domingo, 15 de dezembro de 2013

Cann, Mullarkey e Hausmann os melhores do mundo

Foi na função de atleta, de árbitro e, posteriormente como presidente da Associação Inglesa de Futebol, que Sir Francis Marindin (Inglaterra), detectou as dificuldades que o árbitro criado em 1881, sozinho enfrentava e iria enfrentar no futuro numa partida de futebol. Daí surgiu a decisão do International Board de se implementar em 1891, dois auxiliares com funções específicas para ajudarem-no a controlar os prélios do esporte mais popular do planeta.  Auxiliares que são chamados até a data presente de bandeirinhas, mas cuja nomenclatura correta é árbitros assistentes.
Pois bem, a Fifa, a Conmebol e o futebol brasileiro perderam na semana que passou, Altemir Hausmann (Fifa/RS), considerado ao lado dos assistentes Michael Mullarkey e Darren Cann, ambos ingleses, como os três melhores na modalidade. Hausmann, por ter  completado 45 anos de idade, foi impelido a se retirar do cenário do apito conforme determina a entidade internacional. O assistente da Federação Gaúcha de Futebol, foi o mais completo profissional que atuou ao longo da história do futebol brasileiro na função.  
Completo, pelo perfeito posicionamento que adotava durante a partida na mesma linha do penúltimo defensor, e pela forma “sui gêneris” que desenvolveu nos deslocamentos de pequena, média e alta velocidade na lateral do campo, o que lhe proporcionava excelente visão no momento de sinalizar ou não o impedimento.
   Da direita para à esquerda, Hausmann, Valdir Bicudo e o professorJosé Luis Barreto em recente   encontro em Porto Alegre (RS).

Completo porque instituiu e aprimorou uma maneira de comunicação visual e trabalho em equipe, através do Bip da bandeira eletrônica e via o ponto eletrônico com o árbitro central, que se alguma infração ou qualquer outro lance escapasse da percepção visual do árbitro, incontinenti, Hausmann assinalava.
Completo porque foi o único assistente que aprendeu e colocou em prática  na essência da palavra, o que é um profissional.  Profissional que foi criticado em muitas ocasiões pela vozes do atraso, incluindo árbitros, dirigentes, comentaristas de arbitragem e um segmento leigo da imprensa que cobre o futebol, que imaginam que pelo fato de estar com uma bandeira nas maõs, o assistente é uma párea num jogo de futebol. A Fifa define quantas e quais são atribuições do assistente e como deve agir em cada situação. Ao contrário da maioria dos “bandeirinhas pusilânimes”, que se fingem de cegos, mudos e surdos e deixam a responsabilidade para o árbitro, Altemir, quando percebia qualquer infração às regras cumpria com a sua missão.  
PS: Os árbitros assistentes, Darren Cann, Michael Mullarkey e o árbitro Howard Webb, são considerados pela Fifa, a Uefa e a Premier League, desde 2010, o melhor triunvirato de apitadores do planeta.     

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Apitômetro: árbitros Fifa apitam mais pênaltis e vitórias de visitantes

Edição do Campeonato Brasileiro de 2013 fica marcada por diminuição no número de faltas cometidas, cartões amarelos, vermelhos e pênaltis em relação ao ano passado.

Por Rio de Janeiro

header do Espião Estatístico (Foto: Editoria de Arte)


Leandro Pedro Vuaden (Foto: Reprodução)Leandro Pedro Vuaden (Fifa/RS) foi o recordista de jogos, trabalhando em 21 jogos - (Foto: Reprodução)
Foram 380 partidas ao longo da competição. Algumas com arbitragens polêmicas, é verdade. Com tantas câmeras posicionadas ao redor do gramado, é difícil que árbitros fiquem sem cometer erros a cada rodada da competição. Porém, pode-se dizer que 2013 termina com um saldo positivo na parte disciplinar do Campeonato Brasileiro. Ao menos em relação ao último ano, o número de incidentes nas partidas diminuiu. Seja no número de faltas assinaladas, cartões amarelos ou vermelhos distribuídos, e marcação de pênaltis, houve queda. Isso significa mais bola rolando e espetáculo para os torcedores - principalmente os que pagam ingressos. Quem mais trabalhou ao longo deste campeonato foi Leandro Vuaden, árbitro gaúcho, que apitou 21 partidas, com média de 34 faltas marcadas, 3,10 cartões amarelos, 0,14 vermelhos e, ao todo, dois pênaltis assinalados.
Na relação feita pelo Espião Estatístico, foram considerados os números totais de faltas do Brasileirão de acordo com os scouts da TV Globo. Os cartões foram checados com as súmulas divulgadas pela CBF após as partidas. Para a relação no top 5 de árbitros, apenas aqueles que apitaram 10 ou mais partidas foram considerados para evitar desvios de interpretação.
faltas cometidas
Se, em 2012, uma média de 36,7 faltas haviam sido marcadas, neste ano foram 34,7 por confronto. A diminuição de 5,5% pode parecer pequena, mas é bastante representativa. Foram 760 faltas cometidas a menos ao longo da competição. O árbitro André Luiz de Freitas Castro (GO) foi o que mais contribuiu para esta queda. Ele trabalhou em 18 jogos e marcou, em média, 27,7 faltas, a menor entre os juízes que trabalharam em ao menos 10 partidas. Na contramão do árbitro goiano, Paulo Henrique de Godoy Bezerra (SC) foi o que apontou o maior número de infrações, em média: 39,9.
Info TOP 5 - Faltas (Foto: Editoria de Arte)


