quinta-feira, 24 de abril de 2014

Edital de convocação da Assembleia Geral de Alagoas

EDITAL DA CONVOCAÇÃO
ANAF – Associação Nacional dos Árbitros de Futebol – através de seu presidente Marco Antonio Martins, convoca seus associados para a realização da Assembleia Geral Extraordinária em conformidade com o Estatuto, que será realizada nos dias 16 e 17 de maio de 2014, às14horas em primeira convocação e às14h30min em segunda e última convocação, com qualquer número de presentes, no auditório do Hotel Enseada, sito à Av. Dr. Antônio Gouveia, 171, Pajuçara – Maceió – Alagoas – AL.
Ordem do dia:
a) Leitura da ATA da Assembleia anterior; b) Regularização Financeira dos Sindicatos Junto a ANAF; c) Regularização dos documentos dos Sindicatos Junto a ANAF; d) Filiação de associados; e) Reformulação estatutária; f)Aprovação do regimento Eleitoral;g) Indicação da Comissão Eleitoral; h) Aprovação do edital com calendário eleitoral;i) Carta Sindical dos Sindicatos Estaduais; j)FEBAF; k) regulamentação da Profissão de Árbitro; l) Legalidade das Escolas de Arbitragem mantidas pelas Federações; n) Ações Junto ao Ministério Publico do Trabalho; m) Outros Assuntos. A Assembleia Ordinária será realizada após o término da AGE, com a seguinte ordem do dia: a) aprovação da previsão orçamentária; b) outros assuntos.
Marco Antonio Martins – Presidente.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Árbitros violentaram as Regras de Futebol

Na semana que passou, a CA/CBF encaminhou um memorando aos árbitros, aos assistentes, àqueles de irão desempenhar a função de quarto árbitro e árbitros adicionais, que compõe a Relação Nacional de Árbitros de Futebol (Renaf) no Campeonato Brasileiro deste ano.
Neste comunicado, a CA/CBF, além do cumprimento irrestrito das Regras de Futebol, orientou e elencou os principais tópicos que a arbitragem deve colocar em prática no Brasileirão/14, nas Séries A, B, C e D.  Antes do memorando, a Comissão de Arbitragem, designou uma plêiade de instrutores do apito que  percorreu paulatinamente todos os estados onde tem membros da Renaf e aplicou testes físicos, teóricos e práticos.
Pois bem, na sexta-feira tivemos o início da Série B e o festival de equívocos na interpretação e aplicação das Regras de Futebol.  Mas, a coisa degringolou mesmo foi na Série A, a principal divisão do maior “campeonato do mundo” da Confederação Brasileira de Futebol, onde se acredita são escalados os melhores  árbitros e assistentes. Diante das “BARBÁRIES” perpetradas na interpretação e aplicação das Regras de Futebol nas partidas que observei, a impressão que tive foi a de que:  Ou os instrutores que viajaram o Brasil no início deste ano aplicando testes aos homens de preto da Renaf, não souberam transmitir o que quer a CA/CBF nos seus torneios, ou então, alguns apitos e bandeirinhas que atuaram na primeira rodada do Brasileirão do ano em curso, devem ser submetidos em caráter emergencial, a um processo de capacitação continuada e só então voltarem a participar dos sorteios. 
Confira abaixo as orientações e determinações que a CA/CBF encaminhou aos árbitros, assistentes, quarto árbitro e árbitros adicionais, que deverão ser cumpridas em todas as competições da CBF. Algumas das normas aqui mencionadas, foram descumpridas "fragorosamente" já na primeira rodada.
Disciplina: rigor na utilização dos cartões, não permitindo jogadas com excesso de força e temerárias.
Comemoração de gol: evitar os excessos e nos estádios com escada, o árbitro deve mostrar cartão amarelo ao jogador que subir a escalá-la para comemorar o gol.
Agarra-agarra dentro da área: agir com rigor e cumprir a regra.
Mão na bola: Distinguir movimento natural do corpo de movimento antinatural não necessário para a disputa da bola.
Faltas Persistentes: Advertir com cartão amarelo, os atletas que cometem muitas faltas leves.
Impedimento: Observar o novo texto da Regra XI - Impedimento - para desvio e passe e interferência clara no adversário.
Árbitro Assistente Adicional: Tomar atitude nas grandes decisões.
Aquecimento de jogadores reservas: somente 6 por vez.
Gandulas: Orientá-los para repor a bola o mais rápido possível.
Área técnica: Controlar o comportamento de todos e não permitir o uso de rádio comunicador.
Jogador lesionado: Se bater a cabeça interromper imediatamente o jogo. Agir com rigor em casos de o atleta cair ao chão no momento de substituição, demonstrando que quer retardar partida.
Raio Laser: Interromper o jogo.
Sinalizadores ou artefatos pirotécnicos: interromper imediatamente o prélio e pedir para o policiamento retirar de campo.
Atos de Racismo: Interromper o jogo, comunicar o comandante do policiamento e fazer as anotações no relatório.
E, por último, buscar a unificação nas tomadas de decisões nas partidas. 

