pode ser suspenso.
Mão na bola pode render suspensão
Mão na bola pode render suspensão
O árbitro Bastian Dankert já foi ouvido e declarou não ter visto a cena. Diante das imagens da televisão, porém ele admitiu o engano.
O  diretor de arbitragens da DFB Hellmut Krug disse após o jogo que o assistente poderia ter visto e notificado e que, sim, seria melhor que o árbitro tivesse visto na hora.
“O que me pergunto é se os árbitros devem ser punidos ou o jogador Andreasen, aquele que de fato tomou a opção de tocar a mão na bola e mesmo em face dos numerosos protestos dos companheiros, da torcida e da própria arbitragem manteve-se enganando a todos'', disse Krug.
Outro caso
O Comitê confirmou ainda que iniciou investigação contra Aleksandar Ignjovski do Eintracht Frankfurt.
O zagueiro é suspeito de má conduta por ter dado um pisão no brasileiro Raffael no último sábado na derrota contra o Borussia Mönchengladbach (1-5).

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Por que querem derrubar Corrêa?


A cartolagem do futebol brasileiro está em polvorosa e segundo fui informado, há uma plêiade de dirigentes contando nos dedos os dias que faltam para terminar o Campeonato Brasileiro, quando então será realizado o derradeiro ato contra a continuidade de Sérgio Corrêa da Silva (foto) à frente da CA/CBF.

Fui questionado várias vezes nos últimos dias a responder quais são os motivos que movem esse grupo de dirigentes a solicitar a saída de Corrêa do comando da arbitragem nacional - e quem poderia ser indicado para ocupar a direção da CA/CBF em substituição ao indigitado dirigente.

Vivenciei arbitragem na prática de 1979 a 1997 - e sei como funciona o submundo abjeto deste setor. A pressão impingida pelos dirigentes dos clubes contra os presidentes das federações, comissões de árbitros e contra os próprios homens de preto sempre foi “cruel”, e hoje mais do que nunca ela é muito, muito maior. Basta acompanhar o noticiário diário nas emissoras de rádio e TV, nos jornais, na internet, etc.... Portanto, quem afirmar em contrário é portador de um caradurismo inominável.
   
Respondendo objetivamente a epígrafe que dá título ao texto em tela, ou seja, as razões pelas quais desejam a retirada de Sérgio Corrêa, respondo: é público e notório de todos os segmentos que militam no futebol pentacampeão que, quem se propor a dirigir um setor de tamanho interesse como é a arbitragem, mas extremamente nevrálgico, e não ceder aos interesses e sentimentos “escusos” de algumas aves de rapina que gravitam e dirigem o futebol brasileiro, não encontra e não encontrará ressonância para realizar um trabalho com seriedade e de excelência.

Sérgio Corrêa e seu vice Nilson Monção, pessoas de caráter e moral inquestionáveis até prova em contrário, ambos membros das Forças Armadas do Brasil - o primeiro da (Aeronáutica) e o segundo do (Exército), não se deixaram “dobrar” pelos diferentes  cartolas que desejam que a arbitragem brasileira retorne ao “status quo” dos tempos antanhos. Daí as manifestações contrárias a continuidade de Corrêa da Silva, na direção dos homens do apito brasileiro.

Quanto aos nomes que possam substituir Corrêa, embora minha opinião não signifique absolutamente nada, mas dada a vivencia que tenho no setor do apito, ouso afirmar que se for para trocar que se troque tudo. Não adianta trocar seis por meia dúzia.

Muitos nomes conjecturados nos bastidores para assumir a CA/CBF no lugar de Sérgio Corrêa, estão na direção do setor da arbitragem das suas federações há mais de uma década e, por conseguinte, suas administrações tem como relevo o “fracasso” retumbante na formação, no descobrimento e na requalificação da confraria do apito local.

Por outro lado, há um grupo “expressivo” se movimentando junto aos dirigentes das Entidades de Prática Esportiva (Clubes), que pretende assumir o comando da arbitragem nacional, mas não possuem as mínimas condições de ocupar um cargo de tamanha relevância.

PS (1): Enquanto as federações de futebol não extirparem o continuísmo vigente nas escolas de formação de árbitros e nas comissões de arbitragem, não adianta trocar o comando da CA/CBF. Ou se faz uma transformação radical em todos os setores, ou então tudo vai continuar como "Dantes no Quartel de Abrantes".

PS (2): Quem se ater a observar atentamente a composição das comissões de árbitros e a longevidade dessas comissões nas federações de futebol da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e o Paraná, encontrará os principais motivos que levaram à decadência o árbitro do futebol brasileiro.      

PS (3): Fique ou deixe a CA/CBF, qualquer história da arbitragem brasileira que não inclua Sérgio Corrêa da Silva será sempre incompleta. 

Graham Poll: «Mourinho gosta que favoreçam as suas equipas»

O antigo árbitro inglês Graham Poll (à esquerda), revelou pormenores da sua relação com José Mourinho, na sequência dos comentários do técnico português à equipa de arbitragem no jogo entre o Chelsea e o Dínamo Kiev, na Liga dos Campeões.

"Mourinho gosta que os árbitros favoreçam as suas equipas, quer que o vejam como um amigo", relata Poll na sua coluna no "Daily Mail".

O inglês retirou-se do futebol em 2007 e conta um episódio que ocorreu um ano antes, em 2006, na altura da meia-final da Taça de Inglaterra, que opôs o Chelsea ao Liverpool. "Depois da derrota do Chelsea frente ao Liverpool (1-2), Mourinho disse-me que já não era amigo dele, porque um amigo não permitiria que a sua equipa perdesse daquela forma", disse o ex-árbitro.

Após o jogo com o Dínamo Kiev, Mourinho adjetivou o árbitro principal de "fraco e ingénuo", palavras que, segundo Poll, devem ser ignoradas: "Os árbitros têm a noção que não devem descer ao nível de Mourinho. Esse tipo de comentários de certeza que não interferem na capacidade de decisão dos lances, não é por isso que serão dados mais ou menos livres diretos ou penáltis".