cartões amarelos
A queda no número de cartões amarelos é ainda mais chamativa. Na edição de 2012 do Brasileirão, 1.898 foram anotados, representando uma média de 4,99 por confronto. Já na atual temporada, o número caiu para 1.634 - média de 4,30 - o que significa uma diminuição de 14%. Leandro Pedro Vuaden (Fifa/RS), conhecido por deixar os jogos correrem mais, foi o árbitro que teve o menor índice de cartões amarelos apresentados: 3,10. Apesar disso, esteve longe de ser o que menos marcou faltas. Por outro lado, Alício Pena Júnior (MG) foi o que mais mostrou cartões, em média.
Info TOP 5 - Cartões Amarelos (Foto: Editoria de Arte)


cartões vermelhos
A diminuição no número de cartões vermelhos também aconteceu, porém, de forma mais discreta. Na última temporada, 113 jogadores foram expulsos de campo, enquanto em 2013 este número foi de 107, uma queda de 5,4%. Mesmo trabalhando em 16 partidas, Héber Roberto Lopes (Fifa / PR) foi o único árbitro - entre os que apitaram em 10 jogos ou mais - a não apresentar um cartão vermelho sequer. Porém, essa não é uma tendência dos árbitros "Fifa". Entre os que mais expulsaram, três representam a entidade máxima do futebol.
Info TOP 5 - Cartões Vermelhos (Foto: Editoria de Arte)
 
pênaltis assinalados
Mantendo a tendência de diminuição nas infrações assinaladas em 2013, houve menos pênaltis marcados na atual temporada. No ano passado, foram 88 cobranças da marca do cal, caindo para 80 no atual campeonato - 9% de diferença. É interessante notar que 63,3% das infrações foram em favor dos times da casa, enquanto 36,7% foram marcadas para os visitantes. Marcelo de Lima Henrique (Fifa / RJ) foi o campeão de penalidades máximas, com cinco marcadas em 12 partidas. Por outro lado, Paulo Henrique de Godoy Bezerra (SC) apitou 15 jogos e não apontou um pênalti sequer. Outro dado curioso é que os cinco juízes que mais apitaram pênaltis na competição são árbitros "Fifa".
Info TOP 5 - Penaltis (Foto: Editoria de Arte)
 
vitórias de mandantes ou visitantes
No Campeonato Brasileiro de 2013 foram 184 vitórias dos times da casa, 108 empates e 88 triunfos dos visitantes. Em porcentagem, temos 48,4% vitórias dos mandantes, 28,4% igualdades
23,2% de vitórias do times visitante. Porém, é interessante notar que os árbitros "Fifa" estão entre os que mais apitaram triunfos dos visitantes, enquanto os cinco árbitros que mais trabalharam em vitórias dos times da casa não são representantes da maior entidade do futebol. É claro que este fator pode ser explicado pela própria escala de arbitragem em que os juízes mais experientes e qualificados trabalham em jogos mais equilibrados, em que um triunfo dos visitantes é mais plausível.
Info TOP 5 - Vitórias Mandantes (Foto: Editoria de Arte)

Fonte: globoesporte.com

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Legislação do apito é uma terrível caixa-preta

No último dia 3 do mês em curso, a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, realizou audiência pública em Brasília para discutir vários assuntos inerentes a arbitragem do futebol brasileiro.
Na oportunidade, o presidente da Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf), Marco Antonio Martins, participou da reunião e defendeu a profissionalização do homem do apito. Profissionalização, que Martins saiu alardeando pelos quatro cantos do País, como se tivesse reinventado a pólvora. O que não é verídico.

Porém, quem leu as últimas colunas publicadas aqui neste espaço sobre o tema profissionalização e a forma como o Projeto de Lei 6405/2002, foi elaborado e, posteriormente, descaracterizado ao longo dos anos com a omissão e conivência da Anaf, observará que a Lei nº 12.867, de 11 de outubro deste ano, reconhece a atividade do árbitro como profissional e não contempla a categoria dos homens de preto com mais nenhum benefício.

Nessa mesma reunião, o deputado Edinho Bez (PMDB/SC), integrante da comissão acima nominada afirmou que: “os atletas, os empregados dos clubes, os dirigentes, a imprensa e diferentes segmentos que gravitam em torno do futebol são profissionais, mas, o árbitro continua amador”.
Confesso que estranhei a manifestação do deputado bem como recebi alguns e-mails da categoria dos homens de preto, que entendem que Sua Exa. perdeu uma grande oportunidade, quando teve o projeto em mãos e lamentavelmente não conseguiu atender os anseios da classe mais importante de um prélio de futebol. As declarações do parlamentar estão postadas no site da Anaf. Será que o indigitado representante de Santa Catarina, que foi um dos proponentes da Lei nº 12. 867, por ocasião da elaboração e a seguir da votação da lei, esqueceu da  importância do árbitro numa partida de futebol? Por que só agora, após o reconhecimento meia-boca da atividade do juiz como profissional, vem a público fazer tal afirmação?

Nesse mesmo dia, o deputado em tela, desferiu um “pitaco” que me chamou a atenção. Edinho Bez, solicitou uma audiência pública a comissão da qual é membro, objetivando debater o panorama da arbitragem no futebol brasileiro.
 
Se há interesse do nobre parlamentar em discutir e provocar melhoras na qualidade do árbitro do País pentacampeão de futebol, respeitosamente,  deixo aqui algumas sugestões para serem debatidas na dita audiência.

A extinção da Anaf e a regulamentação em caráter emergencial da Federação Brasileira dos Árbitros de Futebol. Dado que pela Constituição vigente no Brasil e de acordo com o Decreto Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, todas as categorias reconhecidamente profissionais só podem ser representadas em qualquer esfera, por sindicato, confederação ou federação.

Que no estatuto da futura entidade dos apitadores, seja inserido um artigo que vede os dirigentes da instituição de participarem de qualquer cargo nas federações estaduais de futebol e na CBF.