PS: Os árbitros precisam se conscientizar,  que antes de entrarem no campo de jogo, já são alvos  de críticas  sobre erros pretéritos cometidos em partidas anteriores. E, na maioria das vezes, sobretudo em relação ao jogo que irão dirigir. Enquanto a arbitragem parou no tempo ao longo das últimas  décadas, a mídia, sobretudo a eletrônica, evoluiu e adquiriu equipamentos sofisticadíssimos e está a postos com uma parafernália eletrônica (atualmente são 24 câmeras) – na Copa do Mundo serão 32,  para identificar e dissecar os erros da arbitragem. Além do exposto, os homens de preto são vítimas de uma legião de cronistas esportivos, que desconhecem as Regras de Futebol, e  ao invés de buscarem conhecimentos para cumprir o dever precípuo de informar adequadamente  o torcedor, disparam uma série de  "eu acho que não foi pênalti", "na minha opinião a falta foi fora da área", "acho que não estava impedido".  Ou seja, avaliam as tomadas de decisões da arbitragem, segundo as próprias opiniões ou intenções, muitas vezes sem substância.  Portanto, todo cuidado é pouco.
 

Observador de ouro no jogo do ano


Pierluigi Collina, eleito seis vezes consecutivas pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, como o melhor árbitro do planeta e atual comandante de arbitragem da Uefa, designou o sargento licenciado da polícia inglesa e árbitro da Premier League (Inglaterra), Howard Webb (foto), para dirigir na próxima quarta-feira, no Santiago Bernabeu, a primeira semifinal da Champions League, entre Real Madri (Espanha) x Bayer Munique (Alemanha). Será a terceira semifinal consecutiva de Webb na maior compertição européia.

O indigitado árbitro será auxiliado no jogo do ano segundo os europeus, pelos seus compatriotas Mike Mullarkey e Darren Cann, considerados pela Fifa e a Uefa como o melhor trio de arbitragem de futebol do planeta. Aliás, a trempe do apito nominada foi selecionada pela Fifa, e estará dirigindo jogos do Mundial no Brasil a partir do próximo dia 12 de junho.

Antes do embate do meio de semana, o melhor trio de arbitragem do Universo, dirigiu a final da Champions  League de 2010, que envolveu  Bayer de Munique x Internazionale, a final da Copa do Mundo da África do Sul, Espanha x Holanda. Além disso, o triunvirato em tela, há quatro anos comanda as partidas das principais competições da Fifa, da Uefa e, sobretudo, da Premier League.

Além de ser considerado o acontecimento futebolístico do ano na Europa, todos os 82.000 ingressos foram vendidos há mais de quinze dias, o evento do Santiago Bernabeu, será transmitido para 163 países.