Que seja permitida apenas uma reeleição à federação e que seja expurgada a prática nefasta do continuísmo.

Continuísmo que está impregnado em todos os setores do futebol brasileiro, tal qual metástase.

Que a futura instituição dos homens do apito, institua uma comissão de alto nível para realizar uma Raio-X da atual e futura composição da Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf), e apresente os resultados a direção da CBF, não de forma imperativa, mas com sugestões e projetos, visando o crescimento gradativo e qualitativo do nosso árbitro.

Que a entidade a ser regulamentada tenha independência para formar árbitros, aprimorar e implementar cursos de arbitragem com instrutores internacionais, reconhecidos pela Conmebol, Uefa e a Fifa.

Que os contratos de patrocínios estampados na indumentária do árbitro e demais componentes de arbitragem num jogo de futebol, sejam celebrados pela federação e parte do montante auferido, designado na capacitação continuada da arbitragem e o que restar, seja distribuído a todos os apitos que compõe a Renaf.

Que se discuta e viabilize juridicamente via Congresso Nacional, como inserir o árbitro de futebol no direito de arena, que tem sua imagem veiculada na TV a exemplo dos atletas.

Que as atuais associações de árbitros que são maioria e com o reconhecimento da atividade do árbitro como profissional, perderam a razão de existir, recebam orientação jurídica adequada no sentido de buscar os meios de se transformarem em sindicatos.

Que os dirigentes da futura instituição, pensem e elaborem um projeto com o intuito de viabilizar a aquisição ou em regime de comodato de um espaço físico e ali criar, um centro de formação e capacitação continuada do árbitro de futebol, a exemplo da Uefa.

Centro que deverá ser dirigido por ex-árbitros com notório conhecimento sobre as Regras de Futebol, e que tenham identidade e conheçam as nuances do dia a dia que vivencia o Referee na direção de um espetáculo de futebol.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Árbitros Sul-Americanos são desconhecidos no resto do mundo

O site REFEREETIP, um dos mais conceituados da Europa no tema arbitragem, sediado em Lisboa (Portugal), está desenvolvendo uma pesquisa com os internautas em âmbito mundial, com o intuito de saber quem foi o melhor árbitro de futebol do mundo em 2013. No aludido site estão inseridos para o internauta votar os nomes dos seguintes árbitros: Bjorn Kuipers (Holanda), Carlos Velasco (Espanha), Cuneyt Cakir (Turquia), Damir Skomina (Eslovênia), Felix Brich (Alemanha), Gianluca Rocchi (Itália), Howard Webb (Inglaterra), Mark Clattenblurg (Inglaterra), Milorad Mazic (Sérvia), Pedro Proença (Portugal), Ravshan Irmatov (Uzbequistão), Stephane Lannoy (França) e Wolfgang Stark (Alemanha).
Observando a indigitada lista, vislumbrei apitos de doze países, muitos sem nenhuma tradição futebolística e não encontrei nenhum árbitro do futebol Sul-Americano, inclusive do futebol brasileiro. A não inclusão na lista em tela de nenhum dos apitos que atuam na América do Sul, reflete de forma inexorável a distância que existe entre o conceito de formação, de preparação e de capacitação continuada que é empregada pelos europeus no setor das arbitragens.
E, por extensão, escancara o modelo arcaico praticado pelos responsáveis da arbitragem Sul-Americana, incluso, o quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), um dos mais pobres do Continente.
A pobreza qualitativa do árbitro de futebol no Brasil, está ancorada no continuísmo que está impregnado há décadas nas comissões de arbitragens das federações estaduais e no comando da Comissão de Árbitros da CBF. Tanto na CBF como nas federações, há um grupo de pessoas com ideias e ações anacrônicas, que vem se revezando há vários anos na direção da arbitragem e o reflexo negativo pode ser visto a cada rodada, nas tomadas de decisões de árbitros e assistentes nas competições estaduais e na entidade que rege o futebol brasileiro.
Além do exposto no parágrafo acima, há uma outra prática dolorosa que tem contribuído para o enfraquecimento qualitativo da arbitragem brasileira. A cooptação efetivada pela CBF e as federações, junto aos dirigentes da Anaf, de alguns sindicatos e das associações de árbitros. Dirigentes que ao invés de se moverem na direção dos interesses dos seus filiados, “rastejam” de maneira antiética, para obter a designação de assessores de arbitragem ou delegado especial, nos campeonatos das entidades nominadas, por míseros reais.  
Mas, se alguém pensa que haverá mudanças relacionadas à arbitragem, pode tirar o cavalo da chuva. Explico: O ano que vem tem eleição na CBF, nas federações estaduais e o voto de cabresto nos currais eleitorais vai correr solto.
Diante do que se leu acima, o trio de árbitros brasileiros que foi indicado pela CA/CBF para atuar na Copa de 2014, deve colocar as “barbas de molho” e correr atrás do prejuízo, objetivando o aprimoramento técnico, tático, físico e psicológico de excelência exigido pela entidade internacional. Na Fifa não tem o famoso “jeitinho” brasileiro”.   
Finalizando, gostem ou não da informação, fui informado por uma fonte fidedigna e com acesso a Massimo Busacca, o chefe de arbitragem da Fifa, de que o Comitê de Árbitros que é presidido por Jim Boyce, está de posse de vídeos de vários jogos realizados no futebol Sul-Americano nas temporadas 2011/2012 e 2012/2013. O meu interlocutor não soube precisar qual foi a avaliação do que viram os homens que manejam o apito em Zurique, porém, em se tratando do desempenho sofrível que tivemos nos torneios da CBF nos últimos dois anos, é bom ficar de “antena ligada”.
                                      Simon em encontro com a presidente Dilma Rousseff.
PS: E, se há alguma dúvida na didática que vem sendo utilizada na formação e no aprimoramento do árbitro brasileiro, basta acessar o site da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) -  organismo reconhecido pela Fifa, que versa sobre os melhores árbitros de futebol de todos os tempos. Carlos Eugênio Simon (foto), ex-árbitro Fifa (RS) que encerrou sua carreira há três anos, é o único brasileiro que consta na lista da (IFFHS), na 32ª posição no Ranking.

PS (1): A pesquisa do REFEREETIP não é para saber quem é o melhor árbitro da Europa. Ela é concisa: Quem é o melhor árbitro de futebol do planeta. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Platini promete repensar a implementação da tecnologia



Assim que viu, reviu e treviu, o portentoso chute do meia inglês Frank Lampard, passar por cima do goleiro alemão Neuer, bater no travessão, quicar dentro do gol e sair (a bola ultrapassou a linha de meta em 46 centímetros) - na partida  Alemanha x Inglaterra, na Copa do Mundo da África do Sul,  Joseph Blatter, o presidente da Fifa, não teve mais sossego.
        Inglaterra x Alemanha na Copa da África do Sul, a bola ultrapassou a linha de meta em 46 centímetros.

Uma avalanche de e-mails invadiu o site da Fifa em Zurique, pedindo a implementação da tecnologia na arbitragem. A maioria das correspondências eletrônicas, solicitava a Goal line technology (tecnologia para detectar se a bola ultrapassou ou não linha do gol).
Já Blatter, a cada evento da Fifa ou quando visitava algum filiado da entidade que preside, era torpedeado de todos os lados pela mídia que lhe questionava sobre a introdução ou não da eletrônica no auxílio à arbitragem, no sentido de equacionar lances como o de Lampard e similares.
Além do acontecido e diante de  uma cachoeira de questionamentos, a Fifa buscou alternativas ao assunto e determinou vários experimentos tecnológicos que foram colocados em prática com autorização do International Board (IFAB).  Após inúmeros testes, no dia 5 de julho de 2012, o (IFAB) autorizou o uso da tecnologia na linha do gol. Tecnologia que teve como vencedora a empresa alemã, GoalControl.
Aprovada, a tecnologia foi utilizada pela primeira vez no Mundial de Clubes do Japão no ano passado, posteriormente na Copa das Confederações em Junho/13 no Brasil.  De  8 a 13 de dezembro do ano em curso será usada no Mundial de Clubes no Marrocos, e, por consequência, a GoalControl, instalará suas quatorze câmeras (sete em cada meta), na Copa do Mundo de 2014 no Brasil.
Diante dos acontecimentos acima nominados, Michel Platini, presidente da Uefa, ferrenho defensor dos árbitros adicionais (AA) e contrário ao uso da tecnologia como forma de ajudar a arbitragem, afirmou hoje ao Diário World Soccer, que está propenso a permitir a utilização da tecnologia na Eurocopa de 2016, que será realizada na França.
Platini, tem elencado inúmeras situações contrárias ao implemento da tecnologia no auxílio dos homens de preto, alegando os altos custos financeiros e a sua eficácia. Porém, o presidente da Uefa enfatizou que, “Como a  (IFAB)  e Fifa decidiram pela utilização da tecnologia na linha do gol no Mundial de 2014, nada impede-o de repensar o tema e quem sabe implementá-lo na competição na França", mas, com a presença do quinteto de arbitragem. Ou seja: o árbitro, dois assistentes e os dois árbitros adicionais.  
PS: Na América do Sul, a tecnologia foi testada pela primeira vez no Campeonato Mundial Sub-17 da Fifa, em 2005, no Peru. Naquela oportunidade o sistema empregado foi o Cairos GLT System. Esse sistema tem um sensor dentro da bola que envia sinais a uma central de GPS. Um computador analisa os dados, e informa o árbitro se a bola ultrapassou totalmente a linha de meta ou não. A tecnologia empregada naquele campeonato mostrou-se lenta e com eficácia duvidosa.  

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ENTREVISTA


Rabelo quer mudanças radicais na arbitragem


Quando assumiu a direção do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Rio de Janeiro (Saperj), em 2004, o ex-árbitro e atual presidente da entidade, Jorge Fernando Rabello (foto), encontrou um clima de terra arrasada. O sindicato não tinha sequer um CEP, seus ativos e documentos desapareceram e a instituição era cliente do SPC e Serasa, bem como havia dividas trabalhistas com fornecedores. Nove anos após, esse mesmo sindicato promove pelo quarto ano consecutivo a festa de confraternização com distribuição de brindes para seus associados (www.saperjarbitros.com.br) - e pela primeira vez desde a sua fundação, irá sortear um carro zero quilômetro nas festividades de final de ano, e, graças ao seu plano estratégico de investimentos, já garantiu um carro zero, nas futuras  confraternizações até  2019.
                         