Além de tudo o que você leu, o espetáculo do ano em Madri, terá um personagem importantíssimo na Tribuna de Honra do estádio, avaliando o desempenho das tomadas de decisões dos árbitros. Pierluigi Collina, será o assessor de árbitros, o que valoriza sobremaneira cada tomada de decisão do árbitro, dos assistentes, do quarto árbitro e dos árbitros adicionais.    
       

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Inglaterra no Brasil: a ligação entre dois países do futebol

A Inglaterra no Brasil: a ligação entre dois países do futebol
© Getty Images
“Numa tarde fria de outono em 1895, reuni os amigos e convidei-os a disputarem uma partida de football. Aquele nome, por si só, já era novidade, visto que na época somente conheciam o críquete”, afirmou Charles William Miller, em depoimento à revista “O Cruzeiro”, em 1952. Essa frase pode parecer absolutamente normal em muitos territórios, nos quais os gramados servem de base para jogadores munidos de bastões e outros apetrechos. Neste caso, porém, o personagem estava se referindo à cidade de São Paulo, a maior do Brasil. Sim, o Brasil, o país do... críquete?
Ao menos no final do século 19, a impressão era essa. Mas esse paulistano, descendente de ingleses e escoceses, tratou de fazer sua parte para mudar o curso da história, a ponto de ser considerado o grande pioneiro da modalidade que se tornaria praticamente uma religião para sua nação.
Se, mais de cem anos atrás, o nome mais difundido do esporte era o football – em inglês mesmo –, não tardou muito para que os brasileiros, tal como fizeram com a prática do esporte em si, se apoderassem do termo, aportuguesando tudo. Nasceu, então, o “futebol” - assim como outros vocábulos derivativos, como “chutar” (shoot), “driblar” (dribble) e, claro, o “craque” (crack).
Pois foi com eles, os craques como Pelé, Garrincha, Tostão e Ronaldo, que a Seleção encarou, até hoje, uma série de quatro clássicos contra o English Team nas Copas do Mundo da FIFA: em 1958, 1962, 1970 e 2002 - todos anos em que os brasileiros foram campeões mundiais. Depois de um empate sem gols no primeiro embate, o Brasil venceu os três posteriores. O tipo de retrospecto que justifica a alcunha de, aí sim, “país do futebol”.
Apita o árbitro
Nesta série que investiga os laços entre diversas nacionalidades e o país-sede da Copa do Mundo da FIFA 2014, o FIFA.com já abordou os vínculos históricos com povos europeus como italianos, alemães e espanhóis. Com seus emigrantes, todos eles contribuíram para o desenvolvimento de uma potência de chuteiras. Mas nada disso faria sentido não fosse a Inglaterra, patrona do esporte.
Foi na Banister Court School de Southampton que o jovem Charles Miller, que hoje dá nome à praça em que se localiza o lendário estádio do Pacaembu (sede da Copa de 1950), teve contato com o futebol nos mínimos detalhes. Esse conhecimento o levou diretamente ao excesso de bagagem na hora de retornar ao Brasil: trouxe duas bolas usadas, uma bomba para enchimento, um par de chuteiras, dois conjuntos de uniforme e um livro com as regras do jogo de então. Daí que, depois de muita conversa e dúvidas tiradas com os amigos anglo-brasileiros, Miller organizou no dia 14 de abril de 1895 aquela que é considerada em geral como a primeira partida de futebol no país, num campo no Brás, em São Paulo.
Há historiadores que contestam a informação, levantando vestígios de “peladas” anteriores no Rio de Janeiro e no Pará. Mas o match promovido na várzea paulistana teria sido ao menos o primeiro evento “organizado”, com árbitro e regras valendo. De um lado estavam os funcionários da São Paulo Railway, com Miller. Do outro, aqueles que vestiam a camisa da Gas Company of São Paulo – os ferroviários venceram por 4 a 2. Serviu como pontapé inicial para a história.