Rabello enfatiza que desde 2006, quando Rubens Lopes, assumiu a presidência da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), é praticado o "conceito de sistema" em sua essência e forma, ou seja, FFERJ/SAPERJ/COOPAFERJ/ARBITROS, com todos fazendo parte de um conjunto de partes interagentes e interdependentes, que formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinadas funções.
Dada a importância do futebol e da arbitragem da cidade maravilhosa e as informações do modelo de gestão da Federação Carioca de Futebol, do sindicato, da cooperativa e a fortíssima interatividade existente com os membros do quadro de árbitros, que são os únicos do futebol brasileiro a participarem dos lucros obtidos com a exibição das logomarcas nos seus uniformes, questionamos Rabello via e-mail sobre vários temas inerentes à arbitragem, e ele de imediato nos respondeu. Confira a entrevista.
Paranaonline -  Quais são as metodologias que serão aplicadas na pré-temporada aos árbitros que irão atuar no Campeonato Carioca de 2014?
Jorge Rabello – A partir de 6 a 10 de janeiro próximo, pelo quarto ano consecutivo iremos realizar nossa pré-temporada no Centro de Desenvolvimento do Volei, em Saquarema. E, objetivando aproximar-se da uniformização nos critérios de interpretação e aplicação das Regras de Futebol, desenvolveremos com os árbitros e assistentes selecionados, prática no campo de jogo, teoria no campo de jogo, prática na sala de aula e teoria na sala de aula.
Paranaonline – Além da interpretação e aplicação das regras e outros fundamentos de arbitragem, há alguma ferramenta especial que será utilizada na pré-temporada do ano que vem?
Rabello – O presidente da (FFERJ) Rubens Lopes, que tem uma criatividade descomunal e valoriza sobremaneira um dos mais importantes campeonatos do País, após ouvir nossas sugestões, procurou a empresa que vai patrocinar o carioca de 2014, e adquiriu o  Software "REFEREE FEEDBACK", que é utilizado pela Fifa, a Uefa e a Premier League, para treinamento dos árbitros e árbitros assistentes.
Paranaonline - Qual é a importância dessa ferramenta para o quadro de arbitragem que é manejado pelo senhor?
Rabello -  O REFEREE FEEDBACK, tem um conteúdo importantíssimo no estudo das situações de impedimento aos assistentes, no posicionamento em situações dentro e fora da área penal e traz informações relevantes ao árbitro central.
Paranaonline -  Objetivamente, esse Software vai proporcionar avanços nas tomadas de decisões dos homens de preto no campo de Jogo?
Rabello - fundamentalmente o software permite através de sua tecnologia uma auto-aprendizagem comparativa em tempo real, o que é difícil em outras condições, bem como fornecer a equipe de instrutores elementos suficientes para uma análise completa da situação e fornecer ao árbitro e ao assistente diretrizes para melhorar suas decisões.
                                                                              
Paranaonline – Esse equipamento não existe no mercado brasileiro. Qual é a previsão de chegada do software e haverá algum treinamento aos instrutores de arbitragem da Federação Carioca de Futebol?
Rabello – Chegará no dia 17 de Dezembro e junto virá um representante da empresa que nos vendeu,  para ministrar dois dias de treinamentos para nossos instrutores estarem aptos a utilizar o software na pré-temporada de 2014.
Paranaonline – A sua federação está aderindo a tecnologia. Como vê as implementações tecnológicas que a Fifa anunciou recentemente, com o intuito de auxiliar a arbitragem a equacionar lances que fujam do seu campo visual?
Rabello –  Minha opinião sobre o tema é a mesma de Michel Platini, presidente da Uefa. Antes de considerarmos a entrada da tecnologia na arbitragem de forma contínua e desordenada, devemos esgotar todas as possibilidades de aprimoramento e preparação dos recursos humanos, para uma partida de futebol. Além do exposto, temos que levar em consideração que todas as decisões da Fifa e do Board tem consequências em todo o planeta. E, por último, são tecnologias que requerem grande investimento financeiro e se aplicada em todos os Países membros da Fifa, teremos problemas dado o seu alto custo.
Paranaonline – Além da empresa GoalControl, vencedora do processo junto a Fifa na área tecnológica desde o ano passado, que instala quatorze câmeras (sete em cada meta) e da bola com chip -  recentemente o Japão anunciou que está desenvolvendo um estudo com dezesseis câmeras - (sendo oito atrás de cada assistente) – com o objetivo de detectar impedimento em tempo real com precisão milimétrica. Isto não irá  mexer na essência do futebol?
Jorge Rabello – Sou e serei favorável a tecnologia como instrumento de auxílio à arbitragem em lances que escapem do seu campo visual. Agora, conhecendo o conservadorismo dos velhinhos do International Board, podemos afirmar que o que foi aprovado até o momento tem foco em lances objetivos, ou seja, ou a bola ultrapassou ou não a linha de meta na sua plenitude. Qualquer coisa diferente disso tenho certeza não prosperará. As Regras de Futebol tem na sua quase totalidade a interpretação, cujo DNA é a subjetividade.
Paranaonline -  Que avaliação faz  do movimento Bom Senso FC?  E os árbitros, também sofrem desgaste similar aos atletas, ou quanto mais jogos melhor porque recebem por partida?
Rabello – Acho um movimento interessantíssimo, e acima de tudo expõe a ausência de competência e de unidade dos dirigentes dos clubes e das federações de futebol em responder com um calendário objetivo os atletas. Quanto aos árbitros, vejo situação diferente, uma vez que a quantidade de jogos não interfere tanto quanto nos jogadores, em razão do esdrúxulo e obsoleto sorteio, muito embora deva admitir que no campeonato brasileiro deste ano, um grupo seleto de árbitros e assistentes,  devem estar muito cansados, tamanha a quantidade de vezes que foram escalados em algumas oportunidades de forma sequencial.
Paranaonline – Qual é o legado que a Copa do Mundo de futebol deixará à  arbitragem brasileira?
Rabello – Nenhum. Uma vez que o Mundial é apenas um evento. E o problema da nossa arbitragem não está no evento, mas no processo.  
Paranaonline – Os árbitros, Leandro Vuaden e Wilson Seneme foram indicados para o processo pré-seletivo da Fifa pela CBF, para a Copa. Ambos foram reprovados nos testes físicos e sumariamente desligados. Na sua opinião, como está a arbitragem brasileira para o Mundial do ano que vem?
Rabello – Em relação ao Seneme nenhuma novidade. Ótimo árbitro, mas, com um histórico crônico na parte física, problema que vem desde 2007 nos testes físicos (Fifa/Test). Todos tinham conhecimento das suas limitações.  Das duas, uma: ou a política falou mais alto, ou então sua indicação foi por falta de opções. Se foi pela ausência de opções, fica explícito que o processo de renovação realizado no setor do apito, após a Copa da África do Sul pela CA/CBF, fracassou. Já Vuaden, foi uma decepção e nunca poderia ter jogado fora uma oportunidade única.
Paranaonline – E a indicação de Sandro Ricci foi justa?
Rabello – Na verdade o Brasil até o presente instante não sabe qual foi o critério usado nessa indicação. Heber Roberto Lopes, Marcelo de Lima Henrique e Paulo Cesar de Oliveira, estão alguns degraus acima de Ricci, tanto no futebol brasileiro como em âmbito internacional e foram preteridos. Lembro ainda que o histórico de reprovações nos testes físicos da Fifa envolvendo a nossa arbitragem, é antiga e isso faz com que a percepção dos instrutores da entidade internacional nesse quesito, seja a pior possível em relação aos nossos apitos.
Paranaonline – Michel Platini, contrário a tecnologia no auxílio à arbitragem, implementou nas competições da Uefa, os árbitros adicionais (AA) na linha de fundo.  Que análise o sr. faz desse experimento?
Rabello – Lembro que essa experiência colocada em prática pela Uefa, tem um precursor: A Federação Carioca de Futebol. Os árbitros adicionais foram testados pela primeira vez numa partida de futebol, na decisão da semifinal da Taça Rio, em abril de 2008, na partida Botafogo x Fluminense. A Uefa gostou do que viu e em novembro daquele mesmo ano, implementou-a no SUB-19 Europeu, disputado na Eslovênia.
Paranaonline – Posteriormente um dos membros do International Board, Sir. David Macvicar veio ao Rio de Janeiro observar o treinamento da novidade e acabou assistindo ao clássico Botafogo x Flamengo, com os árbitros adicionais.  O que ele disse do que viu?
Rabello - Na oportunidade ele demonstrou satisfação com o nível de treinamento e com a praticidade que observou no campo de jogo. Houve discordância em relação ao lado que deveriam ficar os nominados árbitros. Os nossos adicionais ficavam postados no lado oposto onde atualmente se posicionam os (AA). Perguntei os motivos da discordância e Sir. Macvicar me disse que, colocando o árbitro adicional no mesmo lado do assistente evitaria que o árbitro central abandonasse a sua diagonal.
 Paranaonline – Mas as críticas no futebol brasileiro contra os árbitros adicionais e contra o sr. na época foram contundentes. Há quem diga que eles não servem para nada. É procedente a insatisfação?
Rabello – Acontece que não basta designá-los e postá-los atrás das metas. É necessário treinamento de excelência, como nós fazemos aqui no Rio. Temos vinte e sete federações de futebol, mas apenas Rio e São Paulo utilizam (AA) nos seus campeonatos estaduais. Os demais quando escalados no Brasileirão, apresentam dificuldades de adaptação e em muitas situações ficam perdidos. Na minha opinião é como atravessar o deserto do Saara sem bússola ou mapa, pode até conseguir, mas definitivamente não é a forma mais correta.
Paranaonline - Como ex-árbitro e agora como comandante do grupo de arbitragem da Federação Carioca pergunto: O que vale mais para um bom árbitro: talento, preparação ou personalidade?
Rabello – Penso que o árbitro é um todo. Parte de outro todo que são seus colegas de profissão, possui características psicológicas, talento, personalidade, que terão de ser desenvolvidas enquanto globalidade. É dessa maneira que entendo não haver possibilidade de separar o físico do psicológico, talento da personalidade. Portanto, não há como trabalhar nenhum aspecto de forma separada ou descontextualizada.
Paranaonline – Como presidente do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Rio de Janeiro que análise faz da Lei 12.867, que reconheceu a atividade do árbitro como profissional?
Rabello – Em todas as entrevistas que concedi ao ser questionado sobre o fato respondi: Agora a profissão do árbitro é regulamentada. Vai mudar alguma coisa? Não. Se formos perguntar aos sonhadores de 2002, que deram origem ao Projeto de Lei nº 6405/2002, sobre, quais seriam seus objetivos e visão de futuro a respeito da profissionalização dos árbitros, seguramente iríamos ouvir alguma coisa parecida como: “O árbitro de futebol igual a imagem e semelhança do atleta de futebol”, ou seja:- terá seus direitos trabalhistas regidos pela CLT, CONCOMITANTEMENTE a Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé).
Paranaonline - O senhor está dizendo que foram subtraídas propostas do Projeto de Lei 6405/2002, que não foram inseridas na lei que reconheceu o homem de preto como profissional? Traduzindo: O que foi aprovado é um arremedo?
Rabello -  Exatamente. Veja o que faltou no projeto aprovado: O árbitro terá sua remuneração pactuada em contrato formal de trabalho firmado com as entidades que promovem os eventos (Confederações e Federações). Terá na relação de trabalho todos os requisitos do art.3 da CLT, onde todos os árbitros de futebol são considerados empregados, portanto, observadas as regras da legislação especial (Lei Pelé), seus contratos seriam submetidos a todas as regras da Legislação Geral (CLT).  A pergunta a ser respondida lá trás em 2002, era: o arbitro de futebol pode viver da arbitragem sem outra fonte de remuneração? A resposta era NÃO. Fazemos a mesma pergunta agora em 2013, após a aprovação da regulamentação da profissão e a resposta é a mesma, NÃO. Resumindo: A Lei nº  12.867 produz um efeito similar ao você pisar no acelerador do seu carro e ao mesmo tempo na embreagem, ou seja, temos muito barulho mas o movimento é zero.
Paranaonline – Quais são os motivos que levam a Associação Nacional de Árbitros de Futebol (Anaf), a se manter calada sobre os estratosféricos contratos das publicidade que são estampados nas meias, bermudas, camisas e nas mangas das camisas dos árbitros da (Renaf) e não repassar a esses árbitros um único centavo?
Rabello - Infelizmente a Anaf está sem liderança, acéfala de pessoas, de ideias, projetos e seus congressos realizados anualmente não atendem as demandas da confraria do apito nacional. “Estranhamente” em todos os congressos da entidade é comum observarmos a presença dos “patrões”, e aí prevalece a política. Agora, a verdade precisa ser dita: Não se pode colocar toda a culpa nos ombros a Anaf. Os maiores culpados por tudo que está acontecendo na arbitragem brasileira, são os próprios árbitros, sobretudo, aqueles ostentam o escudo da Fifa, que a tudo veem e nada fazem para mudar o quadro de letargia. Falta coragem, independência aos apitos da Fifa, que por sua “suposta” representatividade poderiam se desejassem, sugerir e provocar transformações significativas na arbitragem nacional em todos os níveis. Mas, o que se vê, é cada um  preocupado em defender seus próprios interesses e com seu bolso. Não existe entidade forte com árbitros fracos.
Paranaonline – O continuísmo é uma forma perversa que atrapalha o desenvolvimento de qualquer segmento. Como evitar a perpetuação de pessoas ou de um grupo como vem acontecendo há mais de uma década no comando da CA/CBF?
Rabello -  Entendo que o modelo de gestão que está em vigor na atualidade necessita de uma mudança urgente, já que de 2007 a 2013, as trocas de comando na CA/CBF não atenderam as necessidades que a arbitragem do Século XXI exige. Recentemente fui informado que o ex-árbitro, Sálvio Spínola Fagundes, deixou a CBF por falta de condições de trabalho. Se de fato aconteceu, ficará uma lacuna, dado o excelente trabalho que Spínola vinha realizando com os apitos pré-selecionados para a Copa do Mundo.  O grande problema do nosso futebol inserido aí a arbitragem, é que os que estão no poder promovem um tipo de cultura insular, ou seja, só conversam entre si, afastam a tudo e a todos e as novas ideias externas ao processo, priorizando de forma especifica suas próprias convicções e interesses.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Direito de Arena: A polêmica continua