“O período de aclimatação ao novo esporte, porém, não foi rápido”, escreve o historiador John Mills, autor do livro “Charles Miller: O Pai do Futebol Brasileiro”. “A surpresa ao saber, em 1894, que por aqui ainda não se conhecia o futebol, tinha razão de ser. Afinal, os contatos entre um país e outro não eram tão espaçados que impedissem que se conhecesse o esporte que na Inglaterra já havia sido regulamentado em 1863, que tanto empolgava e se alastrava por toda a Europa.”
As origens
Com o passar dos anos, porém, a modalidade foi angariando seus adeptos entre a classe proletária paulistana. Os jogos se espalhavam pela cidade, e diversos clubes eram criados. E foi justamente um grupo de operários que, no dia 1º de setembro de 1910, lançou o Sport Club Corinthians Paulista. O título era uma reverência direta ao xará londrino Corinthians Team, que excursionava pelo Brasil, arrasando rivais. Na véspera, 31 de agosto, por exemplo, os ingleses haviam acabado de vencer por 2 a 0 a Associação Atlética das Palmeiras (nenhuma ligação com o Palmeiras de hoje, diga-se). Detalhe: estavam na plateia  Anselmo Corrêa, Antônio Pereira, Carlos Silva, Joaquim Ambrósio e Raphael Perrone, todos fundadores da versão paulista.
O Corinthians Team foi um dos muitos clubes britânicos que visitaram o país no início do século 20. Entre eles consta o Exeter City FC, que vinha de longa viagem pelo continente e chegou ao Rio em 1914. Primeiro, enfrentaram um combinado de compatriotas. Depois bateram um combinado carioca por 5 a 3. O maior desafio, porém, estava marcado para o estádio do Fluminense, no dia 21 de julho. Cerca de 5.000 espectadores encheram as arquibancadas das Laranjeiras, e dessa vez os ingleses saíram derrotados por 2 a 0, de modo surpreendente. E qual era o adversário? Simplesmente a equipe que a CBF reconhece como a primeira Seleção Brasileira já escalada. 
"Os jogadores ingleses, acostumados a jogar num regime profissional, disputavam os lances com mais apetite, ao passo que os brasileiros, ainda amadores, procuravam jogar mais por exibição e lazer”, relatam os autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assad, no livro oficial da Seleção Brasileira. “Mesmo assim, a habilidade dos brasileiros surpreendeu.”
Do you speak English?
Um ano antes da visita do Exeter City, o inglês Henry Welfare, natural de Liverpool, havia se radicado no Rio, inicialmente com os planos de ser um professor secundário no Ginásio Anglo-Brasileiro. Rapidamente foi levado ao Fluminense para jogar de centroavante – com 1,90 m de altura, impressionava pelo porte físico, ganhando o apelido mais que usual de “Tanque tricolor”. O gigante balaçou as redes sem parar pelo Flu e até hoje detém o recorde do maior número de gols num só jogo pelo time (seis, contra o Bangu, em 1917). Foi tricampeão carioca, liderou a artilharia da competição e se tornou até mesmo sócio benemérito do clube.
Quando pendurou as chuteiras, porém, se tornou técnico do Vasco, o que assustou muitos torcedores. “No principio, causou muita espécie, porque ele saiu do Fluminense e foi para o Vasco, num tempo em que era muito problemático a gente mudar de clube. A gente não mudava de clube porque era feio...né?”, afirmou Flávio Costa, também técnico vascaíno e da Seleção Brasileira de 1950.
Fato é que Henry  também fez história pelo Vasco, dirigindo a equipe e estrelas como Leônidas da Silva, Fausto e Domingos da Guia por dez temporadas, ganhando três títulos e figurando pelo menos entre os três primeiros colocados em oito anos. Este foi um caso raro, porém, de um atleta britânico a fazer carreira em agremiações brasileiras. Assim como demorou bastante para que os jogadores brasileiros encontrassem espaço no futebol inglês.
Yes, I do
Neste ponto, o atacante Mirandinha, 20 centímetros mais baixo e 72 anos depois que Welfare, aparece como um contraponto interessante. Depois de brilhar com a Seleção pela Copa Stanley Rous, recebeu proposta do Newcastle. “Fizeram uma proposta ao Palmeiras. Eu estive bem perto de assinar com o América do México, mas o Newcastle insistiu e me levou”, diz ao FIFA.com.
Mirandinha assinou em 1987 e atuou por duas temporadas pela equipe. Foi o suficiente para cair nas graças dos Magpies. “Naquela época, a maioria dos clubes ingleses ainda jogava à base do chutão. Mas, para minha sorte, o Newcastle não era tão ‘inglês’ assim; não jogava tanta bola aérea. Isso me ajudou”, diz. “Adoro o clube e a cidade, onde deixei muitos amigos. Sou muito bem tratado até hoje, me recebem com muito carinho. É especial.”
Na década seguinte, foi a vez de outro brasileiro marcar presença na Premier League. E alguém ainda mais baixo que Mirandinha: Juninho Paulista, com 1,65 m de altura, mas um talento nos pés daqueles. No Middlesbrough, o meia viu de perto a mudança nos padrões técnicos e táticos do campeonato. “Só fui mesmo para o futebol inglês porque o Bryan Robson tinha essa mentalidade de buscar um jogo mais técnico”, diz ao FIFA.com. “Quando estava em negociação, me mandaram uns jogos do time. Assisti e só pensei como jogaria ali. Era só chutão de um lado para o outro. Então, o Robson me disse: ‘pois é, você viu a fita? Por isso mesmo que eu quero trazer você; para mudar isso’. Eles queriam jogadores mais técnicos, queriam a bola no chão.”
Juninho foi outro a ser adotado pela torcida, a ponto de rir quando questionado em uma entrevista em 2013 se era mais reconhecido em Middlesbrough ou em Itu. “Olha, acho que lá na Inglaterra”, afirmou. Hoje, vendo seu Ituano ser campeão paulista, derrotando o Santos na final, provavelmente a resposta seria outra. Mas não se apaga o carinho que recebe sempre quando visita a cidade no nordeste inglês.
Hoje, são vários os brasileiros em ação por lá. Só o Chelsea conta com quatro – David Luiz, Ramires, Oscar e Willian, todos constantes na Seleção. O Liverpool também conta com Lucas Leiva e Philippe Coutinho, que, inclusive, chegou a liderar a venda de uniformes do clube antes de a temporada começar.
“Eles têm a sorte de jogarem num futebol bem diferente, mais fácil do que o que encontrei. Hoje existem somente jogadores de alto nível, de todas as partes do mundo, em ótimos gramados. A cultura do futebol inglês é completamente diferente hoje em dia”, diz Mirandinha.
Tão diferente que, vejam só, pode representar um desafio para  alguém como Lucas Leiva. Ele chegou ao Liverpool em 2007 com o prestígio de ser eleito o melhor volante do Campeonato Brasileiro, o que não o impediu de se impressionar diante de uma nova realidade. “Sentia como se estivesse a 50km/h e todos os outros, a 100km/h. Eu não estava preparado. Tanto que, no início, eu me saía melhor nos jogos de Champions League. Fui de um extremo ao outro, em termos de velocidade do jogo.”
Há mais de um século, o Brasil recebia o jogo inglês e dava seus toques. Hoje, os brasileiros se adaptam ao que a Inglaterra pode oferecer de melhor. Segue assim a evolução do esporte, não importando exatamente o país em que estejamos. Desde que seja do futebol.
Fonte: Fifa.com