O desembargador Ricardo Couto de Castro, da 3ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, julgou improcedente um pedido de indenização feito por árbitros de futebol cariocas e paulistas. Queriam receber pelo direito de arena. O pedido tinha arrimo na Lei Pelé, que dá aos clubes o direito de negociar a transmissão dos jogos. E-mail
Segundo o magistrado, árbitros e auxiliares não são atletas e já recebem remuneração por atuação; não podem, por isso, pretender direito de imagem. De fato. O art.28 da Lei 9.615/98 diz que o contrato de trabalho do atleta profissional de futebol se rege pela legislação trabalhista, pelas normas gerais da seguridade social, pelas peculiaridades expressas em seu texto e pelas singularidades do contrato de atleta profissional.
O direito de arena, previsto no parágrafo 1º do art.42 da Lei 9.615/98, é acessório do contrato de trabalho e, como tal, não pode escapar à abrangência da competência material da Justiça do Trabalho. Por direito de arena, entende-se “o direito de autorizar a fixação, transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo desportivo de que participem”. O art.42 da Lei Pelé repete o parágrafo único do art.100 da Lei 5.988/73, que determina a divisão entre os atletas, em partes iguais, de 20% do preço da autorização da divulgação do espetáculo desportivo, por qualquer meio. Textualmente, a lei diz o seguinte:
“Às entidades de prática desportiva pertence o direito de negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem.
Parágrafo 1º. Salvo convenção em contrário, vinte por cento do preço total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo ou evento.
Parágrafo 2º. O disposto neste artigo não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda de três por cento do total do tempo previsto para o espetáculo”.
A lei fala em rateio entre atletas. Árbitros e auxiliares não são atletas. Têm suas profissões paralelas e, ocasionalmente, apitam partidas ou auxiliam os apitadores. No intuito de fraudar o Fisco, o FGTS e o INSS, os clubes forçam os jogadores a criar uma pessoa jurídica, uma empresa que explorará os direitos sobre a sua imagem. Chama-se a isso “pejotização”, isto é, criação fajuta de uma pessoa jurídica. Em vez de pagar salário diretamente ao atleta e, com isso, recolher sobre o valor pago as cotas do INSS, o FGTS e o imposto de renda, os clubes recebem o dinheiro dos salários dos atletas através de contratos de uso de imagem celebrados pelo patrocinador do clube e essas empresas fajutas.
O negócio funciona assim: em vez de pagar o patrocínio ao clube, e o clube repassar parte desse patrocínio aos atletas, as empresas patrocinadoras repassam o dinheiro diretamente às empresas de prestação de serviços de exploração da imagem dos atletas, que pertencem aos próprios atletas, ou a parentes deles. Sendo fruto de um contrato civil de cessão de imagem, e não de um contrato de trabalho, esse dinheiro não cai nas garras do INSS e do FGTS. Cai nas garras do Leão, mas sempre se dá um jeito. Em troca desses contratos de cessão de imagem, os atletas se obrigam a emprestar a sua imagem a campanhas publicitárias institucionais dos patrocinadores. Raramente se vê uma dessas campanhas no ar, o que prova que quase sempre tudo não passa de um engodo pra fraudar tributos e encargos sociais.