Platini defende árbitros estrangeiros no futebol português

Presidente da Uefa explica por que é manifestamente contra a introdução de meios tecnológicos na arbitragem
Platini defende árbitros estrangeiros no futebol português
A ideia foi lançada por Bruno de Carvalho e é parcialmente apoiada por Michel Platini à direita da foto. O presidente da Uefa deu esta sexta-feira uma entrevista ao Record durante a qual, e sem que lhe tivesse sido feita diretamente a pergunta, defendeu árbitros estrangeiros no futebol português. 
Acho que se deve confiar na honestidade da arbitragem. Olhe, ontem mesmo, enquanto estava a ver Benfica x FC Porto, comentava que se tratava de um jogo complicado para um árbitro português. Há uma grande pressão e os árbitros são humanos como nós, começou por dizer. 
Ter um árbitro estrangeiro para esses jogos de maior tensão é uma solução, por que não? O comportamento dos jogadores num jogo do campeonato e num jogo europeu não é o mesmo. Acima de tudo não há qualquer relação nem um passado que comprometa esse relacionamento.
Na mesma entrevista Platini explicou por que continua a ser contra a introdução da tecnologia. Para saber se um jogador estaria ou não em fora de jogo? E quem escolheria esse lance? Entendo que se carregarmos no botão da tecnologia não voltaremos atrás, iremos até ao fim.
Michel Platini diz que os árbitros tem obrigação de avaliar corretamente os lances que veem a poucos metros e que a televisão é enganadora. Se eu lhe tocar levemente é o que se chama um penalti televisivo. A televisão não lhe dá a verdade, concluiu Platini. 
Fonte: Mais futebol

Tecnologia nas arbitragens de futebol

TODA MUDANÇA FILOSÓFICA TEM INÍCIO EM UMA IDEIA
OUSADA!
A IDEIA QUE HOJE COMBATEMOS AMANHÃ PODERÁ SER UMA REALIDADE CELEBRADA, APLAUDIDA!
TECNOLOGIA NAS ARBITRAGENS DE FUTEBOL

 Dr. Serapião à esquerda e o blogueiro Marçal
1) OBJETIVO

a) evitar erros em lances de fato, que alterem ou possam alterar o resultado das partidas;

b) legitimar os resultados dos jogos;

c) dar mais dinâmica ao futebol. *

d) dar mais ética ao futebol, evitando erros que colocam em dúvida a dignidade dos árbitros e dirigentes e ocasionam violência.

2) PRINCÍPIOS

  a) da mínima interferência;
  b) da continuidade do atual sistema de arbitragem, agregando-se o da “absoluta convicção”.
  c) da não interrupção do jogo; e
  d) da não realização de consultas.

3) FORMA

Designação de um Assistente de Vídeo – AV, com atribuição para decidir lances de fato importantes não vistos ou, se vistos, decididos incorretamente pela arbitragem. O AV atuará com base em imagem televisa simultânea e com possibilidade de imediato replay. A comunicação com os árbitros será feita, preferencialmente, por meio de comunicação eletrônica.*

4) LANCES

4.1)     dúvida sobre se a bola entrou ou não na meta
O “AV”atuará para marcar gol ou para desmarcar gol sem que a bola haja entrado.*
4.2)     saídas da bola pela linha de meta
O “AV” atuará para indicar as saídas da bola quando na mesma jogada ou em seu contexto for marcado gol ou pênalti. *
4.3)     local de tiros livres diretos a favor do ataque, ocorridos nos limites da área de pênalti
O “AV” atuará para corrigir erro quanto ao local da falta, ou seja, se dentro da área for marcada fora e vice-versa. *
4.4)     gols e pênaltis marcados, possibilitados e evitados em razão de faltas claras, indiscutíveis

O “Assistente de vídeo”atuará em lances que não exijam interpretação, ou seja, em faltas tão claras, tão indiscutíveis que deem certeza de que só não foram marcadas porque não foram vistas.
4.5)     impedimentos

O “AV” só atuará para desmarcar gols feitos por jogador impedido e pênaltis por ele sofridos, ou por ele possibilitados na mesma jogada ou em seu contexto. Melhor explicando: se houver impedimento e tais lances (gol ou pênalti) ocorrerem em razão de outra jogada, quer dizer, quando o impedimento não for a causa direta de tais lances, o “AV” não atuará.
Essa pequena nuance corresponde ao que ocorre hoje, quando o assistente não marca impedimento existente e um gol ou pênalti é marcado, mas com a indiscutível vantagem de que se o gol ou pênalti decorrer diretamente do impedimento eles nãos serão validados. 
Por consequência, os árbitros assistentes só devem marcar impedimentos claros, que não suscitem dúvida, pois se houver gol ou pênalti na mesma jogada ou em seu contexto, o “AV” atuará.
Note-se que se houver impedimento sem marcação e não houver gol ou pênalti, hipótese em que o “AV” não atuará, o erro não trará consequência direta para o resultado da partida.
O que não pode ocorrer é marcação de impedimentos inexistentes, cortando oportunidades de gols ou mesmo anulando gols legítimos, tudo que é grave para o resultado da partida e para a dinâmica do futebol.
Vantagens: menos paralisações do jogo, mais gols e todos legítimos.

     4.6) agressões físicas (conduta violenta) não percebidas pela arbitragem

O “AV” atuará imediatamente, embora deva considerar uma vantagem de gol ou de clara oportunidade de gol.


5) CONSIDERAÇÕES DE CUNHO GERAL

I) O processo pode ser iniciado imediatamente e sem necessidade de aparato tecnológico especial. O AV utilizará as mesmas imagens de televisão que hoje provam os erros e acertos das arbitragens.

II) Com base no princípio da “absoluta convicção”, em lances ajustados (dificuldade para decidir se a bola entrou ou não na meta; se saiu ou não pela linha de meta e se houve ou não impedimento), os árbitros (A, AA e/ou AAA) só atuarão se tiverem plena certeza (absoluta convicção), evitando, assim, paralisar o jogo errada e indevidamente, porquanto se a não marcação ocasionar diretamente erro que altere ou possa alterar o resultado da partida o “AV” o corrigirá.

III) O princípio da imediatidade das decisões, que é da essência da arbitragem, não será afetado porque o tempo gasto para reiniciar o jogo será sempre superior ao que o “AV” necessitará para analisar o lance e atuar.

IV) Em razão do princípio da não interrupção, o jogo somente poderá ser interrompido pelo “AV” nos lances em que a bola entrar na meta e o gol não for marcado; de gol evitado ou pênalti não marcado em razão de falta clara, indiscutível; e quando houver agressão física (conduta violenta), porquanto nas demais situações em que o “AV” pode atuar o jogo já estará paralisado.

A relevância desses lances, todavia, justifica plenamente as interrupções do jogo.   

Saliente-se, por oportuno, que o jogo só será interrompido se já não estiver paralisado por outra razão.

V) O “AV” não atuará em lances que as imagens não elucidem claramente. Nesses casos, a decisão da arbitragem será definitiva.

Note-se que as imagens jamais deixarão de elucidar lances abertos, claros. Desse modo, os erros grosseiros, que causam revolta e diminuem a credibilidade do futebol, serão sempre evitados.

VI) Como o Assistente de vídeo “AV” deverá ter conhecimento profundo das regras de futebol e muita prudência, somente árbitros bem experientes e/ou ex-árbitros de reconhecida capacidade deverão exercer a função.

VII) Por fim, entendemos que, tão-pronto a cultura do futebol absorva esse primeiro passo, a tecnologia poderá ser usada para erros em lances de interpretação que a ética não possa tolerar.  

O processo de evolução do mundo é irreversível e o futebol não pode ser o único seguimento a rejeitá-lo. Afinal, o homem correto clama por justiça em todos os atos e fatos da vida!

http://www.serapiaofilho.com/news/tecnologia-nas-arbitragens-de-futebol/


MANOEL SERAPIÃO FILHO

Ex-árbitro da FBF, da CBF e da FIFA

Instrutor Fifa Futuro III e Membro da CA/CBF