É claro que o atleta não é um santo, e sabe como as coisas serão feitas. Tem sua parte no esquema. Quando a coisa vai parar na Justiça do Trabalho, o atleta até ganha o reconhecimento de que aquele dinheiro, supostamente fruto de um contrato de exploração de imagem, é, na verdade, salário direto, pago de forma indireta pelo patrocinador, mas também sai tosquiado, porque o juiz mandará incidir sobre tudo os encargos previdenciários, do FGTS e do Imposto de Renda. Sem contar a expedição de ofício ao Ministério Público do Trabalho, porque há crime de sonegação fiscal.
O parágrafo 2º do art.42 da Lei 9.615/98 diz que os flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins exclusivamente jornalísticos ou educativos cuja duração, no conjunto, não exceda a 3% do total do tempo previsto para o espetáculo, não se sujeitam ao pagamento do direito de arena.
Fonte: Monitor Mercantil, artigo da professora de Direito Mônica de Cavalcanti Gusmão.

PS: A brilhante explanação da professora Mônica Gusmão, sobre o Direito de Arena aos árbitros do futebol brasileiro, acoplado a recente matéria exibida aqui neste espaço do site (www.conjur.com.br) - desmistifica e reprova por completo o postado no "Balanço do Congresso da Anaf", realizado no último mês de novembro. O caminho não é ir a TV. O correto é viabilizar junto ao Congresso Nacional, mecanismos que insiram o árbitro na Lei dos Direitos Autorais ou de imagem como queiram. "A tal comissão" anunciada pelo presidente da Anaf, Marco Antonio Martins, para esse fim, se mantida será a "galhofa do ano".  Ou melhor: Essa comissão já nasceu natimorta.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Cariocas com tecnologia inteligente: Árbitros

Recebo via e-mail, a programação da pré-temporada que será ministrada aos árbitros e assistentes da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ), a partir do próximo dia 6.  O cronograma de atividades,  elaborado pela Comissão de Arbitragem em conjunto com o Sindicato dos Árbitros de Futebol/RJ, sob o comando do presidente, Jorge Rabello, prevê uma novidade inédita em termos de arbitragem.
Será apresentado ao quadro de árbitros da Federação Carioca de Futebol, que participarão da pré-temporada na data acima nominada, o Software, REFEREE FEEDBACK. Software que traz como conteúdo principal, uma infinidade de lances que versam sobre o impedimento e um acervo considerável de simulações de Off side, objetivando aprimorar as tomadas de decisões do assistente no que concerne a regra VI – árbitros assistentes.  

Essa tecnologia é utilizada pela Fifa, a Uefa e a Premier League, para treinamento dos árbitros e assistentes, que atuam nas competições das entidades internacionais.

Via correspondência eletrônica, Jorge Rabello me diz que a compra do indigitado Software, tornou-se possível em função do contrato de patrocínio firmado entre a (FFERJ) e a empresa  que vai dar nome ao campeonato, e, por consequência, vai expor sua logomarca nos uniformes dos árbitros cariocas no campeonato de 2014.

Rabello enfatiza ainda que parte da verba do patrocinador será destinada ao (SAPERJ) - Sindicato dos Árbitros do RJ, na requalificação dos apitos  e a outra parte para pagamentos de cotas de patrocínio aos árbitros (o que já acontece desde, 2008).  Nunca é demais lembrar, diz o presidente da Comissão de Arbitragem, que a FERJ é a única entidade que concede participação a entidade sindical e aos árbitros. Ou seja, participação nos lucros.

A medida anunciada pelo Saperj é inédita, visto que nem a CBF até a presente data possui o equipamento acima mencionado. De outro lado, explicita o comprometimento do presidente  da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, para com o torcedor, a imprensa, os atletas e os seus filiados.

E, por extensão, com as principais personagens de uma partida de futebol, os árbitros do Rio de Janeiro, que ao utilizarem uma ferramenta da magnitude do REFEREE  FEEDBACK, irão adquirir Know-How e, por conseguinte, se bem aplicado no momento de interpretar e aplicar as Regras de Futebol, o farão com maior exatidão.  

Confira abaixo a programação da pré-temporada dos apitos carioca.

Dia 6/1/2014 – 7h – café – 12h – almoço -  das 15h às 17h – atividades físicas com o professor Paulo Barroso Erik – 19h – jantar – 20h – abertura e apresentação dos trabalhos a serem desenvolvidos na pré-temporada.

        Marcelo de Lima Henrique/Fifa/RJ

Dia 7/1/2014 – 7h – café – das 9h às 10h30 – circuito das seis estações – 12h – almoço -  15h - treinamento para árbitros assistentes, posicionamento e tomadas de decisões – a seguir, árbitros e as mudanças na Regra XI – Impedimento – 17h – inversão de funções entre árbitros e assistentes – 19h – jantar – 20h30 – simulação e atitude.


Dia 8/1/2014 – 7h – café – 9h – passeio tático quatro estações – 10h30 – o temido Yoyo teste, que é aplicado pela Fifa aos árbitros e assistentes que participarão da Copa de 2014 – 12h – almoço – 15h – exercícios de alta intensidade padrão Fifa. Árbitros e assistentes – 19h – jantar e posteriormente, avaliação dos trabalhos envolvendo árbitros e assistentes.


Dia 9/1/2014 – 7h – café – 9h – Árbitro adicional e trabalho em equipe – 10h30 Ariet – 12h – almoço – 15h – assistentes, posicionamento e tomadas de decisões – árbitros, mudanças na Regra XI – Impedimento – 17h – FEED BACK e avaliação após o trabalho de vídeo – 19h – jantar – 20h30 – tiro penal e resultado do trabalho com o GPS.  


Dia 10/1/2014 – 7h – café – 9h -  Diretrizes gerais – 10h30 – encerramento – 12h – almoço.